sexta-feira, 24 de abril de 2020

A BANALIZAÇÃO DA EXCEPÇÃO | THE BANALIZATION OF EXCEPTION

O artigo que se segue contém uma reflexão pertinente e fundamentada de um aspecto importante do combate à pandemia, silenciado pelos grandes meios de comunicação, pelo que julgamos de grande interesse a sua leitura.

Aproveitamos para recomendar vivamente ao leitor para acompanhar os sites https://www.oladooculto.com/ e https://www.abrilabril.pt/ para estar a par do «outro lado das notícias».
JMS
The following article contains a pertinent and well-founded reflection regarding an important aspect of the fight against the pandemic, silenced by the mainstream media, which is why we believe that it is of great interest to read it.

Please note that we translate directly from the Portuguese, which may cause deviations from original English terms of some citations unavailable to us.
JMS


A BANALIZAÇÃO DA EXCEPÇÃO

José Goulão

Exclusivo: O Lado Oculto/AbrilAbril

2020-04-22
THE BANALIZATION OF EXCEPTION

José Goulão

O Lado Oculto/AbrilAbril

2020-04-22

Se há domínio onde a futurologia está avançada, tocando mesmo o nível zero de erro, é o das pandemias virais. O Event 201, realizado em Outubro de 2019 em Nova York [*], antecipou apenas em dois meses o terrível mergulho no desconhecido que estamos a viver. É certo que a vocação assassina do coronavírus parece pecar por escassa em relação às previsões dos adivinhos – 65 milhões de mortos - mas já iremos perceber que a componente de pânico tem papel reservado nestas matérias. Porém, ao cabo de uma década de sucessivas “antecipações científicas”, de que o Event 201 foi a etapa mais recente, há que dar relevo ao acontecimento fundador destes exercícios visionários, datado de 2010 e que revela um realismo gritante. Sobretudo na vertente que começa a ganhar forma à escala global: a imposição do autoritarismo ou a vulgarização do excepcionalismo.

[*] O Evento 201 foi um exercício de simulação decorrido em 18 de Outubro de 2019 no hotel The Pierre, Manhattan, organizado pelo Centro John Hopkins, com o Fórum Económico Mundial e a Fundação Bill e Melinda Gates. Comparència só por convite (exclusivo da Bloomberg). Banqueiros, grandes empresários e responsáveis de organismos financeiros mundiais reuniram-se para explorar ideias dos impactos económicos e sociais mundiais de "um surto intercontinental grave e altamente transmissível" por um coronavírus. O vídeo difundido na Internet pelos organizadores do exercício profetiza as campanhas oficias contra o covid-19 quase de modo premonitório. Ver mais aqui. – JMS.

Corria o ano de 2010, como já se disse, quando a Fundação Rockefeller, em colaboração com a Global Business Network do futurólogo Peter Schwartz, publicou uma espécie de livro branco com “Cenários para o Futuro da Tecnologia e do Desenvolvimento Internacional”.

A Fundação Rockefeller, abra-se aqui um parêntesis, é um ícone do neoliberalismo globalista – actualmente em rivalidade cega com o neoliberalismo populista – a par de outras entidades como o Fórum Económico Mundial, que se realiza anualmente em Davos, o “filantropo” George Soros e a sua “Fundação Sociedade Aberta” especializada em “revoluções coloridas”, a Fundação John Hopkins e a Fundação Bill e Melinda Gates, todos eles associados às continuadas projecções de pandemias virais - e não é certamente por coincidência.

Um dos capítulos do livro branco da Fundação Rockefeller intitula-se Lock Step e antecipa, então para 2012, uma pandemia provocada por uma “nova estirpe de gripe extremamente virulenta e mortal”. Neste caso as previsões são de oito milhões de mortes em sete meses, além de um “efeito nefasto na economia: a mobilidade internacional de pessoas e bens é suspensa debilitando indústrias como o turismo, interrompendo as redes de abastecimento global (…) encerrando lojas e escritórios durante vários meses, sem trabalhadores nem clientes”.

“Uma liderança mais autoritária”

Uma consequência da pandemia que percorre todo o trabalho da Fundação Rockefeller, e merece especial atenção dos autores, é “o apertado controlo governamental de cima para baixo e uma liderança mais autoritária”, com “crescente pressão sobre os cidadãos”. Um cenário que mais adiante é explicado desta maneira: “Dirigentes nacionais em todo o mundo reforçam a sua autoridade e impõem regras e restrições herméticas, desde o uso obrigatório de máscaras faciais até à verificação da temperatura corporal nas entradas de espaços comuns como estações de comboios e supermercados”.

Até que os autores da previsão chegam ao que parece ser o fulcro da mensagem futurista: “Mesmo depois de a pandemia ter sido ultrapassada o controlo e a supervisão mais autoritários das cidades continuaram e intensificaram-se”; como “protecção contra a disseminação de problemas cada vez mais globais – de pandemias ao terrorismo internacional, a crises ambientais e ao aumento da pobreza – os dirigentes mundiais apoderaram-se de maneira mais firme do poder”. 

E assim os cenários da Fundação Rockefeller e respectivos parceiros saltam dez anos a instalam-nos na antecâmara de uma actualidade que não parece distante se olharmos bem o que nos cerca na perspectiva das ambições do regime neoliberal global. Há muito que, de crise em crise, o sistema vem dando sinais de que está cada vez mais tentado pelo autoritarismo original, afastando-se da democracia ainda que esta funcione de modo meramente formal.

Não é necessário ser futurólogo para prever que a “recuperação económica” dos efeitos da pandemia na perspectiva neoliberal exigirá ainda menos direitos civis, sociais e humanos, mais austeridade, maior e mais férreo controlo sobre as movimentações de massas. Aliás o reaparecimento em cena da Comissão Europeia para gerir a “reabertura” social, depois de ter hibernado profundamente em pleno combate aos efeitos da doença, é um sinal óbvio do que está para vir. É um indício de que o regresso à “normalidade” significará o funcionamento pleno da ditadura da economia sobre as preocupações humanas que a pandemia suscitou pontualmente e contra a corrente. Não esqueçamos, por exemplo, que muitas das trágicas consequências da pandemia do COVID-19 têm vindo a ser provocadas pelos ataques devastadores contra os sistemas públicos de saúde comandados por entidades neoliberais como a Comissão Europeia, o FMI, o Banco Central Europeu e o Eurogrupo mais a sua corte de obsessivos do défice.

O capítulo Lock Step da publicação da Fundação Rockefeller, na senda do que têm afirmado vários expoentes do globalismo, não prevê que sejam necessários cenários de violência para garantir o reforço de medidas autoritárias. Considera que a instauração de normas deste tipo será facilitada perante “cidadãos assustados que voluntariamente abandonam parte da sua soberania – e privacidade – a Estados mais paternalistas, em troca de maior segurança e estabilidade”, mercê de uma situação que os torna “tolerantes e mesmo ansiosos por comando e até supervisão de cima para baixo”.

