segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Sobre Trotski – III | On Trotsky - III


O período de 1911 a Março de 1914
The period from 1911 to March 1914

1911 – Trotski e associados levam o POSDR à ruína. Lénine salva-o

1912 – 1913 - Março 1914
Trotski procura criar um Partido dele, anti-leninista, e fracassa

1912 – A VI Conferência do POSDR e o «bloco de Agosto»

1912 – Trotski e os liquidadores perante o surto revolucionário

Final de 1912-1913 – Como Trotsky lidera o «bloco de Agosto»

Início de 1914 – Fim do «Bloco de Agosto»

Notas
1911 – Trotsky and associates bring the RSDLP to ruin. Lenin rescues it

1912 – 1913 – March 1914
Trotsky endeavours to create his anti-Leninist Party, and fails

1912 – The VI Conference of the RSDLP and the “August Bloc”

1912 – Trotsky and the liquidators on the revolutionary upswing

Late 1912-1913 - How Trotsky Leads the «August Bloc»

Early 1914 – End of the “August Bloc”

Notes

Vimos no artigo anterior como as novas fracções oportunistas do POSDR -- liquidadores, otzovistas e conciliadores (Trotski e seus seguidores), os LOCs -- dominaram o plenário de Janeiro de 1910 do CC do POSDR em Paris. Impuseram aos bolcheviques: subsídio do CC ao jornal de Trotski (Pravda de Viena) sob condição de incorporar um representante do CC no conselho editorial; suspensão do jornal bolchevique Proletari; entrega de parte dos seus fundos ao CC e parte restante a três curadores; etc. Em contrapartida os LOCs decidiram e prometeram suspender as suas organizações e publicações. Os bolcheviques cunpriram integralmente a sua parte das decisões. Os LOCs violaram todas as decisões a que se tinham obrigado.

Lénine denunciou, como já vimos, estas violações em dois artigos de 28 de Dezembro de 1910: Carta Aberta ao Colégio do CC do POSDR na Rússia e A Situação no Partido.

1911 – Trotski e associados levam o POSDR à ruína. Lénine salva-o

Num curto artigo escrito depois de 15 de Janeiro de 1911 -- O Rubor de Vergonha do Judas Trotski – Lénine volta a referir-se ao assunto com novos pormenores numa forte denúncia do papel de Trotski (as interpolações são sempre nossas):

«No plenário, o Judas Trotski desfez-se em ataques contra o liquidacionismo e o otzovismo. Jurou e assegurou que era fiel ao partido. Foi-lhe concedido um subsídio.

«Depois do plenário o CC enfraqueceu-se e fortaleceu-se o grupo Vperíod [otzovistas] que agora tem dinheiro. Os liquidadores fortaleceram a sua posição e no Nasha Zariá [jornal dos liquidadores], à vista de Stolipin [PM czarista], cuspiram na face do partido ilegal.

«O Judas expulsou o representante do CC do Pravda e começou a escrever artigos liquidacionistas no Vorwãrts [38]. Apesar da decisão directa do Comité de Escola [39] nomeado pelo plenário, segundo a qual nenhum conferencista do partido devia ir à escola fraccionista do Vperiod, o Judas Trotski foi e discutiu com os do Vperiod o plano da conferência. Este plano foi agora publicado num folheto do grupo Vperiod.

«E é esse Judas que bate no peito, que grita a sua lealdade ao partido dizendo que nunca se arrastou atrás dos do Vperiod e dos liquidadores.

«É este o rubor de vergonha do Judas Trotski.» 

A 5 de Dezembro de 1910 os bolcheviques do Bureau do CC no Estrangeiro (BCCE) emitiram uma declaração exigindo a convocação imediata do CC para decidir a questão do retorno dos fundos da fracção bolchevique. Os liquidadores espalharam rumores caluniosos sobre esta declaração a que Lénine respondeu numa carta Ao Comité Central (4 de Fevereiro de 1911). Recordando o não cumprimento do acordo pelos LOCs, Lénine disse:

«... Restabelecemos a nossa liberdade de lutar contra os liberais e anarquistas, que são encorajados pelo líder dos "conciliadores", Trotski: A questão do dinheiro é para nós um assunto secundário, embora, claro, não planeemos entregar o dinheiro da fracção ao bloco de liquidadores + anarquistas [39] + Trotski, nem renunciamos ao nosso direito de denunciar perante o movimento social-democrata internacional este bloco, as suas “bases” financeiras (os famosos "fundos" do Vperiod protegidos do desmascaramento por Trotsky, e os do Golos [liquidadores]), etc.»

Lénine acrescenta mais detalhes factuais sobre a gritante destruição do partido levada a cabo pelos LOCs [40] e o papel de Trotski:

«O que já se perfilava com bastante clareza no plenário (por exemplo, a defesa da escola anarquista por Trotski + os do Golos), alcançou pleno desenvolvimento. O bloco dos liberais [=Golosistas] e dos anarquistas [=Vperyodistas], apoiado pelos conciliadores, está a destruir descaradamente os restos do partido a partir de fora, e ajuda a desmoralizá-lo a partir de dentro. O jogo formalista de "convidar" os Golos-istas e os trotskistas para os organismos centrais, está por último a reduzir à impotência os elementos pró-partido já enfraquecidos

Perante a destruição do POSDR levada a cabo pelos LOCs havia que tomar medidas enérgicas. Lénine, como líder dos bolcheviques, tomou-as. O representante bolchevique no BCCE, N. Semashko, apresentou pedidos para convocar urgentemente um plenário do CC e resolver a crise no partido. A maioria conciliacionista e liquidadora do BCCE boicotou sistematicamente tal convocação. A última diligência de Semashko foi em Maio de 1911 e foi de novo rejeitada. Nessa altura, todos os membros bolcheviques do CC na Rússia tinham sido presos, mas nos estatutos do CC, aprovados no referido plenário de Janeiro de 1910, dominado pelos LOCs, havia uma cláusula que estabelecia a obrigação de convocar o plenário, mesmo se mais da metade dos membros do Bureau russo tivessem sido presos.

O obstrucionismo ilegal do BCCE levou Lénine a convocar um Encontro dos membros do CC do POSDR residentes no estrangeiro, que decorreu em Paris de 10 a 17 de Junho. Participaram bolcheviques, representantes dos social-democratas polacos e letões, um membro do Golos e um do Bund. Foram aprovadas convocações de um plenário do CC no estrangeiro (no mais curto prazo) e de uma conferência do partido, e outras resoluções que vieram também a ser ratificadas pelas organizações mais importantes do POSDR na Rússia [41].

Num folheto de 1 de Julho, Resolução do II Grupo do POSDR de Paris Acerca da Situação do Partido [42] – que, entre outras coisas, nomeou a Comissão Organizadora Russa (COR) da Conferência do POSDR a realizar em 1912 --, Lénine lembra que o plenário de Janeiro de 1910 adoptou por unanimidade uma declaração sobre a necessidade de superar os desvios liquidacionistas e otzovistas e que «só uma acção que realmente supere estes desvios é social-democrata»; logo, agiram bem os bolcheviques ao romper com o BCCE «que se tem situado fora da lei e do partido» e em tomar no Encontro as resoluções já assinaladas. É significativo que Lénine ocupe a maior parte da «Introdução» deste importante folheto com a seguinte exposição:

«Numa altura em que se agudiza a luta interna no partido, é particularmente importante apresentar a essência das concepções sobre os problemas fundamentais do programa, tácticas e organização. Pessoas como Trotsky, com as suas frases empoladas sobre o POSDR e o seu servilismo aos liquidadores, que nada têm de comum com o POSDR, são hoje a "doença da época". Querem construir uma carreira com sermões baratos sobre "acordo" – acordo com todos, com qualquer um, mesmo com o Sr. Potrésov e os otzovistas! -- embora, por necessidade, mantenham silêncio absoluto sobre as condições políticas de tal alegado "acordo" maravilhoso. Na realidade, pregam a capitulação aos liquidadores, que estão a organizar um partido operário stolipiniano.»