Estas palavras não são mais do que uma expressão do pensamento de Henry Kissinger, esse terrorista globalista que dirigiu a primeira aplicação da ortodoxia neoliberal, no Chile do fascista Pinochet, quando afirmou em 1992, na reunião do Grupo de Bilderberg em Evian, França: “A única coisa de que o homem tem medo é do desconhecido; quando são colocadas perante um cenário desse tipo as pessoas renunciam de bom grado aos seus direitos individuais, trocando-os pela garantia do seu bem-estar assegurado pelo governo mundial”. Agora, em plena pandemia, o mesmo Kissinger escreveu no Wall Street Journal que “a resposta às necessidades do momento, em última análise, deve ser associada a uma visão e um programa globais de colaboração”.

Não é de admirar que a indução de pânico, a multiplicação de cenários apocalípticos associadas a situações realmente graves que exigem medidas de excepção acabem por facilitar a imposição de sistemas de vigilância total a pessoas que “abandonam voluntariamente parte da sua soberania – e privacidade – a Estados mais paternalistas”, como anteviu a Fundação Rockefeller, de que aliás Henry Kissinger tem sido a figura mais emblemática.

A passagem à prática

A experiência vivida por Edward Snowden, o ex-agente da CIA e da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos que divulgou ao mundo os principais programas de espionagem global, diz-lhe que medidas aplicadas actualmente com carácter de excepção irão permanecer no futuro e que os dados recolhidos no quadro do combate à pandemia ficarão registados e serão processados para os fins múltiplos que os seus possuidores entendam necessários.

Não se pense, porém, que enquanto se vive o excepcionalismo o passo para a sua banalização ainda está apenas no domínio das intenções.

No dia 8 de Março, numa entrevista à estação de televisão CBS News, o globalista Bill Gates garantiu que “a normalidade” e os ajuntamentos de pessoas “não voltarão, de modo algum”, até que haja uma vacinação em massa.

As pessoas, muito naturalmente, anseiam por uma vacina contra o novo coronavírus tendo em conta a situação real e também a multiplicação de previsões catastróficas.

Porém, Bill Gates, também ele um “filantropo”, tem da vacinação global uma ideia muito própria como grande accionista de vários gigantes transnacionais dos medicamentos. A sua “vacinação global” está intimamente ligada ao projecto ID2020 para instaurar métodos de identificação dos cidadãos à escala planetária através da introdução de nanochips sob a pele das pessoas, usando as vacinas como veículos de inserção. Delírio de imaginação? Teoria da conspiração? Nada disso: a experiência piloto está em desenvolvimento no Bangladesh, numa colaboração entre os círculos de Bill Gates, o governo de Dacca e o Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT) porque “cada pessoa tem o direito a saber quem é” e a “ser parte da moderna economia”.

A vacinação contra o coronavírus não entrará ainda, eventualmente, neste programa. Mas pode ser parte de novos passos no sentido do autoritarismo e do controlo dos movimentos de pessoas.

O que se escreveu não é especulação; assenta no pensamento do próprio Gates manifestado durante a mesma entrevista à CBS News. “Eventualmente”, disse, “teremos de ter certificados de quem é uma pessoa recuperada, quem é uma pessoa vacinada” que regulem os movimentos de seres humanos através do mundo. “Então eventualmente haverá uma prova de imunidade digital que ajudará a facilitar a reabertura global”. Entretanto, admite o “filantropo” Gates, “as reuniões de massas podem ser proibidas até que seja possível um programa de vacinação em larga escala”.

Enquanto esse dia não chega, a Google e a Apple, fundada por Bill Gates – o globalista que também se dedica à “Agenda Verde” e à geoengenharia para que o planeta se “adapte” às alterações climáticas - puseram em marcha o sistema de rastreamento de pessoas infectadas com COVID-19 com base em dados dos smartphones. Naturalmente, uma vez aberto o caminho, as mesmas instituições que perseguem telemóveis por causa do combate à pandemia poderão fazê-lo por outra qualquer razão que tenha a ver com a “segurança da sociedade”. O combate a uma pandemia é, como se percebe, um manancial de aquisições, potenciadas agora pela evolução da inteligência artificial. Ao serviço de “pessoas tolerantes e até ansiosas por comando e supervisão de cima para baixo” assumidos por “Estados paternalistas”.

COVID-19 e biologia matemática

É cedo para ter certezas sobre muitos dos aspectos que caracterizam a pandemia de COVID-19. Desde logo a sua origem, que ficará para sempre enterrada no entulho de desinformação que tem uma dimensão directamente proporcional à vontade de que a verdade não seja esclarecida – afinal o paradigma prevalecente em torno do imbróglio.

Que se trata de um gravíssimo e trágico problema de saúde pública não existem dúvidas. Há situações, porém, que exigem reflexão serena e objectiva, sobretudo quando se determinam opções securitárias apresentadas como soluções únicas e absolutas e que acabam por ter a sua quota-parte na campânula de pânico que envolve o tratamento da pandemia.

O pânico é uma forma de manipulação que facilita a introdução de normas rígidas – mesmo que flutuando ao ritmo das circunstâncias ou dos desígnios político-sanitário-económicos - num terreno onde escasseiam dados objectivos e informações estatísticas mais afinadas para lá das fatalidades e dos números de infecções. Seria interessante, por exemplo, conhecer as taxas de recuperação ao COVID-19 sem auxílio de medicamentos ou com medicamentos de utilização corrente.

A principal componente do pânico tem mais a ver, contudo, com as estimativas que vêm determinando a adopção de medidas extremas, elas mesmas parecendo réplicas das antevisões apocalípticas que foram sendo projectadas por uma orquestrada corrente de futurólogos neoliberais e globalistas.

Papel central na formatação dessa componente tem sido desempenhado, desde o início do século, pela chamada “biologia matemática” praticada por Neil Ferguson, do Imperial College de Londres; um método que parte de estatísticas, por vezes desactualizadas, para projectar comportamentos humanos.

Foi uma nota confidencial de Ferguson segundo a qual a pandemia mataria meio milhão de franceses, remetida em 12 de Março, que levou o presidente Macron à sua dramática intervenção da qual resultou o confinamento generalizado. Há mais de 20 mil mortes em França, porém longe das contas feitas pela biologia matemática. Assim como os números reais estão longe dos 550 mil mortos no Reino Unido e dos 1,2 milhões nos Estados Unidos previstos na mesma ocasião por Ferguson.

Poderá argumentar-se: as advertências de Ferguson evitaram que se chegasse tão longe. Ao que poderá contrapor-se o caso sueco que, sem estados de emergência, gere a crise com números do mesmo nível dos ocorridos com regimes de contenção mais rigorosos. É cedo, portanto, para haver certezas.

Daí que a banalização de medidas de excepção à espera de uma eventual vacina pareça o aprofundamento de um caminho vocacionado para se estender para lá de uma imunização contra o coronavírus; a qual, por isso, não nos vacinará contra o autoritarismo de que o neoliberalismo necessitará cada vez mais para sobreviver.

A “biologia matemática” de Ferguson não se “enganou” só agora. Isso está na essência da sua existência. Em 2001 convenceu Tony Blair a abater seis milhões de bovinos para combater a febre aftosa e a deitar para o lixo 10 mil milhões de libras, um acto que faz parte hoje da lista das grandes aberrações; em 2002 profetizou que a doença das “vacas loucas” mataria entre 50 mil e 150 mil britânicos mas, felizmente, não passou dos 177; em 2005 seria a gripe das aves a ceifar as vidas de cerca de 65 mil cidadãos britânicos e, mais uma vez felizmente, o número não chegou aos 500.

Quer isto dizer que cada caso de pandemia, real ou encenada, é servido com uma dose acrescida de sementes de pânico. Ignoram-se quais os efeitos desta constante no combate às doenças; não se ignora, no entanto, que o “medo do desconhecido”, como diria Kissinger, deixa as pessoas de “braços abertos” para o que lhes queiram impor.

Talvez alguém considere que prevenir através do pavor seja melhor do que remediar com medicamentos ou estados de emergência. Mas se, afinal, os estados de emergência, totais ou parciais, parecem talhados para sobreviver à cura e à imunização dos fenómenos virais, então talvez seja altura de os cidadãos se prevenirem denunciando e combatendo já as excepções aos direitos civis, sociais e humanos em vez de tentarem remediar depois o que não terá remédio.
If there is a field where futurology is in an advanced state, even approaching zero error, that field is viral pandemics. The “Event 201”, held in October 2019 in New York [*], anticipated by just two months the terrible plunge into the unknown that we are now experiencing. True, the murderous vocation of the coronavirus seems to be in short supply with respect to the predictions of the clairvoyants -- 65 million dead -- but we will see below that the panic component has already a scheduled role in these matters. Meanwhile, after a decade of successive “scientific anticipations”, with “Event 201” as the most recent stage, one should nevertheless emphasize the foundational event of these visionary exercises, dated 2010 and revealing a glaring realism. Especially in the aspect that begins shaping up on a global scale: the imposition of authoritarianism or the vulgarization of exceptionalism.

[*]The Event 201 was a simulation exercise that took place on October 18, 2019 at The Pierre hotel, Manhattan, organized by the John Hopkins Center, with the World Economic Forum and the Bill and Melinda Gates Foundation. Attendance only by invitation (a Bloomberg exclusive). Bankers, big businessmen and heads of global financial organizations came together to explore ideas of global economic and social impacts of "a serious and highly transmissible intercontinental outbreak" by a coronavirus. The video broadcast on the Internet by the organizers of the exercise prophesies official campaigns against the covid-19 almost in a premonitory way. See more here. – JMS

It was 2010, as told above, when the Rockefeller Foundation, in collaboration with the futuristic Peter Schwartz's Global Business Network, published a sort of white book with “Scenarios for the Future of Technology and International Development”.

The Rockefeller Foundation, let’s open parentheses here, is an icon of globalist neoliberalism -- currently in blind rivalry with populist neoliberalism -- alongside other entities such as the World Economic Forum which takes place annually at Davos, the “philanthropist” George Soros and his "Open Society Foundation" expert in "colored revolutions", the John Hopkins Foundation and the Bill and Melinda Gates Foundation, all of which are associated with continued projections of viral pandemics. And this is certainly not a coincidence.

One of the chapters of the Rockefeller Foundation's white book is called Lock Step and it anticipated at the time for 2012, a pandemic caused by a “new strain of extremely virulent and deadly flu”. In this case, the forecast is eight million deaths in seven months, and in addition an “adverse effect on the economy: the international mobility of people and goods is suspended, industries such as tourism become weaker, interrupting global supply networks […] closing up stores and offices for several months, without workers or customers.”

A "More Authoritarian Leadership"

One consequence of the pandemic that runs through all the work of the Rockefeller Foundation, and deserves special attention from the authors, is "the tight top-down government control and more authoritarian leadership", with "increasing pressure on citizens." A scenario that is further explained this way: “National leaders around the world will reinforce their authority and impose hermetic rules and restrictions, ranging from the mandatory use of face masks to the verification of body temperature at the entrance of common spaces such as train stations and supermarkets.”

Following this, the authors of the forecast come to what seems the heart of the futuristic message: “Even after the pandemic has been overcome, the most authoritarian control and supervision of the cities will be carried on and intensified”, as a "protection against the spread of increasingly global problems -- from pandemics to international terrorism, to environmental crises and the increase in poverty -- world leaders will have taken a stronger grip on power."

Thus, the scenarios of the Rockefeller Foundation and their partners stand as a ten-year anticipation, and place us in the antechamber of a tomorrow that does not seem that distant if we look closely at what surrounds us in the perspective of the ambitions of the global neoliberal regime. Since a long time, and crisis after crisis, the system has been showing signs that it is increasingly tempted by the authoritarianism of its inception, moving away from democracy even though it operates in a merely formal way.

There is no need to be a futurologist to predict that the “economic recovery” from the effects of the pandemic, in the neoliberal perspective, will require even less civil, social, and human rights, more austerity, and a greater and more ironclad control over mass movements. In fact, the reappearance of the European Commission on the stage to manage the social “reopening”, after having deeply hibernated during full combat against the effects of the disease, is an obvious sign of what is to come. It is an indication that the return to “normality” will mean the full functioning of the dictatorship of the economy over the human concerns that the pandemic promptly raised and against the tide. Let us not forget, for example, that many of the tragic consequences of the COVID-19 pandemic have been caused by the devastating attacks on public health systems led by neoliberal entities such as the European Commission, the IMF, the European Central Bank, and the Eurogroup plus their deficit-cut-obsessive cohort.

The Lock Step chapter of the publication of the Rockefeller Foundation, in the wake of what several exponents of globalism have affirmed, does not foresee the need of violent scenarios to guarantee the reinforcement of authoritarian measures. It envisages that the establishment of such rules will be facilitated by “frightened citizens who voluntarily abandon part of their sovereignty -- and privacy -- to more paternalistic States, in exchange for greater security and stability,” due to a situation that makes them “tolerant and even eager for top-down command and supervision.”

These words are nothing else than an expression of Henry Kissinger’s thought, the globalist terrorist who directed the first application of neoliberal orthodoxy in Chile by the fascist Pinochet, when he stated in 1992, at the meeting of the Bilderberg Group in Evian, France: “The only thing that man is afraid of is the unknown; when faced with such a scenario, people willingly renounce their individual rights, exchanging them for the guarantee of their well-being ensured by the world government”. Today, in the middle of a pandemic, the same Kissinger wrote in the Wall Street Journal that "the answer to the needs of the moment, in the final analysis, must be associated with a global vision and program of collaboration".

It is not surprising that the induction of panic, the multiplication of apocalyptic scenarios associated with really serious situations that require exceptional measures, end up facilitating the imposition of total surveillance systems on people who “voluntarily abandon part of their sovereignty -- and privacy -- to more paternalistic states,” as predicted by the Rockefeller Foundation, of which Henry Kissinger has indeed been the most emblematic figure.

Putting into practice

The experience lived by Edward Snowden, the former CIA agent of the US National Security Agency (NSA) who disclosed the main global espionage programs to the world, made him saying that the measures currently applied as an exception will remain in the future and that the data collected in the framework of the fight against the pandemic will be recorded and will be processed for the multiple purposes that its owners deem necessary.