Lénine volta a este tema em 14 de Setembro: Do Campo do Partido Operário Stolipiano. Dedicado aos nossos «conciliadores» e partidários de «acordos». Respondendo a uma carta de um operário, que lhe relata como membros do partido em Vyborg tinham repudiado um proeminente liquidador que lhes viera pregar que em vez de revitalizar o partido deviam antes criar «grupos» de trabalho legal de educação, Lénine comenta:

«Depreende-se claramente daqui como Trotsky e os "trotskistas e conciliadores" são mais prejudiciais do que qualquer liquidador, pois os liquidadores convictos expõem as suas opiniões com franqueza e é fácil para os trabalhadores verem que estão errados, enquanto os Trotskis enganam os trabalhadores, encobrem o mal e tornam impossível desmascarar o mal e remediá-lo. Quem apoia o grupelho de Trotski, apoia uma política de mentiras e enganos para os trabalhadores, uma política de encobrimento dos liquidadores. Plena liberdade de acção para o Sr. Potreov e C.ª na Rússia e encobrimento das suas acções com verborreia "revolucionária" no estrangeiro: é essa a essência da política do "trotskismo".»

O artigo tem um post-scriptum que revela bem a falta de princípios de Trotski: 

«P.S. Estas linhas já tinham sido escritas quando apareceu na imprensa a notícia de um “acordo” entre o grupo Golos e Trotski, o Bundista e o liquidador Letão. As nossas palavras foram plenamente confirmadas: este é um acordo para encobrir os liquidadores na Rússia, um acordo entre os lacaios do senhor Potresov e C.ª».

Em 24 de Agosto os conciliadores em Paris publicaram um artigo no seu boletim e um folheto, A Todos os Membros do POSDR, assinados por «Um Grupo de Bolcheviques Pró-Partido». Lénine desmontou as teses desses conciliadores num importante artigo de 31 de Outubro que já analisámos. Relembremos algumas afirmações de Lénine:

«Trotski fornece-nos uma abundância de exemplos de projecto-mania “unificadora” carente de princípios. Lembremo-nos ... de como elogiou o Rabotchaia Jizn [jornal de conciliadores e liquidadores]. Sublime! -- dizia Trotski nos seus escritos -- "nem bolchevique, nem menchevique, mas social-democrata revolucionário". O pobre herói das frases só não percebeu uma mera bagatela: só é revolucionário o social-democrata que compreende o dano do pseudo-social-democratismo anti-revolucionário num dado país num dado momento»

«Ao beijar o Rabotchaia Jizn -- que nunca lutou contra os social-democratas não-revolucionários da Rússia -- Trotski não fez senão desmascarar o plano dos liquidadores a quem serve fielmente .... Isso asseguraria a vitória completa dos liquidadores e só os seus lacaios podiam propor ou defender um tal plano»

«Depois disso [do plenário] e desde a primavera de 1910, Trotski enganou os trabalhadores da maneira mais sem princípios e desavergonhada, assegurando-lhes que os obstáculos à unidade eram principalmente (se não totalmente) de natureza organizativa. ...»

«Trotski e Iónov também asseguravam estar contra os liquidadores, mas que entendiam de forma diferente a tarefa de combatê-los. Isto é ridículo, camaradas -- declarar, três anos após o início da luta, que entendem o carácter dessa luta de forma diferente!»


Num artigo de 21 de Dezembro, A Diplomacia de Trotski e uma certa Plataforma dos Partidistas, Lénine, assinala o decaimento do Pravda de Trotski (Pravda de Viena) – não publicado num longo intervalo – e que no seu último número «Trotski nem seque menciona» o anúncio da conferência do POSDR feito pela COR. «Para ele a COR não existe. Trotski autotitula-se partidista, baseando-se no facto de que para ele o organismo central partidário da Rússia, formado pela esmagadora maioria das organizações social-democratas do país, não significa nada.» De facto, como intriguista e anti-leninista como Trotski sempre foi, não é por acaso que oculta a existência da COR e da Conferência em preparação. Irá organizar uma conferência opositora.

No mesmo artigo Lénine também critica um editorial onde Trotski, com a habitual fraseologia revolucionária, apela aos «operários com consciência de classe» a colocar como mais importante exigir a «liberdade de associação» do que lutar por uma república. Sobre isto diz Lénine:

«É absurdo exigir "liberdade de associação" da monarquia czarista, sem explicar às massas que tal liberdade não pode ser esperada do czarismo e que para obtê-la deve haver uma república. ...

«Os “operários com consciência de classe devem ensinar as massas a perceber pela experiência a necessidade de liberdade de associação”! Esta é a velha canção do antigo oportunismo russo, o oportunismo pregado há muito tempo pelos Economistas até à exaustão. A experiência das massas é que os ministros fecham os seus sindicatos, que os governadores e policias diariamente exercem violência contra elas. ... Exaltar a palavra de ordem "liberdade de associação" em oposição a uma república é mera verborreia de um intelectual oportunista alheio às massas...

«Trotsky sabe perfeitamente que os liquidadores que escrevem em publicações legais combinam essa palavra de ordem de "liberdade de associação" com a de "abaixo o partido clandestino, abaixo a luta por uma república". A tarefa específica de Trotsky é ocultar o liquidacionismo deitando poeira aos olhos dos trabalhadores.

«Com Trotski não se pode discutir a fundo porque Trotski não tem quaisquer opiniões. Pode-se e deve-se discutir com os liquidadores e otzovistas declarados; mas não se discute com um homem cujo jogo é encobrir os erros de ambos; há que desmascará-lo como um diplomata do mais baixo calibre.»
We saw in a previous article how the new opportunistic factions of the RSDLP -- liquidators, otzovists and conciliators (Trotsky and his followers), the LOCs -- dominated the January 1910 plenary sessions of the CC of the RSDLP in Paris. They imposed on the Bolsheviks: a CC grant to Trotsky’s newspaper (the Vienna Pravda) on condition of incorporating a CC representative on its editorial board; suspension of the Bolshevik newspaper Proletari; handing over part of its funds to the CC and the remaining part to three trustees; etc. In return, the LOCs promised and decided to suspend their organizations and publications. The Bolsheviks fully complied with their share of the decisions. The LOCs violated every decision they had to comply to.

Lenin exposed, as we saw already, these violations in two articles of 28 December 1910: Letter to the Russian Collegium of the Central Committee of the RSDLP and The State of Affairs in the Party.

1911 – Trotsky and associates bring the RSDLP to ruin. Lenin rescues it

In a short article written after January 15, 1911 -- Judas Trotsky's Blush of Shame -- Lenin again comments the affair with new details and a harsh denouncing of Trotsky’s role (all interpolations are from us):

At the Plenary Meeting Judas Trotsky made a big show of fighting liquidationism and otzovism. He vowed and swore that he was true to the Party. He was given a subsidy.

“After the Meeting the Central Committee grew weaker, the Vperyod group [otzovists] grew stronger and acquired funds. The liquidators strengthened their position and in Nasha Zarya [organ of the liquidators] they spat in the face of the illegal Party, before Stolypin’s [tsarist PM] very eyes.

Judas expelled the representative of the Central Committee from Pravda and began to write liquidationist articles in Vorwärts. [38] In defiance of the direct decision of the School Commission [39] appointed by the Plenary Meeting to the effect that no Party lecturer may go to the Vperyod factional school, Judas Trotsky did go and discussed a plan for a conference with the Vperyod group. This plan has now been published by the Vperyod group in a leaflet.

And it is this Judas who beats his breast and loudly professes his loyalty to the Party, claiming that he did not grovel before the Vperyod group and the liquidators.

Such is Judas Trotsky’s blush of shame.”
  
On 5 December 1910 the Bolsheviks of the CC Bureau Abroad (CCBA) issued a statement demanding the immediate convening of the CC to decide on the return of funds to the Bolshevik faction. The liquidators spread slanderous rumours about this statement to which Lenin responded in a letter To the Central Committee (4 February 1911). Recalling the non-compliance of the agreement by the LOCs, Lenin said:

“… We resume our freedom of struggle against the liberals and anarchists, who are being encouraged by the leader of the ‘conciliators’, Trotsky. The question of the money is for us a secondary matter, although of course we do not intend to hand over the money of the faction to the bloc of liquidators + anarchists [39] + Trotsky, while in no way renouncing our right to expose before the international Social-Democratic movement this bloc, its financial ‘basis’ (the notorious Vperyodist ‘funds’ safeguarded from exposure by Trotsky and the Golosists [liquidators]), etc.

Lenin adds more factual details about the blatant destruction of the party by the LOCs [40] and Trotsky's role:

There has been a full development of what was already outlined quite clearly at the plenum (for instance, the defence of the anarchist school, by Trotsky + the Golosists). The bloc of liberals [=Golosistas] and anarchists [=Vperyodists] with the aid of the conciliators is shamelessly destroying the remnants of the Party from outside and helping to demoralize it from within. The formalistic game of ‘inviting’ the Golosists and Trotskyists on to the central bodies is finally reducing to impotence the already weakened pro-Party elements.”

The rescuing of the RSDLP from the destruction caused by the LOCs required energetic measures to be taken. Lenin, as leader of the Bolsheviks, took them. The Bolshevik representative at the CCBA, N. Semashko, made requests to urgently convene a CC plenum and resolve the crisis in the party. The conciliationist and liquidatonist majority of the CCBA systematically boycotted such demand. Semashko's last demarche was in May 1911 and was again rejected. At the time all Bolshevik members of the CC in Russia had been arrested, but the CC statutes, approved by the LOC-dominated January 1910 plenum, had a clause stating the obligation to convene a plenum, even if more than half of the members of the Russian Bureau had been arrested.

The illegal obstructionism of the CCBA led Lenin to convene a Meeting of the C.C. members of the RSDLP living abroad, which took place in Paris from 10 to 17 June. The Meeting was participated by Bolsheviks, representatives of the Polish and Latvian Social Democrats, one member of the Golos and one of the Bund. The Meeting approved the convening of a CC plenum abroad (as soon as possible), a party conference, and other resolutions which were later also ratified by the most influent RSDLP organisations in Russia [41].

In the July 1 leaflet, Resolution Adopted by the Second Paris Group of the RSDLP on the State of Affairs in the Party [42] -- which, among other things, appointed the Russian Organizing Committee (ROC) of the forthcoming 1912 RSDLP Conference --, Lenin recalls that the January 1910 plenum unanimously adopted a decision on the need to overcome liquidationist and otzovist deviations and that the “only true Social-Democratic activity is that … which really overcomes such deviations”; The Bolsheviks therefore did well to break with the CCBA "which has placed itself outside Party law and outside the Party" and to take the mentioned resolutions at the meeting. It is significant that Lenin occupies most of the “Introduction” of this important leaflet with the following statement:

“At a time when the inner-Party struggle is becoming more acute, it is particularly important to make a fundamental statement on the cardinal problems of programme, tactics and organisation. People like Trotsky, with his inflated phrases about the RSDLP and his toadying to the liquidators, who have nothing in common with the RSDLP, today represent ‘the prevalent disease’. They are trying to build up a career for themselves by cheap sermons about “agreement”—agreement with all and sundry, right down to Mr. Potresov and the otzovists -- while of necessity maintaining complete silence as to the political conditions of this wonderful supposed ‘agreement’. Actually they preach surrender to the liquidators who are building a Stolypin labour party.”

Lenin revisits this theme in 14 September: From the Camp of the Stolypin Labour Party. Dedicated to Our “Conciliators” and Advocates of “Agreement”. Responding to a letter from a worker telling him how the party members in Vyborg had repudiated a prominent liquidator who had come to preach them that instead of reviving the Party organisation they should set up “organising groups” for legal educational work, Lenin comments as follows:

Hence it is clear that Trotsky and the ‘Trotskyites and conciliators’ like him are more pernicious than any liquidators; the convinced liquidators state their views bluntly, and it is easy for the workers to detect where they are wrong, whereas the Trotskys deceive the workers, cover up the evil, and make it impossible to expose the evil and to remedy it. Whoever supports Trotsky’s puny group supports a policy of lying and of deceiving the workers, a policy of shielding the liquidators. Full freedom of action for Potresov and Co. in Russia, and the shielding of their deeds by ‘revolutionary’ phrase-mongering abroad -- there you have the essence of the policy of ‘Trotskyism’.”

This article has a post-scriptum that clearly reveals Trotsky's lack of principles:

“P.S. These lines were already set up when reports appeared in the press of an “agreement” between the Golos group and Trotsky, the Bundist and the Lett liquidator. Our words have been fully borne out: this is an agreement to shield the liquidators in Russia, an agreement between the servants of the Potresovs.”

On 24 August the conciliators in Paris published an article in their bulletin and a pamphlet, To All RSDLP Members, signed by a “Group of Pro-Party Bolsheviks”. Lenin dismantled in detail the conciliators' theses in an important article of 31 October that we have already analyzed. Let us recall a few of Lenin's statements:

Trotsky provides us with an abundance of instances of scheming to establish unprincipled “unity”. Recall … how he praised the Paris Rabochaya Zhizn [newspaper of conciliators and liquidators]. How wonderful! -- wrote Trotsky -- “neither Bolshevik, nor Menshevik, but revolutionary Social-Democrat”. The poor hero of phrase-mongering failed to notice a mere bagatelle -- only that Social-Democrat is revolutionary who understands how harmful anti-revolutionary pseudo-Social-Democracy can be in a given country at a given time.”

By his kissing of Rabochaya Zhizn which had never fought against the non-revolutionary Social-Democrats in Russia, Trotsky was merely revealing the plan of the liquidators whom he serves faithfully ... This would assure complete victory for the liquidators and only their lackeys could pursue or defend such a line of action.

“But after it [the Plenary], ever since the spring of 1910, Trotsky has been deceiving the workers in a most unprincipled and shameless manner by assuring them that the obstacles to unity were principally (if not wholly) of an organisational nature.

Trotsky and Ionov, who asserted that they too were opposed to the liquidators, but that they understood the task of combating them differently. It is ridiculous, comrades -- to declare, three years after the struggle began, that you understand the character of this struggle differently!”

In an article of 21 December, Trotsky’s Diplomacy and a Partisan Platform, Lenin, notes the decay of Trotsky’s Pravda (Vienna Pravda) -- not published over a long period -- and which in its latest issue “Trotsky makes no mention … whatsoever” of the announcement of the RSDLP conference made by ROC. “As far as Trotsky is concerned, the Russian Organising Commission does not exist. Trotsky calls himself a Party man on the strength of the fact that to him the Russian Party centre, formed by the overwhelming majority of the Social-Democratic organisations in Russia, means nothing.” Indeed, as an intriguer and anti-Leninist as Trotsky always was, it is no coincidence that he concealed the existence of the ROC and the Conference being organized. He will organize an opposionist conference. 
In the same article Lenin also criticizes an editorial in which Trotsky, with his usual revolutionary phraseology, appeals to the "class-conscious workers" to hold it as more important the demand for "freedom of association" than to fight for a republic. Lenin comments on this:

“It is absurd to demand ‘freedom of association’ from the tsarist monarchy, without explaining to the masses that such freedom cannot be expected from tsarism and that to obtain it there must be a republic...

“The ‘class-conscious workers should teach the masses to realise from experience the need for freedom of association’! This is the old song of old Russian opportunism, the opportunism long ago preached to death by the Economists. The experience of the masses is that the ministers are closing down their unions, that the governors and police officers are daily perpetrating deeds of violence against them … extolling the slogan of ‘freedom of association’ as opposed to a republic is merely phrase-mongering by an opportunist intellectual who is alien to the masses...

“Trotsky knows perfectly well that liquidators writing in legal publications combine this very slogan of ‘freedom of association’ with the slogan ‘down with the underground party, down with the struggle for a republic’. Trotsky’s particular task is to conceal liquidationism by throwing dust in the eyes of the workers. 

It is impossible to argue with Trotsky on the merits of the issue, because Trotsky holds no views whatever. We can and should argue with confirmed liquidators and otzovists; but it is no use arguing with a man whose game is to hide the errors of both these trends; in his case the thing to do is to expose him as a diplomat of the smallest calibre.”

1912 – 1913 - Março 1914

Trotski procura criar um Partido dele, anti-leninista, e fracassa

1912 – A VI Conferência do POSDR e o «bloco de Agosto»

Em 18-30 de Janeiro de 1912 teve lugar em Praga a VI Conferência de Toda a Rússia do POSDR. Mais de 20 organizações do Partido estiveram representadas na Conferência, bem como representantes das Redacções do Sotsial-Demokrat (O.C.) e Rabotchaia Gazeta, do Comité da Organização no Exterior, de um grupo do CC, etc. A Conferência expulsou os liquidadores do partido, condenou as atividades dos grupos antipartidários e reconheceu a necessidade de uma única organização do partido no exterior, sob a supervisão e orientação do CC. Assinalou que os grupos do Partido “que se recusam a  submeter ao CC e que causam desorganização não têm direito a usar o nome do POSDR». A Conferência de Praga desempenhou um papel de destaque na construção do Partido Bolchevique, um partido de novo tipo. Livre de oportunistas, o Partido Bolchevique liderou o novo surto revolucionário de 1912.