Let us not take for granted, however, that even though we live in exceptionalism the step towards banalization is still only in the domain of intentions.

On March 8, in an interview with the CBS News television station, the globalist Bill Gates guaranteed that "normalcy" and the gatherings of people "will not come back at all" until there is a massive vaccination.

People, naturally, yearn for a vaccine against the new coronavirus, taking into account the real situation and also the multiplication of catastrophic predictions.

Bill Gates, however, who is also a “philanthropist”, has an idea of ​​global vaccination of his own as a major shareholder in several transnational pharmaceutical giants. His “global vaccination” is closely linked to the ID2020 project of introducing citizen identification methods on a planetary scale, through the introduction of nanochips under people's skin, using vaccines as insertion vehicles. Delirium of magination? Conspiracy theory? None of this: a pilot experiment is underway in Bangladesh, by a partnership involving Bill Gates' circles, the Dakota government and the Massachusetts Institute of Technology (MIT), because “every person has the right to know who he/she is” and “be part of the modern economy.”

The vaccination against coronavirus will not eventually be part yet of this program. But it can be part of new steps towards authoritarianism and the control of people's movements.

This is not speculation; it is based on the thought of Gates himself expressed during the same interview with CBS News. "Eventually," he said, "we will have to have certificates of who is a recovered person, and who is a vaccinated person" in order to track the movements of human beings across the world. "There will be then eventually a proof of digital immunity that will help facilitate the global reopening." However, admits the “philanthropist” Gates, “mass meetings may be banned until a large-scale vaccination program is possible.”

As we are waiting for that day to come, Google and Apple, founded by Bill Gates -- the globalist who also devotes himself to the "Green Agenda" and geo-engineering so that the planet "adapts" to climate change – have set in motion the tracking system of people infected with COVID-19 based on smartphone data. Of course, once the path is clear, the same institutions that track cell phones justified by the fight against the pandemic will be able to do so for any other reason that has to do with the “security of society”. The fight against a pandemic is, as we see, a source of assets, now enhanced by the evolution of artificial intelligence. At the service of "tolerant people and even eager for top-down command and supervision" assumed by "paternalistic states."

COVID-19 and mathematical biology

It is too early to be sure about many of the aspects that characterize the COVID-19 pandemic. For a starter, its origin, which will be forever buried in the rubble of disinformation, in its turn with a dimension directly proportional to the desire for the truth not to be clarified -- after all, the prevailing paradigm surrounding the imbroglio.

There is no doubt that this is a very serious and tragic public health problem. There are situations, however, that require a serene and objective reflection, especially when assessing security proposals presented as unique and definitive solutions and that end up having their share in the panic hood that involves the treatment of the pandemic.

Panic is a form of manipulation that facilitates the introduction of rigid norms -- even if they fluctuate to the rhythm of circumstances or political-sanitary-economic designs -- in a field where there is a lack of objective data and of more in-depth statistical information beyond numbers of victims and infections. It would be interesting, for example, to know the recovery rates for COVID-19 without the aid of medicines or with medicines in common use.

The main component of panic has more to do, however, with the estimates that have determined the adoption of extreme measures, themselves looking like replicas of the apocalyptic forecasts that were being projected by an orchestrated stream of neoliberal and globalist futurologists.

A central role in the formatting of this component has been played, since the beginning of the century, by the so-called “mathematical biology” practiced by Neil Ferguson, from Imperial College, London; a method based on statistics, sometimes outdated, to predict human behavior.

It was a confidential note sent by Ferguson on 12 March that the pandemic would kill half a million Frenchmen which led President Macron to his dramatic intervention resulting in widespread confinement. There are more than 20,000 deaths in France, but far from the accounts made by mathematical biology. Just as the real numbers are far from the 550,000 dead in the UK and the 1.2 million in the United States predicted at that time by Ferguson.

It could be argued: Ferguson's warnings prevented things from going that far. One can counterpose to this the Swedish case, which, without a state of emergency, manages the crisis with numbers at the same level as those observed in more strict containment regimes. It is too soon, therefore, to be sure.

That is why the banalization of exceptional measures waiting for an eventual vaccine seems to deepen a path aimed at extending beyond an immunization against the coronavirus; which, therefore, will not vaccinate us against the authoritarianism that neoliberalism is in an increasingly need in order to survive.

It was not only now that Ferguson's "mathematical biology" was "mistaken". This is at the heart of its nature. Ferguson convinced Tony Blair in 2001 to slaughter six million cattle to fight foot-and-mouth disease throwing with it £ 10 billion into the trash, an act that is now on the list of great aberrations; in 2002 he prophezied that the “mad cow” disease would kill between 50,000 and 150,000 Britons, but fortunately it was no more than 177; in 2005 the bird flu would supposedly claim the lives of some 65,000 British citizens and, thankfully, the number did not reach 500.

This means that each case of a pandemic, real or staged, is served with an increased dose of panic seeds. The effects of this component are ignored in the fight against diseases; it is not ignored, however, that the “fear of the unknown”, as Kissinger would put it, leaves people with “open arms” for whatever they want to impose on them.

Perhaps someone thinks that preventing through fear is better than remedying with medication or states of emergency. But if, after all, states of emergency, total or partial, seem tailored to survive the cure and the immunization of viral phenomena, then perhaps is time for citizens to protect themselves by denouncing and combating exceptions to civil, social and human rights instead of trying to remedy afterwards what will have no remedy.


domingo, 15 de março de 2020

Um ajuste de contas? | A Reckoning?

Um ajuste de contas?

Por Greg Godels

Fonte:
Tradução: JMS

Para entender o caos económico global sofrido nas últimas semanas, é essencial separar a causa próxima da causa final.

A causa imediata ou próxima é o contágio em expansão do coronavírus (Covid-19) muitas vezes fatal. O colapso dos mercados accionistas mundiais tem sido um efeito imediato e amplamente observado dessa causa próxima. A carnificina do vírus na RPChina desencadeou uma resposta rápida e eficaz, mas que amorteceu a actividade económica num país que já lida com uma desaceleração económica atingida por sanções económicas e tarifas. Os investidores institucionais, os gestores de fundos de cobertura e seus semelhantes notaram a carnificina e o contágio e, antecipando os seus efeitos na actividade global, retiraram os seus activos em acções e transferiram-nos para refúgios mais seguros, como títulos do Tesouro dos EUA. O pânico inicialmente abalou os mercados de títulos, reduzindo drasticamente os dividendos.

A rápida disseminação do vírus trouxe ainda mais perturbações económicas.

No entanto, a causa final da actual turbulência económica mundial é a fragilidade e vulnerabilidade do sistema capitalista global. Essa afirmação não é trivial nem auto-evidente. Desde a grave crise de 2007-2009, o capitalismo vem mancando, graças a medidas extraordinárias de bancos centrais, reduções de impostos, gastos militares e consumo impulsionado pelo crédito. As vítimas da anterior crise sobrevivem com empregos de serviços casuais e baixos salários, enquanto os ricos investem em ações inflaccionadas por fusões, aquisições e recompras de acções. Os esguicgos de crescimento vacilam, mantendo a economia capitalista em estagnação. A crescente irrelevância dos partidos políticos centristas é uma manifestação da insatisfação das massas com a crescente desigualdade e empobrecimento de muitos. A questão não era se este curso é sustentável, mas quando falharia.