Entretanto Trotski não perdeu tempo em desenvolver esforços para criar um partido anti-leninista. Em Janeiro de 1912 teve lugar uma reunião de anti-leninistas de todas as cores: liquidadores, oportunistas do Bund, do  Comité Regional do Cáucaso, e das Redacções do Pravda de Viena, do Golos Sotsial-Demokrata, do Vperyod, etc., etc. Da reunião saiu um Comité Organizador encabeçado por Trotski com vista a organizar em Agosto de 1912 uma contra-conferência (anti-partido).

Lembremo-nos (ver artigo anterior) que neste tempo Trotski estava em Viena, onde estabeleceu boas relações com os sociais-democratas austríacos. Esteve também em Berlim onde se tornou próximo de Karl Kautsky, líder do Partido Social-Democrata Alemão (PSDA). Segundo o historiador trotskista P. Broué, «Trotsky estava em boas relações com Kautsky e com o “centro” da social-democracia alemã até pelo menos 1912 ... Foi Kautsky quem, durante esse período e para grande raiva de Lenin, abriu as páginas do Die Neue Zeit e do Vorwärts a Trotsky» [43]. Já vimos para que serviu essa «abertura de páginas» a Trotsky, quando Lénine participava no Congresso da II Internacional em Agosto de 1910. (Incidentalmente, vemos também aqui quais as «aberturas» de Kautsky já nessa altura.) Pois também nesta altura – concretamente em Março – Trotsky não podia resistir a lançar calúnias e fazer intriga política, mais uma vez como autor «anónimo», aproveitando a «abertura» de Kautsky. Assim, depois de Lénine dar conhecimento da VI Conferência  à II Internacional (Lénine, Relatório ao Bureau da Internacional Socialista sobre a Conferência de Toda a Rússia do POSDR, início de Março [44]) Trotsky publicou como autor «anónimo» no Vorwärts um artigo insultuoso contra a VI Conferência e suas decisões. Lénine comenta tal artigo numa separata do Sotsial Demokrat intitulada O Anónimo de “Vorwärts” e a Situação no POSDR (Março de 1912).

Lénine começa por dizer no Prefácio:

«O Vorwärts publicou em 26 de Março uma declaração oficial sobre a Conferência do POSDR e um artigo anónimo cujo autor, en consonância com a resolução dos grupos sociais democratas russos no estrangeiro [45], cobre de insultos a conferência. ...

«Dado que o Vorwärts se nega a publicar a nossa resposta ao infame e calunioso artigo do autor anónimo, e continua a sua campanha a favor dos liquidadores, publicamos esta resposta em folheto separado para informação dos camaradas alemães...»

Então como antes a recusa do Vorwärts em publicar a resposta de Lénine deve-se à «abertura» de Kautsky. Num esclarecimento sobre liquidadores e otzovistas e do papel  de Trotski, Lénine diz:

«Tais grupos, inevitáveis em qualquer cisão, ora oscilam para um lado, ora para outro; envolvem-se em politiquice barata, mas não representam nenhuma tendência definida e a sua actividade manifesta-se sobretudo em pequenas intrigas. Um desses grupos é representado pelo Pravda de Trotski.»

E, apõs fornecer dados concretos sobre a pouca representatividade dos liquidadores:

«Desta forma, não vale a pena gastar palavras comentando o discurso altissonante do autor anónimo que afirma que a esmagadora maioria é partidária dos liquidadores, etc. Tais frases à Tartarin de Tarascon recordam demasiado Trotski, de modo que não vale a pena discuti-las a sério.»

Em 8 de Maio, Lénine comenta no artigo Os Liquidadores contra o Partido as diligências de Trotski na organização da sua conferência com os liquidadores:

«Encurralados, os grupos e círculos dos liquidadores não se limitam, porém, à campanha de calúnias contra o partido. Procuram convocar a sua própia conferência. Tomaram, pois claro, todo o tipo de medidas para fazer passar a Comissão Organizadora [CO] que convoca a conferência como sendo  "partidista», “não fraccionista” e defensora da “unidade”. ... Trotski foi encarregado de enaltecer todas as virtudes da CO e da futura conferência liquidacionista, e ninguém melhor para isso que este “unificador profissional”. ...

«As fundações deste bloco são evidentes: os liquidadores gozam de plena liberdade para manter «como antes» a sua linha no Jivoie Dielo e Nasha Zariá, enquanto Trotski, a partir do estrangeiro, os encobre com frases revolucionárias que nada lhe custam e em nada o comprometem

Lénine fornece mais detalhes em «Unificadores», 17 de Junho:

«O senhor Levitski [líder dos liquidadores] intitula o seu artigo “Pela unidade, contra a cisão”. Muito de acordo com Trotski, não é? Desde que os elementos partidistas rechaçaram totalmente os liquidadores ... Levitski e C.ª têm vindo a usar uma linguagem muito "conciliadora". Estão por connpleto a favor da "unidade". Só apresentam as quatro modestas condições seguintes para a "unidade":
1) Luta contra a Conferência do POSDR, ...
2) Criação, em lugar do partido, de um “grupo central de iniciação" ...
3) Não reactivar as "células politicamente mortas" ...
4) Aceitar a palavra de ordem: "contra o culto da clandestinidade" ...

«Levitski dá de seguida explicações muito detalhadas a todos os Trotskis: vocês não têm outra opção, caros senhores. Aceitem as nossas condições, e em troca nós (isto é, Levitski e C.ª) transigiremos de bom grado com o seguinte: "para que lhes sirva de consolo", vós (isto é, Trotski e seus acólitos) podeis dizer que não fosteis vós a aproximar-se dos liquidadores, mas sim que estes se aproximaram de vós. ...

«A miserável comédia da "unificação" encenada peos liquidadores e Trotski repugna inclusive aos menos exigentes

A 5 de Maio aparece em S. Petersburgo o primeiro número do jornal Pravda que iria ter um papel fundamental na história do partido bolchevique e da revolução. Numa carta ao Editor do Pravda, datada de 19 de Julho, Lénine escreveu:

«Aconselho que responda a Trotski pelo correio: “A Trotsky. Não responderemos a cartas desordeiras e caluniosas.” A campanha suja de Trotsky contra o Pravda é um monte de mentiras e calúnias. O conhecido marxista e seguidor de Plekhanov, Rothstein, escreveu-nos que recebeu as difamações de Trotsky e respondeu-lhe: não me posso queixar do Pravda de Petersburgo, de nenhuma maneira. Mas esse intriguista e liquidador continua a mentir em todos os sentidos

A conferência dos liquidadores reuniu-se em Viena em Agosto de 1912. Contou com a presença de delegados do Bund, do Comité Caucasiano, do Partido Social Democrata Letão e de vários pequenos grupos liquidacionistas no estrangeiro: editores do Golos Sotsial-Demokrata, Pravda de Trotsky, Vperiod, Nasha Zariá, Nevski Golos, delegados dos “grupos de iniciação” de S. Petersburgo e Moscovo, etc.

Sob a égide de Trotski a conferência formou o «bloco de Agosto».

Composto por elementos heterogéneos, sem princípios, esmagadoramente sem contacto com a classe trabalhadora russa, apenas unidos pela posição anti-partido, o bloco de Agosto começou a desmoronar-se já durante a reunião. Os liquidadores não puderam eleger um Comité Central e limitaram-se a criar um Comité Organizador dos liquidadores (COL).

Em Julho, o Executivo do PSDA convocou uma reunião de “centros” e “grupos” do POSDR no estrangeiro para distribuir fundos que a liderança do PSDA havia alocado para a campanha eleitoral da IV Duma. O CC do POSDR recusou-se a participar da reunião e esta não ocorreu. O Executivo do PSDA atribuiu então parte dos fundos ao COL, apoiando assim os liquidadores contra os bolcheviques. Lénine procura então informar os camaradas alemães, num longo artigo – A Situação Actual do POSDR, 30Jul-2Set -- contrapondo informação objectiva a relatos de informadores do PSDA «que ou não têm o menor conhecimento do  que na realidade ocorre actualmente na Rússia ou tentam deliberadamente enganar os camaradas alemães com uma explicação unilateral da política partidária»:

«Infelizmente, um desses "informadores" conseguiu conquistar a confiança do Vorwärts. O órgão central do Partido Social-Democrata Alemão abriu as suas colunas numa série de artigos, a uma torrente de calúnias inauditas contra o partido russo, saídas da pluma desse informador, supostamente baseadas em fontes "objectivas".
Na realidade, essas fontes eram absolutamente "subjectivas" e falsas. Como o Vorwärts não inseriu a nossa rectificação factual, tivemos que editar um folheto intitulado O anónimo do "Vorwärts" e a situação no POSDR, distribuído em várias centenas de exemplares pelas direcções de todos os organismos de certa importância do Partido Alemão e as Redacções dos periódicos e revistas desse Partido alemão.»

Lénine prossegue apresentando documentos anteriores dirigidos ao PSDA, explicando a evolução que levou à VI Conferência do POSDR e à convocação da conferência anti-partido dos grupos liquidadores, o isolamento desses grupos da Rússia – nomeadamente, que também «o Pravda de Vienna, de Trotski, não é órgão de nenhuma organização russa» --, de como Trotski e comparsas enganam os trabalhadores e o PSDA, e fornece abundantes dados quantitativos que lhe permitem afirmar que «Os liquidadores são um zero à esquerda no movimento social-democrata russo».

De facto, Lénine ainda teve de escrever um post-scriptum do artigo, datado de 15 de Setembro, motivado por nova carta arrogante [46] da Direcção do PSDA. O P.S. começa assim: 

«Caros camaradas: Comprende-se que tudo de que informaram a Direcção se baseia numa mentira e é uma invenção pura e simple dos liquidadores. Podemos afirmar com confiança que essa fábula só poude ser comunicada à Direcção pelos letões, os bundistas ou os partidários de Trotski, que encerraram há pouco tempo a "sua" conferência, que gostariam de chamar "conferência do partido", mas que na realidade foi uma conferência dos liquidadores.» (Lénine menciona de seguida mais um facto comprovativo.)
1912 – 1913 – March 1914

Trotsky endeavours to create his anti-Leninist Party, and fails

1912 – The VI Conference of the RSDLP and the “August Bloc”

On 18-30 January 1912 the Sixth All-Russia Conference of the RSDLP was held in Prague. More than 20 Party organizations were represented at the Conference, as well as representatives of the editorial boards of the Sotsial-Demokrat (C.O.) and Rabochaya Gazeta, the Committee of the Organization Abroad, a CC group, etc. The Conference expelled the liquidators from the Party, condemned the activities of anti-party groups, and recognized the need of a single party organization abroad under CC supervision and guidance. It established that Party groups “refusing to submit to the CC and causing disorganization are not entitled to use the name of the RSDLP”. The Prague Conference played a prominent role in building the Bolshevik Party, a party of new type. Free of opportunists, the Bolshevik Party led the new revolutionary upsurge of 1912.

In the meantime, Trotsky wasted no time in joining efforts to create an anti-Leninist party. A meeting of anti-Leninists of all shades took place in January 1912: liquidators, opportunists from the Bund, the Caucasus Regional Committee, the editorial boards of the Vienna Pravda, of the Golos Sotsial-Demokrata, of the Vperyod, etc., etc. As a result of the meeting an Organizing Committee headed by Trotsky was established, with the task of organizing a (anti-party) conference in August 1912.

Let us recall (see previous article) that at this time Trotsky was in Vienna, where he established good relations with the Austrian Social Democrats. He was also in Berlin where he became close to Karl Kautsky, leader of the German Social Democratic Party (GSDP). According to the Trotskyist historian P. Broué, “Trotsky was on good terms with Kautsky and the ‘center’ of the German Social Democracy until at least 1912 ... It was Kautsky during this period who, to Lenin’s great anger, opened the pages of ‘Die Neue Zeit’ and ‘Vorwärts’ to Trotsky” [43]. We have already seen the use Trotsky did make of this "opening the pages", when Lenin was attending the II International Congress in August 1910. (Incidentally, we also see here what Kautsky's "openness" amounted to already at that time.) No surprise then, that also at this occasion -- specifically in March -- Trotsky could not refrain from slandering and engaging into political intrigue, once again as an “anonymous” author, taking advantage of Kautsky's “openness”. Thus, subsequently to the information provided by Lenin to the Bureau of the II International about the VI  Conference (Lenin, Report to the International Socialist Bureau on the All-Russia Conference of the RSDLP , early March [44]) Trotsky published as "anonymous" author in the Vorwärts a scurrilous article against the VI Conference and its decisions. Lenin comments that article in a supplement of Sotsial Demokrat with the title The Anonymous Writer in Vorwärts and the State of Affairs in the RSDLP (March 1912).

Lenin begins by stating in the Preface:

Vorwärts of March 26 carried an official statement on the Conference of the Russian Social-Democratic Labour Party and an anonymous article whose author, in line with a resolution adopted by Russian Social-Democratic groups abroad, heaps abuse on the Conference…

“Since Vorwärts refuses to print our reply to the infamous lying article of the anonymous writer and continues its campaign in favour of the liquidators, we are publishing this reply as a separate pamphlet for the information of the German comrades…”

Then as before, the Vorwärts refusal to publish Lenin's reply was due to Kautsky's "openness". In a clarification on liquidators and otzovists and the role played by Trotsky, Lenin says:

Such groups, inevitable in every split, vacillate now to one side, now to the other; they engage in cheap politics, but represent no definite trend and their activity expresses itself mainly in petty intrigue. One of these groups is represented by Trotsky’s Pravda.

And, having provided objective data on the minor representativeness of the liquidators:

This being so it is unnecessary to waste words on the unknown author’s tall talk to the effect that the overwhelming majority follows the liquidators, etc. These phrases à la Tartarin de Tarascon are all too reminiscent of Trotsky, so that it is not worth while discussing them seriously

On May 8, Lenin comments Trotsky's endeavours in organizing his conference with the liquidators, in the article The Liquidators Against the Party:

“Driven into a corner, the groups and circles of liquidators do not confine themselves, however, to a campaign of slander against the Party. They are trying to convene a conference of their own. Every measure has been taken, of course, to lend the Organising Committee [OC], which is to convene this conference, the semblance of a ‘pro-Party’, ‘non-factional’, ‘unity’ body. … Trotsky was entrusted with singing all the virtues of the OC and of the forthcoming liquidationist conference; nor could they have assigned the job to anyone fitter than the ‘professional uniter’.

The basis of this bloc is obvious: the liquidators enjoy full freedom to pursue their line in Zhivoye Dyelo and Nasha Zarya ‘as before’, while Trotsky, operating abroad, screens them with revolutionary phrases, which cost him nothing and do not bind them in any way.”

Lenin supplies further details in “Uniters”, June 17:

“Mr. Levitsky [leader of the liquidators] entitled his article ‘For Unity—Against a Split’. Quite like Trotsky, isn’t it? Ever since the pro-Party elements thoroughly rebuffed the liquidators … Levitsky and Co. have been using a very ‘conciliatory’ language. Why, they are wholly in favour of ‘unity’. They only advance the following four modest conditions for “unity”:
(1) A fight against the Conference of the RSDLP, ...
(2) The formation, in place of the Party, of “a central initiating group” ….
(3) No revival of the “politically dead nuclei” ...
(4) Acceptance of the slogan “against the cult of the underground” ...

And there and then Levitsky explains at great length to all the Trotskys: After all, gentlemen, you have no choice. You had better accept our terms, and in exchange we (i.e., Levitsky and Co.) will readily agree to the following: ‘to console yourselves’, you (i.e., Trotsky and his like) can say that it is not you who have moved closer to the liquidators, but the other way round.

The miserable comedy of ‘unification’ enacted by the liquidators and Trotsky is repellent to the least exacting people.”

On May 5, the first issue of the newspaper Pravda appears in St. Petersburg. Pravda played a key role in the history of the Bolshevik party and the revolution. In a letter to the Editor of Pravda dated July 19, Lenin wrote:

“I advise you to reply to Trotsky through the post: ‘To Trotsky. We shall not reply to disruptive and slanderous letters.’ Trotsky’s dirty campaign against Pravda is one mass of lies and slander. The well-known Marxist and follower of Plekhanov, Rothstein, has written to us that he received Trotsky’s slanders and replied to him: I cannot complain of the Petersburg Pravda in any way. But this intriguer and liquidator goes on lying, right and left.”

The liquidators' conference was held in Vienna in August 1912. It was attended by delegates from the Bund, the Caucasian Committee, the Latvian Social Democratic Party and small liquidationist groups from abroad: editorial boards of Golos Sotsial-Demokrata, Trotsky’s Pravda, Vperiod, Nasha Zarya, Nevski Golos, delegates of the “initiation groups” from St. Petersburg and Moscow, etc.