A sinistra ameaça do coronavírus à actividade económica internacional -- trabalho, lazer, viagens, todas as formas de vida social -- desencadeou um colapso do mercado com base no medo de que o sistema capitalista possa sair do controlo. Os investidores sabem que as fraquezas do sistema, a falta de preparativos adequados, o status quo político e o governo ineficaz predizem um resultado assustador.

Diferentemente da resposta rápida e completa da China, que em grande parte impediu a disseminação do vírus, a complacência nos países capitalistas ocidentais é chocante. Hoje, sete vezes mais pessoas por milhão de pessoas foram infectadas pelo vírus na Itália do que na RPChina, onde a doença apareceu pela primeira vez. Os novos casos na Itália são 3.497 contra apenas 11 na RPC em 14 de Março. As mortes chinesas caíram para 13 em 14 de março, enquanto 175 italianos, 97 iranianos e 60 espanhóis morreram com o vírus. Todos os meios de comunicação ocidentais que se preocupam com o "autoritarismo" chinês não desviarão a atenção das incríveis falhas da preparação da saúde pública nos países capitalistas ocidentais.

A falta de um sistema de saúde universal, equitativo e abrangente (como o Medicare for All!) e um setor de saúde pública robusto colocam os EUA especialmente em risco. Junte-se-lhe a desigualdade e a injustiça dos cuidados de saúde com a obcessão histórica com a autonomia pessoal, e o desastre perfila-se no horizonte.

Um gatilho exógeno de turbulência económica tem precedentes em tempos recentes. O ataque da Al Qaeda a civis dos EUA em 11 de setembro de 2001 produziu uma queda de 7+% no mercado de acções, aprofundou a desaceleração das dotcom, causou uma baixa no mercado de acções e crescente desemprego no ano seguinte. Tal como o coronavírus em 2020, em 2001 um  inesperado factor não-económico abalou uma economia instável e atormentada por “activos” supervalorizados. A actual instância promete ser muito pior.

Grande parte da história económica do século XXI tem sido uma batalha dos formuladores de políticas contra a deflação, uma batalha para sustentar activos artificialmente inflacionados, geralmente virtuais. Desde a viragem do novo século e da bolha das dotcom até hoje, os activos tóxicos infectaram a economia produtiva. Ironicamente, um vírus "tóxico" aparentemente aleatório, está agora a ameaçar o enfraquecido organismo económico global, destruindo "valor" aos biliões.

Claro que o perigo ainda está por vir. Os mercados estão apenas a antecipar as horas de trabalho perdidas, as demissões, os custos com saúde, as perdas de negócios, a produção desacelerada, o efeito inverso da “riqueza”, o consumidor relutante, o investimento frouxo e uma série de outros choques económicos que poderiam alimentar uma espiral deflacionária. O sector financeiro também está chocado, porque os valores dos activos estão a entrar em colapso num ambiente de baixos juros.

Embora alguns estejam a chamar isso de crise financeira, ela não é estimulada por factores financeiros; nem está confinada ao sector financeiro. Tão pouco é uma crise de superprodução, subconsumo ou lucratividade, embora esteja a transformar-se rapidamente em tudo isso e, inevitavelmente, como todas as crises económicas, uma crise de acumulação. A economia global estava à beira do precipício; o coronavírus empurrou-a.

O vírus não poderia ter chegado em pior momento. A guerra entre globalistas e nacionalistas económicos, travada com tarifas e sanções, estava a afectar fortemente muitos países e permanece instável. Apesar da euforia do mercado de acções (desligada da realidade), os mercados de bens estavam frouxos ou em declínio. O comércio internacional caiu abaixo dos níveis históricos de crescimento.

Preocupado com o dever tácito de estabilizar a economia dos EUA para um candidato num ciclo eleitoral presidencial, o Federal Reserve disparou prematuramente o rolo monetário, diminuindo as taxas de juros em antecipação do escorregamento económico do "problema chinês". Agora têm apenas medidas radicais para enfrentar a crise (um programa anunciado em 12 de Março que injecta liquidez de um bilião e meio no sector bancário e anuncia a expansão da compra de activos para combater a deflação).

Os russos agravaram a crise ignorando o plano saudita de reforçar os mercados de petróleo. Na sexta-feira, 6 de Março, recusaram juntar-se aos sauditas na redução da produção de petróleo para estabilizar os preços. De maneira irresponsável, a liderança saudita -- sob forte pressão política de déficites orçamentários e uma oferta pública de acções decepcionante -- anunciou uma guerra de preços (e prendeu membros oposicionistas da família real).

Quando os preços do petróleo caíram, o rublo russo também caiu, forçando o banco central da Rússia a interromper temporariamente as compras externas.

De acordo com especialistas russos, a não manutenção de preços foi destinada aos frackers dos EUA que não conseguem produzir com lucro quando os preços estão baixos. Alexander Dynkin é citado como tendo dito: "O Kremlin decidiu sacrificar a OPEP+ para parar os produtores de xisto dos EUA e punir os EUA por atacarem o Nord Stream 2." [ênfase minha] Os russos certamente sabiam que a indústria de fraturamento dos EUA já estava à beira do colapso por causa de uma dívida maciça e incontrolável (mais de US $ 120 mil milhões com vencimento nos próximos 2 anos!). Assim, a Rússia arriscou uma profunda deflação do preço do petróleo em vingança pela ataque dos EUA ao seu projeto europeu de gasoduto ‘- um olho-por-olho capitalista.

Escrevi com frequência sobre o imperialismo energético nos últimos dois anos (especialmente, o uso extorsionista pelos EUA de incentivo a guerras, a sanções e ameaças, a fim de conquistar mercados). Dado os malefícios que uma guerra para afundar preços tem em países vulneráveis ​​dependentes da produção de petróleo, como a Venezuela, aqueles que vêem a Rússia como algo mais do que um país capitalista pressionando os seus próprios interesses podem encontrar um motivo para reconsiderar.

Um vírus horrível, respostas incompetentes e atrasadas, políticas económicas mal concebidas, e uma guerra de preços irresponsável contribuem para um colapso dos mercados movido pelo medo como o acto de abertura de um possível drama de uma espiral deflacionária sem precedentes.

Alguém acredita que os líderes do mundo capitalista possam lidar com este desafio?
A Reckoning?

By Greg Godels

Source:

To understand the global economic chaos endured over the last few weeks, it is essential to separate the proximate from the ultimate cause. 

The immediate or proximate cause is the often fatal, expanding contagion of the coronavirus (Covid-19). The collapse of worldwide equity markets has been an immediate and widely noted effect of this proximate cause. The virus’s carnage in PRChina triggered a rapid and effective response, but one that dampened economic activity in a country already dealing with a slowing economy battered by economic sanctions and tariffs. Institutional investors, hedge fund managers, and their ilk took note of the carnage and contagion and, anticipating its effects on global activity, withdrew their assets from equities and moved them to safer havens, like US Treasury bonds. The panic initially shook the bond markets, lowering yields dramatically.

The rapid spread of the virus brought even greater economic disruption in its wake.

However, the ultimate cause of the current worldwide economic turbulence is the fragility and vulnerability of the global capitalist system. That statement is neither trivial nor self-evident. Since the severe crisis of 2007-2009, capitalism has been limping along, thanks to extraordinary central bank measures, tax cuts, military spending, and expansive credit-driven consumer demand. The casualties of the previous crisis survive on low-paying, casual service jobs while the rich engorge themselves on stocks inflated by mergers and acquisitions and stock buybacks. Every tentative growth spurt falters, returning the capitalist economy into stagnation. The increasing irrelevance of centrist political parties is one manifestation of the mass dissatisfaction with the growing inequality and impoverishment suffered by many. The question was not whether this course is sustainable, but when it would fail.

The ominous threat of the Coronavirus to international economic activity-- work, leisure, travel, all forms of social life-- has triggered a market meltdown based on a fear that the capitalist system may spiral out of control. Investors know that the system’s weaknesses, the lack of adequate preparations, the political stasis, and ineffective governing foretell a frightening outcome. 

Unlike the rapid and thorough Chinese response which has largely arrested the virus’s spread, complacency in the Western capitalist countries is shocking. Today, seven times more people per millions of population  have been infected by the virus in Italy than in PRChina, where the illness first broke. New cases in Italy are 3,497 against only 11 in PRC on March 14. Chinese deaths fell to 13 on March 14, while 175 Italians, 97 Iranians, and 60 Spaniards died from the virus. All the Western media hand wringing about Chinese “authoritarianism” will not deflect the incredible failures of public health preparedness in the Western capitalist countries.

The lack of a universal, equitable, and comprehensive healthcare system (like Medicare for All!) and a robust public health sector put the US especially at risk. Couple the unevenness and unfairness of healthcare with the historical obsession with personal autonomy, and disaster is on the horizon.

An exogenous trigger of economic turmoil is not unprecedented in recent times. The attack by al Qaeda on US civilians on September 11, 2001 produced a 7+% drop in the stock market, deepened the dotcom downturn, and fueled a stock market retreat and growing unemployment for the next year or so. As with the Coronavirus in 2020, an unexpected, non-economic factor jolted a shaky economy in 2001, then also plagued by overvalued “assets.” This instance promises to be far worse.

Much of the economic history of the twenty-first century has been a battle by policy makers against deflation, a battle to prop up artificially inflated, often virtual, assets. From the turn of the new century and the dotcom bubble until today, toxic assets have infected the productive economy. Ironically, a seemingly random “toxic” virus is now threatening the weakened global economic organism, destroying “value” by the trillions. 

Of course the danger still lies ahead. Markets are only anticipating the lost work-hours, the layoffs, the healthcare costs, the business closures, the slowed production, the inverse “wealth” effect, the reluctant consumer, the slackening investment, and a host of other economic shocks that could feed a deflationary spiral. The financial sector is stunned by this as well because asset values are collapsing in a low-interest environment.

Though some are calling this a financial crisis, it is not spurred by financial factors; nor is it confined to the financial sector. Nor is it a crisis of overproduction, under-consumption, or profitability, though it is quickly morphing into all of the above and, inevitably, where all economic crises arrive, a crisis of accumulation. The global economy was rocking on a precipice; the Coronavirus pushed it over.

The virus couldn’t have come at a worse time. The war between the economic globalists and nationalists, waged with tariffs and sanctions, was taking a heavy toll on many countries and remains unsettled. Despite equity market euphoria (disconnected from all reality), commodity markets were slack or declining. International trade had slipped below historic growth levels.

Saddled with the unspoken duty to stabilize the US economy for an incumbent in a Presidential election cycle, the Federal Reserve shot its monetary wad prematurely, lowering interest rates in anticipation of limited economic slippage from the “Chinese problem.” They are now left with only radical measures to meet the crisis (a program injecting a trillion and a half in liquidity into the banking sector and expanding deflation-fighting asset purchases was announced on March 12).

The Russians exacerbated the crisis by shunning the Saudi plan to bolster oil markets. On Friday, March 6, they refused to join the Saudis in curtailing oil production to stabilize prices. Irresponsibly, the Saudi leadership-- under severe political pressure from budgetary shortfalls and a disappointing IPO-- announced a price war (and arrested oppositional members of the Royal family).

As oil prices collapsed, the Russian ruble collapsed as well, forcing the Russian central bank to halt foreign purchases temporarily.

According to Russian insiders, the withdrawal from price maintenance was aimed at US frackers who cannot produce profitably when prices are low. Alexander Dynkin is quoted as saying: "The Kremlin has decided to sacrifice OPEC+ to stop U.S. shale producers and punish the U.S. for messing with Nord Stream 2." [my emphasis] The Russians surely knew that the US fracking industry was already on the verge of collapse because of massive, unmanageable debt (over $120 billion maturing over the next 2 years!). Thus, Russia risked a profound oil-price deflation in revenge for US subversion of its European gas pipeline project-- a capitalist tit-or-tat. 

I have written about energy imperialism frequently over the last two years (especially, the US’s extortionate use of war-mongering, sanctions, and threats in order to garner market share). Given the ugly effects of a price-war race to the bottom on vulnerable oil production-dependent countries like Venezuela, those who see Russia as something more than another capitalist country pressing its own interests may find a reason to reconsider.

A nasty virus, incompetent and delayed responses, ill-conceived economic policies, an irresponsible price war, all contribute to a fear-driven market collapse as the opening act of a possible drama featuring an unprecedented deflationary spiral. 

Does anyone believe that the leaders of the capitalist world can manage this challenge?

sábado, 1 de fevereiro de 2020

A Novela das marionetas de Trump na Venezuela



A Novela das marionetas de Trump na Venezuela

João Pedro Stedile

Membro da equipa de coordenação do Movimento dos Trabalhadores sem Terra, MST, Brasil

Fonte:  O Lado Oculto
Trump’s Puppet Show in Venezuela

By  João Pedro Stedile

Member of the co-ordination team of “Movimento dos Trabalhadores sem Terra (Landless Workers’ Movement), MST,” Brazil

Source:  O Lado Oculto











De usurpação em usurpação, o homem de mão de Trump na Venezuela, Juan Gaidó, prossegue a sua saga contra as instituições democráticas ao mesmo tempo que vai esfacelando a oposição de direita. Não na sua qualidade de presidente da República “interino” mas na de “presidente” de um parlamento paralelo decidiu nomear um chefe fascista ausente do país para “recuperar” a estação de televisão Telesur, espaço de liberdade de expressão e informação na América Latina. Desconhece-se como se processará o assalto às instalações e fontes de emissão, mas Washington não desiste de agitar Guaidó.
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From usurpation to usurpation, Trump's hand in Venezuela, Juan Gaidó, continues his saga against democratic institutions while shattering the right-wing opposition. Not in his capacity as “interim” President of the Republic, but as “President” of a parallel parliament, he decided to appoint a fascist leader absent from the country to “recover” the Telesur television station, a space for freedom of expression and information in Latin America. It is unknown how the assault on installations and sources of emissions will take place, but Washington does not give up on agitating Guaidó.