Under the aegis of Trotsky the conference formed the “August Bloc”.

Composed of motley, unprincipled elements, overwhelmingly with no contact with the Russian working class, only united by their anti-party position, the August bloc began to crumble already during the meeting. The liquidators could not elect a Central Committee and merely set up an Organizing Committee of the liquidators (OCL).

In July, the Executive of the GSDP convened a meeting of RSDLP “centres” and “groups” abroad to distribute funds that the GSDP leadership had allocated to the IV Duma election campaign. The CC of the RSDLP refused to attend the meeting and it did not take place. The Executive of the GSDP then allocated part of the funds to the OCL, thereby backing the liquidators against the Bolsheviks. Lenin then proceeded to informing the German comrades in a long article -- The Present Situation in the RSDLP, 30Jul-2Sep – counter-posing objective information to reports from informants of the GSDP “who are either absolutely unfamiliar with the actual state of affairs in Russia at the present time or deliberately seek to mislead the German comrades by a one-sided presentation of party politics”:

Unfortunately, one of this kind of ‘informants’ succeeded in winning the confidence of Vorwärts. The Central Organ of the German Social-Democratic Party in a series of articles opened its columns to a torrent of unheard-of slander against the Russian Party, poured out from the pen of that informant and supposed to be derived from ‘objective’ sources.
Actually, those sources were ‘subjective’ and false through and through. Since Vorwärts did not insert our factual correction, we had to issue a separate pamphlet entitled The Anonymous Writer in Vorwärts and the State of Affairs in the RSDLP, which was issued in several hundred copies and was sent to the executive committees of all the German Party organisations of any importance and to the editors of the major organs of the Party press.”

Lenin goes on, presenting earlier documents addressed to the GSDP, explaining the developments that led to the VI RSDLP Conference and the convening of the anti-party conference of the liquidationist groups, the isolation of these groups from Russia -- namely that “Nor is Trotsky’s Vienna Pravda the organ of any Russian organisation” --, how Trotsky and his followers deceive the workers and the GSDP, and provides abundant quantitative data allowing him to state that "The liquidators do not count at all in the Russian Social-Democratic labour movement."

In fact, Lenin had yet to write a post-scriptum of the mentioned article, dated 15 September, motivated by a new arrogant [46] letter from the GSDP leadership. The P.S. begins like this:

“Dear Comrades, it goes without saying that all that has been reported to the Executive Committee is based on an untruth and is an invention pure and simple of the liquidators. We can affirm with confidence that that fable could have been told to the Executive only by the Letts, the Bundists, or even by Trotsky’s adherents, who only a short time ago closed ‘their’ conference, which they would have liked to call a ‘party conference’, but which was in fact a liquidationist conference.” (Lenin then mentions one more proving fact.)

1912 – Trotski e os liquidadores perante o surto revolucionário

O ano de 1912 foi caracterizado por uma retoma revolucionária:  greves, matança do Lena em Abril [47] e revoltas no exército e na marinha durante o Verão. Trotski, juntamente com os liquidadores, menorizou e distorceu os objectivos da retoma revolucionária, atribuindo-os a uma mera luta por «liberdade de associação».

Lénine em O Surto Revolucionário, 17 de Junho:

«Nada há de mais falso que a ficção liberal, repetida por Trotski no Pravda de Viena, seguindo os liquidadores, de que "a luta pela liberdade de associação é a base, tanto da tragédia do Lena como da sua vigorosa repercussão no país". Na greve do Lena a liberdade de associação não foi de forma alguma a reivindicação específica nem a principal. A matança do Lena revelou não a falta de liberdade de associação, mas sim a falta de liberdade de estar a salvo da provocação, falta de direitos em geral, falta de liberdade face a toda a tiranía.

«... O que caracteriza os acontecimentos do Lena não é de modo algum a luta por um dos direitos, ainda que fosse o mais fundamental, o mais importante para o proletariado. Caracteriza-os a absoluta ausência de qualquer tipo de legalidade elementar. ...»

Lénine em Pode a Palavra de Ordem «Liberdade de Associação» Ser Agora a Base do Movimento Operário?, 12 de Agosto:

«Os liquidadores, com Trotski à cabeça, dizem que sim na imprensa legal. Fazem todo o possível por deformar o verdadeiro carácter do movimento operário. ...
En 1910 os grupitos intelectuais iniciaram a campanha de petições pela liberdade de associação. Foi uma campanha artificial, perante a qual as massas operárias permaneceram indiferentes. ... Era próprio dos liberais acreditar nas reformas políticas sob a autocracia czarista. ...
Os operários não são contrários à luta por reformas: combateram, por exemplo, ... Por intermédio dos seus deputados aproveitaram na III Duma toda a oportunidade para conseguir a mais pequena melhoria, ... mas, a “liberdade de associação", sob a monarquía dos Románov de 3 de Junho, é uma promesa vã de liberais apodrecidos.»
1912 – Trotsky and the liquidators on the revolutionary upswing

1912 was characterized by a revolutionary upswing: strikes, the Lena massacre in April [47] and riots in the army and navy during the summer. Trotsky, along with the liquidators, downplayed and distorted the aims of the revolutionary upswing, narrowing them to a mere struggle for “freedom of association”.

Lenin in The Revolutionary Upswing, June 17:

Nothing could be more false than the liberal invention, which Trotsky repeats in the Vienna Pravda after the liquidators, that ‘the struggle for freedom of association is the basis of both the Lena tragedy and the powerful response to it in the country’. Freedom of association was neither the specific nor the principal demand in the Lena strike. It was not lack of the freedom of association that the Lena  shootings revealed, but lack of freedom from provocation, lack of rights in general, lack of freedom from wholesale tyranny.

“… It was not at all the struggle for one of the rights of the proletariat, even the most fundamental, the most important of them, that was characteristic of the Lena events. What was characteristic of those events was the complete absence of any kind of elementary legality. …”

Lenin in Can the Slogan ‘Freedom of Association’ Serve as a Basis for the Working-Class Movement Today?, August 12:

In the legal press, the liquidators headed by Trotsky argue that it can. They are doing all in their power to distort the true character of the workers’ movement. …
In 1910 little groups of intellectuals began a campaign of petitions for freedom of association. It was an artificial campaign. The mass of the workers remained indifferent. ... It was fitting for liberals to believe in political reforms under the tsarist autocracy. ... 
The workers are not against the struggle for reforms: they fought for ... Through their deputies they used every opportunity in the Third Duma to bring about the slightest improvements. But … ‘freedom of association’ under the June Third monarchy of Romanov is an empty promise from rotten liberals.”

Final de 1912-1913 – Como Trotsky lidera o «bloco de Agosto»

Lénine em A Plataforma dos Reformistas e a Plataforma dos Social-Democratas Revolucionários, 18 de Novembro de 1912:

«Veja-se a plataforma dos liquidadores. A sua essência liquidacionista está habilmente encoberta pelas frases revolucionárias de Trotski. Essa camuflagem pode por vezes cegar as pessoas ingénuas e sem experiência, e inclusive parecer ser uma “reconciliação" entre os liquidadores e o partido. Mas o engano dissipa-se rapidamente quando examinamos isso com alguma atenção.»

Comentando a conferência dos liquidadores em O  Partido Ilegal e o Trabalho Legal, 18 de Novembro, Lénine observa:

«Aquilo que o Nasha Zariá e o Dielo Jizni [jornais liquidadores] dizem abertamente, injuriando o partido ilegal, Trotski e os liquidadores expulsos do partido repetem-no "mais suavemente": que fora do estreito partido ilegal é onde se encontra os mais "activos", e que é com estes que nos devemos "ligar". ...

«P. B. Axelrod [líder liquidador, mestre de Trotski] deu a Trotski as ideias do liquidacionismo. Trotski aconselhou Axelrod, depois dos seus amargos reveses no Nacha Zariá, a encobrir essas ideias com frases confusas. ...

«Estudámos as ideias da política trabalhista liberal vestidas com a roupa quotidiana de Levitski [líder liquidador]; também não é difícil reconhecê-las no vistoso atavío de Trotski.»
Late 1912-1913 - How Trotsky Leads the «August Bloc»

Lenin in The Platform of the Reformists and the Platform of the Revolutionary Social-Democrats, November 18, 1912.