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O governo Trump considera-se dono da Venezuela e exige que o povo obedeça ao seu capataz, Juan Guaidó, que por sinal é muito bem pago.

Em 2015 houve eleições para a Assembleia Nacional da Venezuela. A representação é unicameral, não existem senadores - só deputados: são 167.

Nessas eleições, a oposição ao “chavismo” conquistou a maioria dos deputados. Os “chavistas” ficaram em franca minoria com apenas 55 deputados, organizados num bloco denominado Pátria. O Tribunal de Justiça Eleitoral cancelou a eleição de alguns deputados por fraude e ou por corrupção, decisão que os partidos direitistas não quiseram reconhecer. Instalou-se assim um conflito permanente acerca da legitimidade e legalidade da Assembleia Nacional. Uma batalha incessante entre o Poder Executivo “chavista” e a oposição direitista que controlava o parlamento.

Numa resposta a este impasse e ao aumento da violência, com atentados, “guarimbas” (distúrbios terroristas nas ruas) de sectores radicais de direita, o governo usou as suas faculdades constitucionais e convocou, em 2017, uma Assembleia Popular Constituinte que, segundo a Constituição em vigor, tem um nível institucional superior ao Presidente e ao Parlamento. A oposição mais radical recusou-se a participar nas eleições para a Constituinte, pois sua táctica é derrubar o governo pela violência.

Desde então funcionam na Venezuela dois colégios legislativos.

A saga de Juan Guaidó

Em 2018 realizaram-se eleições para a Presidência da República e os governos estaduais. A oposição participou nas eleições, que contou com a presença de observadores de várias instituições internacionais. Maduro derrotou três outros competidores e a oposição elegeu alguns governadores estaduais. Todos tomaram posse regularmente em 10 de Janeiro de 2019.

Logo em Janeiro de 2019, articulado pelo governo Trump, o sector mais radical dos partidos direitistas, que se distingue pela realização de atentados nas cidades, conseguiu eleger o deputado Juan Gerardo Guaidó como presidente da Assembleia Nacional. O que deveria ser um acto normal, a eleição anual do presidente da Assembleia pelos deputados, transformou-se numa afronta à democracia. Guaidó autoproclamou-se Presidente da República, num desafio ao presidente recém-eleito e empossado pelos Poderes Judiciais segundo a Constituição: Nicolás Maduro.

Este acto unilateral fez parte de um plano golpista, que previa inclusivamente a intervenção de forças armadas dos Estados Unidos, da Colômbia e do Brasil. Após uma série de episódios e um ciclo de mobilizações populares durante o ano de 2019, o golpe foi derrotado. A ampla maioria do povo continuou a apoiar o governo de Nicolás Maduro, apesar da crise económica e do bloqueio económico e financeiro imposto pelo governo de Trump.

O ponto decisivo para o êxito das manobras golpistas consistia em dividir as Forças Armadas, conquistando o seu apoio ao golpe. Para tanto, os sectores direitistas recorreram a numerosos procedimentos valendo-se de mentiras, de tentativas de cooptação e de corrupção de militares. As Forças Armadas da Venezuela, no entanto, mantiveram-se leais à Constituição e ao governo comandado por Nicolás Maduro, contribuindo assim para a derrota dos grupos e partidos direitistas e golpistas.

Nasce um parlamento paralelo

O mandato de Guaidó como presidente da Assembleia Nacional terminou em Janeiro de 2020. No dia 5, data constitucional prevista para a eleição do novo presidente parlamentar, parte da oposição ao “chavismo” – mais civilizada e contrária à intervenção norte-americana – discordou dos adeptos da reeleição de Guaidó e apresentou um outro candidato.

Antecipando a iminente derrota, Guaidó orquestrou uma confusão na entrada do edifício da Assembleia, numa tentativa frustrada para boicotar a sessão. Apesar disso, compareceram 127 deputados, sendo eleito com 81 votos – a maioria dos presentes – o deputado Luis Parra, do partido oposicionista Primero Justicia, como novo presidente da Assembleia e substituto de Guaidó.

Enraivecido, Guaidó reuniu no mesmo dia, na sede de um jornal opositor, 30 deputados que o reelegeram por unanimidade para continuar na presidência da Assembleia. Nasceu um parlamento paralelo.

A divisão da oposição precipitou o caos. O sector radical, terrorista, subordinado aos Estados Unidos, conta com apenas 30 deputados, liderados por Guaidó. A maioria da oposição, que se propõe conquistar o governo pela via democrática e conta com uma base de 81 deputados, só reconhece Luis Parra como presidente da Assembleia Nacional.

Ataque à Telesur

No dia 14 de Janeiro, o parlamento paralelo comandado por Guaidó reuniu-se novamente e tomou a decisão de escolher um novo presidente para a companhia estatal de comunicações, a Telesur. Como se um acto administrativo como esse fosse uma atribuição da Assembleia ou do presidente da Assembleia. Guaidó nomeou o jornalista Leopoldo Castillo para “recuperar” a Telesur. Além do absurdo jurídico, tramado apenas para gerar fatos políticos, Leopoldo Castillo – um antigo militante da extrema- direita venezuelana – encontra-se, do momento, fora do país.

Na década de oitenta, Castillo foi embaixador da Venezuela em El Salvador e participou, com a direita fascista local, nos acontecimentos que levaram ao assassínio de padres jesuítas.  

A Telesur é uma Fundação latino-americana que não depende juridicamente da Assembleia Nacional da Venezuela. A presidente é a jornalista colombiana Patricia Villegas. Esta tentativa de usurpação de Guaidó, mais uma, explica-se como uma acção realizada a pedido dos seus padrinhos nos Estados Unidos, em parte devido à queda de audiências da CNN em espanhol, estação de televisão pertencente a um grupo direitista que apoia Trump. E explica-se ainda, sobretudo, porque a Telesur tem transmitido com fidelidade os acontecimentos não só da Venezuela, mas também os do Chile, Argentina, Peru, Equador, Colômbia, contrapondo-se às manipulações mediáticas do império.

Jorram milhões de dólares

A articulação de Guaidó com Trump e a sua equipa é permanente. No dia 14 de Janeiro, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos aplicou sanções ao deputado Luis Parra e a outros dois deputados membros da presidência eleita da Assembleia Nacional. O governo Trump considera-se dono da Venezuela e exige que o povo obedeça ao seu capataz, Juan Guaidó, que por sinal é muito bem pago.

Esta confusão toda, a coexistência de dois presidentes da Assembleia Nacional, as disputas dentro da oposição, apenas se resolverão, provavelmente, mediante a convocação de novas eleições para o Parlamento. Eleições, previstas por lei, a serem convocadas pelo Tribunal Eleitoral no primeiro semestre deste ano. Até lá, Guaidó continuará a enganar quem quiser ser enganado. E os norte-americanos continuarão a promover as suas mentiras.

Tornou-se um facto público recentemente – tanto nos Estados Unidos como na Venezuela – que a USAID (United States Agency for International Development) contribuiu com 128 milhões de dólares e Elliott Abrams – o enviado de Trump para o golpe na Venezuela - com outros 50 milhões para financiarem as actividades de Guaidó. O conjunto da oposição recebeu da USAID, desde 2017, 467 milhões de dólares.