Look at the platform of the liquidators. Its liquidationist essence is artfully concealed by Trotsky’s revolutionary phrases. This camouflage may sometimes blind naive and altogether inexperienced people, and may even appear to   be ‘reconciliation’ between the liquidators and the Party. But the most cursory examination will rapidly dissipate this self-deception.

Commenting the Conference of the liquidators in The Illegal Party and Legal Work, November 18, Lenin observes:

Trotsky and the liquidators expelled from the Party are putting more “mildly” what Nasha Zarya and Dyelo Zhizni [liquidator newspapers] said plainly in reviling the illegal Party: in their view, it is outside the narrow illegal Party that the most ‘active’ are, and it is with these that one must ‘link oneself’. ...

“P. B. Axelrod [liquidator leader, teacher of Trotsky] supplied Trotsky with liquidationist ideas. Trotsky advised Axelrod after the latter’s sad reverses in Nasha Zarya, to cover up those ideas with phrases that would muddle them up. …

We have studied the ideas of liberal labour policy attired in Levitsky’s [liquidator leader] everyday clothes; it is not difficult to recognise them in Trotsky’s gaudy apparel as well.

Em 1913 Trotski decaiu ideologicamente para o nível da burguesia liberal. Começou a escrever no jornal Luch (= O Raio), diário legal dirigido pelos mencheviques liquidadores Axelrod, Dan, Mártov e Martinov, subsidiado fundamentalmente por donativos dos liberais. O objectivo do Luch era atacar a táctica revolucionária dos bolcheviques. Defendia a palavra de ordem oportunista de um «partido aberto», opôs-se às greves revolucionárias e procurou rever as teses mais importantes do partido. Lénine disse que o «Luch está ao serviço da política liberal» e chamou-lhe órgão renegado.

No artigo O Problema da Unidade, publicado no Pravda a 16 de Fevereiro, Lénine, após dar conta de cartas dos trabalhadores que defendiam que «devem ser os próprios trabalhadores a levar a cabo a unidade “a partir de baixo”» e que os «liquidadores não têm que lutar contra a organização clandestina, mas sim ingressar nela», comenta assim um artigo de Trotski no Luch:

«Depois de uma formulação tão franca e clara da questão, é asombroso que nos deparemos com as velhas e pomposas frases, totalmente vazias, de Trotski no Luch ... Nem uma palavra sobre a essência da questão! Nem  o menor intento de citar factos concretos e de analizá-los até ao fim! Nem uma alusão às condições reais da unidade! Exclamações vazias, frases empoladas, ataques arrogantes contra adversários que o autor não nomeia, afirmações feitas em tom imponente: a isto se reduz a bagagem de Trotski.

«Isto não serve, senhores. Vocês falam “aos operários” como se fossem crianças; ora procurando assustá-los com palavras terríveis (“grilhetas do espírito de círculo”, “polémica monstruosa”, “período de servidão feudal na história do nosso partido”), ora procurando “convencê-los” como se fossem crianças pequenas, sem dar razões nem explicações. ...

«“É ridículo e absurdo afirmar” -- lemos no artigo – “que entre as tendências políticas de Luch e Pravda existe uma contradição irredutível.” Creia-nos, estimado autor, que os operários não se amedrontarão com as palavras “absurdo” e "ridículo”, antes lhe pedirão que fale com eles como se faz com adultos, indo ao fundo da questão. ...

«”As nossas fracções históricas, o bolchevismo e o menchevismo, são pela sua origem formações puramente intelectuais” --escreve Trotski. Esta é uma repetição de uma fábula liberal. ... Aos liberais convem-lhes apresentar a base fundamental das discrepâncias como algo introduzido pelos “intelectuais”. Mas Trotski não faz mais que desonrar-se quando repete esta fábula liberal

Um traço característico de Trotski, ao  longo de toda a sua vida, era mentir muito, com total desprezo por factos objectivos. (Provavelmente assumia que os seus seguidores não examinariam os factos ou não se importariam com isso.) Já vimos isso  em artigos anteriores. Vejamos um novo exemplo. Num artigo de 15 de Junho, Notas de um Publicista, diz Lénine:

«Trotski, servindo fielmente os liquidadores, assegurou-se a si mesmo e assegurou os ingénuos “europeus” ... que os liquidadores são “mais fortes” no movimento legal. Esta mentira também é refutada pelos factos.

«Tomemos as eleições para a Duma. Na II Duma, os bolcheviques tinham 47 por cento da cúria operária; na III tinham 50 por cento, e na IV, 67 por cento. Devemos acreditar nestes factos, ou devemos acreditar em Trotski e nos liquidadores?» (Seguem-se mais factos que desmentem completamente Trotski.)

Nesta altura (e, de facto, até bem mais tarde, como iremos ver) a separação ideológica de Trotski face a Lénine era completa. Em 1 de Abril de 1913 Trotski escreveu de Viena uma carta a Tchkeidze, líder menchevique que viria a ser um destacado contra-revolucionário. Inserimos a seguir o texto integral que vale a pena examinar em detalhe para entender bem quem era Trotski:

Viena, 1 de Abril de 1913

Para Nicholas Semionovich Chkeidze,
Membro da Duma do Império,
Palácio da Táurida,
São Petersburgo.

Caro Nicholas Semionovich,

Antes de tudo, permita-me expressar a minha gratidão pelo prazer, tanto político quanto estético, que os seus discursos, particularmente o último sobre roubos, me proporcionam. Sim, sentimos alegria ao ler os discursos dos nossos representantes e as cartas dos trabalhadores à Redacção do "Luch", e ao ficar a par dos factos sintomáticos relativos ao movimento dos trabalhadores. Depois disso, as brigas miseráveis ​​sistematicamente provocadas por Lénine, esse veterano nesse jogo, esse explorador profissional de tudo o que é atrasado no movimento dos trabalhadores russos, parece uma obsessão sem sentido. Nenhum socialista europeu sensato poderia acreditar que as diferenças de opinião criadas por Lénine em Cracóvia são de molde a causar uma cisão.

Os "sucessos" de Lénine, embora sejam um obstáculo para nós, não me inspiram qualquer preocupação. Nesta fase, não estamos mais em 1903 ou em 1908. Com "dinheiro de origem suspeita", interceptado na casa de Kautsky e Zetkin, Lénine montou um órgão, assumiu o logotipo de um jornal popular, escreveu a palavra "unidade" na sua bandeira e, assim, atraiu leitores dos trabalhadores, que, é claro, consideraram a publicação de um diário de trabalhadores uma grande vitória. Então, quando o jornal ganhou influência, Lénine usou-o como instrumento para intrigas do seu círculo e para as suas tendências cisionistas. Mas as aspirações dos trabalhadores pela unidade são tão fortes que Lenin foi forçado a jogar ao esconde-esconde com os seus leitores, a falar de unidade a partir de baixo enquanto organizava a divisão no topo, para equiparar a luta de classes a quezílias de grupos e fracções. Numa palavra, neste momento todo o edifício do leninismo está construído sobre mentiras e falsificações, e carrega em si os elementos venenosos da sua própria decadência. Não há dúvida de que, se a parte oponente souber manejar, a gangrena desenvolver-se-á em breve entre os leninistas, justamente por causa da questão da unidade ou divisão.

Mas repito: se a parte contrária souber manejar. E se o leninismo, por si só, não me inspira nenhum medo, devo admitir que não tenho certeza de que os nossos amigos, os liquidadores, não ajudarão Lénine a voltar à sela.

Duas políticas podem ser agora aplicadas: ou destruir ideologica e organicamente os muros fraccionários que ainda existem e, assim, destruir os próprios fundamentos do leninismo, que é incompatível com a organização dos trabalhadores num partido político, mas que pode crescer perfeitamente com o estrume de divisões; ou, pelo contrário, realizar uma selecção fraccionada de anti-leninistas (mencheviques ou liquidadores) mediante uma eliminação completa das divergências nas tácticas.»

A verborreia de Trotski dispensa comentários. Apenas fazemos notar que a sua menção «"dinheiro de origem suspeita", interceptado na casa de Kautsky e Zetkin» é mentirosa, intriguista e caluniosa, muito ao estilo de Trotski  que sempre assume pouca memória dos outros. Já vimos que os fundos de que eram curadores Kautsky e Zetkin eram fundos dos bolcheviques, que estes entregaram aos curadores cumprindo decisões do Plenário de Janeiro de 1910. Em Dezembro de 1910 os bolcheviques solicitaram aos curadores a devolução dos fundos, com base na violação de decisões do plenário pelos liquidadores e Trotski. A comissão de arbitragem dos curadores decidiu favoravelmente aos bolcheviques em Outubro de 1911 e decidiu também não dar um cêntimo aos liquidadores e a Trotski [48]. A referida afirmação de Trotski é, portanto,  duplamente mentirosa e caluniosa.