A actual conjuntura internacional possibilitou ao governo de Maduro obter alguns trunfos. A Venezuela foi eleita membro da Comissão de Direitos Humanos da ONU. O novo governo da Argentina expulsou a representante de Guaidó e voltou a reconhecer unicamente o governo de Maduro. Nos próximos dias deve acontecer o mesmo com o novo governo da Espanha. Guaidó não teve êxito, sequer, na tentativa de se apoderar da Embaixada da Venezuela em Brasília.

A capacidade de mobilização do povo da Venezuela e a sua unidade com as Forças Armadas são pilares fundamentais de sustentação do governo de Maduro.
The Trump administration considers itself owner of Venezuela and demands that the people obey their foreman, Juan Guaidó, who by the way is very well paid.

In 2015 there were elections for the National Assembly of Venezuela. Representation is unicameral, there are no senators -- only deputies: 167.

In these elections, the opposition to “chavism” won the majority of deputies. The “chavists” were in a clear minority with only 55 deputies, organized in a bloc called Pátria (Fatherland). The Electoral Court of Justice cancelled the election of some deputies for fraud and / or corruption, a decision that the right-wing parties did not want to recognize. Thus, a permanent conflict arose over the legitimacy and legality of the National Assembly. An incessant battle between the “Chavist” executive branch and the right-wing opposition that controlled the Parliament.

In response to this impasse and the increase in violence, with attacks, “guarimbas” (terrorist rioting on the streets) of radical right-wing sectors, the government used its constitutional powers and convened, in 2017, a Constituent People's Assembly which, according to the Constitution in force, has a higher institutional level than the President and Parliament. The most radical opposition refused to participate in the elections to the Constituent Assembly, since its tactics is to overthrow the government by violence.

Since then, two legislative bodies have operated in Venezuela.

The Saga of Juan Guaidó

In 2018 elections were held for the Presidency of the Republic and the state governments. The opposition participated in the elections, which was attended by observers from various international institutions. Maduro defeated three other contestants and the opposition elected some state governors. All took  office regularly on 10 January 2019.

As early as January 2019, articulated by Trump’s administration, the most radical sector of the right-wing parties, which distinguishes itself for carrying out attacks in the cities, managed to elect deputy Juan Gerardo Guaidó as president of the National Assembly. What should be a normal act, the annual election of the President of the Assembly by the deputies, has become an affront to democracy. Guaidó proclaimed himself President of the Republic, in a challenge to the newly elected president who took office according to the Constitution and the Judiciary Power: Nicolás Maduro.

This unilateral act was part of a coup d’etat plan, which moreover had in store the intervention of armed forces from the United States, Colombia and Brazil. After a series of episodes and a cycle of popular mobilizations during 2019, the coup was defeated. The vast majority of the people continued to support the government of Nicolás Maduro, despite the economic crisis and the economic and financial blockade imposed by Trump’s administration.

The decisive point for the success of the coup manoeuvres was to divide the Armed Forces, gaining their support for the coup. To that end, the right-wing sectors resorted to numerous procedures using lies, attempts at co-optation and corruption of the military. The Armed Forces of Venezuela, however, remained loyal to the Constitution and to the government commanded by Nicolás Maduro, thus contributing to the defeat of the right-wing and groups and parties upholding the coup plans.

A Parallel Parliament is Born

Guaidó's term as president of the National Assembly ended in January 2020. On the 5th January, the constitutional date scheduled for the election of the new parliamentary president, part of the opposition to “chavism” -- more civilized and opposed to North-American intervention -- disagreed with the supporters of Guaidó's re-election and presented another candidate.

Anticipating the imminent defeat, Guaidó orchestrated mayhem at the entrance to the Assembly building, in a failed attempt to boycott the session. Despite this, 127 deputies attended, and elected deputy Luis Parra, with 81 votes -- the majority of those present -- from the opposition party Primero Justicia, as the new president of the Assembly replacing Guaidó.

On the same day, Guaidó gathered, at the headquarters of a newspaper of the opposition, 30 deputies who unanimously re-elected him to continue as president of the Assembly. A parallel parliament was born.

The division of the opposition precipitated chaos. The radical, terrorist sector, subordinate to the United States, has only 30 deputies, led by Guaidó. The majority of the opposition, which proposes to conquer the government democratically and has a base of 81 deputies, only recognizes Luis Parra as president of the National Assembly.

Attack on Telesur

On January 14, the parallel parliament led by Guaidó met again and made the decision to choose a new president for the state-owned communications company, Telesur. As if an administrative act like that was the responsibility of the Assembly or the President of the Assembly. Guaidó appointed journalist Leopoldo Castillo to “recover” Telesur. In addition to the legal absurdity, plotted only to generate political facts, Leopoldo Castillo -- a former militant from the Venezuelan extreme right -- is, at the moment, outside the country.

In the 1980s, Castillo was Venezuela's ambassador in El Salvador and participated, with the local fascist right, in the events that led to the murder of Jesuit priests.

Telesur is a Latin American Foundation that does not legally depend on the National Assembly of Venezuela. The president is the Colombian journalist Patricia Villegas. This attempted usurpation of Guaidó, one more, is explained as an action carried out at the request of his godparents in the United States, partly due to the drop in the audience of CNN in Spanish, a television station belonging to a right-wing group that supports Trump. And the attempted usurpation is also explained, above all, by the fact that Telesur has broadcast the events with faithfulness not only in Venezuela, but also in Chile, Argentina, Peru, Ecuador, Colombia, countering the manipulations of the empire's media.

Millions of Dollars are Pouring

Guaidó's articulation with Trump and his team is permanent. On January 14, the United States Treasury Department sanctioned Congressman Luis Parra and two other members of the elected National Assembly presidency. The Trump administration considers itself owner of Venezuela and demands that the people obey their foreman, Juan Guaidó, who by the way is very well paid.

All this confusion, the coexistence of two presidents of the National Assembly, disputes within the opposition, will probably only be resolved by calling new elections for Parliament. Elections, provided for by law, are to be called by the Electoral Court in the first half of this year. Until then, Guaidó will continue to deceive anyone who wants to be deceived. And the North-Americans will continue to promote their lies.

It has recently become a public fact -- both in the United States and in Venezuela -- that the USAID (United States Agency for International Development) contributed $ 128 million and Elliott Abrams -- Trump's envoy to the coup in Venezuela -- with another $ 50 million to finance Guaidó's activities. The opposition on the whole has received $ 467 million from the USAID since 2017.

The current international situation has enabled the government of Maduro to obtain some advantages. Venezuela was elected a member of the UN Human Rights Commission. The new government of Argentina expelled the representative of Guaidó and returned to recognizing only the government of Maduro. In the coming days, the same should happen with the new government of Spain. Guaidó was unsuccessful, even in an attempt to seize the Venezuelan Embassy in Brasilia.

The ability to mobilize the people of Venezuela and its unity with the Armed Forces are fundamental pillars of support for the government of Maduro.