In 1913 Trotsky fell ideologically to the level of the liberal bourgeoisie. He began writing in the newspaper Luch (= The Ray), a legal newspaper run by the Menshevik liquidators Axelrod, Dan, Martov, and Martinov, supported chiefly by donations from the liberals. The purpose of the Luch was to attack the revolutionary tactics of the Bolsheviks. It defended the opportunistic slogan of an "open party", opposed the revolutionary strikes and sought to review the most important theses of the party. Lenin wrote that Luch has been enslaved by a liberal policy” and called it a renegade organ.

In the article The Question of Unity, published in Pravda on 16 February, Lenin, having reported letters from workers who argued that the “workers themselves must bring about unity ‘from below’” and that “liquidators should not fight the underground Party but should form part of it”, comments this way an article by Trotsky in Luch:

“It is amazing that after the question has been posed so clearly and squarely we come across Trotsky’s old, pompous but perfectly meaningless phrases in Luch ... Not a word on the substance of the matter! Not the slightest attempt to cite precise facts and analyse them thoroughly! Not a hint of the real terms of unity! Empty exclamations, blistering sentences, haughty sallies against opponents whom the author does not name, statements made in imposing tone -- that is Trotsky’s total stock-in-trade.

“That won’t do, gentlemen. You speak “to the workers” as though they were children, now trying to scare them with terrible words (“the shackles of the circle method”, “monstrous polemics”, “the feudal-serf-owning period of our Party history”), now “coaxing” them, as one coaxes small children, without either convincing them or explaining matters to them. …

“’It is ridiculous and absurd to affirm,’ we read in his article, ‘that there is an irreconcilable contradiction between the political tendencies of Luch and Pravda.’ Believe us, my dear author, that neither the word ‘absurd’ nor the word ‘ridiculous’ can frighten the workers, who will ask you to speak to them as to adults on the substance of the matter. …

“’Our historic factions, Bolshevism and Menshevism, are purely intellectualist formations in origin,’ wrote Trotsky.
This is the repetition of a liberal tale. ... It is to the advantage of the liberals to pretend that this fundamental basis of the difference was introduced by ‘intellectuals.’ But Trotsky merely disgraces himself by echoing a liberal tale.

A characteristic trait of Trotsky throughout his entire life was that he lied a lot, with total disregard for objective facts. (He probably assumed that his followers wouldn’t check the facts or wouldn’t mind that.) We have seen this in previous articles. Let's look at one more example. In a June 15 article, Notes from a Publicist, says Lenin:

Trotsky, doing faithful service to liquidators, assured himself and the naive ‘Europeans’ … that the liquidators are ‘stronger’ in the legal movement. And this lie, too, is refuted by the facts.

“Take the Duma elections. In the Second Duma the Bolsheviks had 47 per cent of the workers’ curia; in the Third they had 50 per cent and in the Fourth, 67 per cent. Should these facts be believed, or should one believe Trotsky and the liquidators?” (Hereafter follows more facts that fully refute Trotsky.)

By this time (and indeed, until much later, as we shall see) Trotsky's ideological separation from Lenin was complete. On April 1, 1913, Trotsky wrote from Vienna a letter to Chkheidze, a Menshevik leader who would later become a prominent counterrevolutionary. We insert below the full text of the letter, which is worth examining in detail to really understand where Trotsky stood:

Vienna, April 1st, 1913

To Nicholas Semionovich Chkeidze, 
Member of the Empire Duma, 
Tauride Palace
St. Petersburg.

Dear Nicholas Semionovich,

First of all, let me express my gratitude for the pleasure, both political and aesthetic, that your speeches, particularly your last one on robbery, give me. Yes, one feels joy when reading our representatives’ speeches and the workers’ letters to the “Luch” editorial board, or when learning about the symptomatic facts concerning the labour movement. After that, the wretched squabbling systematically provoked by Lenin, that old hand at the game, that professional exploiter of all that is backward in the Russian labour movement, seems like a senseless obsession. No sensible European socialist could possibly believe that the differences of opinion created by Lenin in Cracow are likely to cause a split.

Lenin’s “successes”, although they are an obstacle for us, do not inspire me any concern. At this stage, we are no longer in 1903 or in 1908. With “money of suspicious origin”, intercepted at Kautsky’s and Zetkin’s place, Lenin set up an organ, took the logo of a popular newspaper, wrote the word “unity” on its banner and thus attracted worker readers, who, of course, considered the publication of a workers’ daily to be a great victory. Then, when the newspaper had gained influence, Lenin used it as an instrument for his circle intrigues and for his splittist trends. But the aspirations of the workers for unity are so strong that Lenin was forced to play hide and seek with his readers, to talk about unity from below while organising the split at the top, to equate class struggle to the bickering of groups and fractions. In a word, at this moment, the entire edifice of Leninism is built on lies and falsifications, and bears within itself the poisonous elements of its own decay. There is no doubt that, if the opposing party knows how to manage, gangrene will soon develop among Leninists, precisely because of the question of unity or division.

But I repeat: if the opposing party knows how to manage. And if Leninism, by itself, does not inspire me any fear, I must admit that I am not sure that our friends, the liquidators, will not help Lenin to get back on saddle.

Two policies may now be applied: to destroy ideologically and organically the fractional walls which still exist, and thus destroy the very foundations of Leninism, which is incompatible with the organisation of workers into a political party, but which can perfectly grow on the manure of splits; or, on the contrary, to conduct a fractional selection of anti-Leninists (Mensheviks or liquidators) by a complete elimination of the divergences on tactics.”

Trotsky's verbiage needs no comment. We only note that in his mention of "’money of suspicious origin’ intercepted at Kautsky and Zetkin's house” there is lie, intrigue and slander, much in Trotsky's style who always assumes poor memory of others. We have already seen that the funds of which Kautsky and Zetkin were trustees were funds from the Bolsheviks; funds that the Bolsheviks handed over to the trustees in compliance with the January 1910 Plenary decisions. In December 1910 the Bolsheviks submitted to the trustees a request to return the funds, based on the violation of plenary decisions by the liquidators and Trotsky. The trustee arbitration committee decided in favour of the Bolsheviks in October 1911, and also decided not to give a cent to the liquidators and Trotsky [48]. Therefore, Trotsky's statement is doubly lying, intriguing and slanderous.


Início de 1914 – Fim do «Bloco de Agosto»

No início de 1914 o bloco de Agosto tinha-se desintegrado. Lénine esclarece isso em A Desintegração do bloco de “Agosto”,  publicado a 15 de Março:

«A formação do bloco foi anunciada com grande aaparato pelo periódico Luch, ... Exaltava-se o “grande número” de integrantes ... a aliança de “marxistas de diversas tendências”, a “unidade” e o não fraccionismo; cobriam-se de impropérios os “cisionistas”, partidários da Conferência de Janeiro de 1912. ...

«Decorreu exactamente um ano e meio. Um largo periodo tendo em conta o surto de 1912-1913. E então, em Fevereiro de 1914, Trotski, ese “genuíno” partidário da plataforma de Agosto, funda uma nova revista, desta vez eminentemente “unificadora”, eminente e verdadeiramente “não fraccionista”, intitulada Borba [“A Luta”, em russo].

«Tanto o conteúdo do n.º 1 de Borba, como o que os liquidadores escreveram sobre a revista antes da sua aparição, revelam logo ao leitor atento que o bloco de Agosto se desintegrou e que se fazem esforços desesperados para ocultar este facto e enganar os trabalhadores. ...

«Antes da aparição de Borba, a Redacção da Sievernaia Rabochaia Gazeta [revista dos liquidadores editada em Petersburgo] publicou un comentário mordaz: “A verdadeira fisonomia desta revista, de que ultimamente muito se falou nos circulos marxistas, continua a ser pouco clara para nós”. ...

«O bloco de Agosto demonstrou ser  -- como já o disséramos, em Agosto de 1912 -- uma simples cortina dos liquidadores. O bloco caiu em pedaços. ... Os célebres unificadores nem sequer souberam unir-se entre si e agora temos duas tendências “de Agosto”: a do Luch ... e a trotskista (Borba). ...

«Com efeito, os liquidadores têm a sua própia fisonomia, liberal e não marxista. ... Trotski, todavia, nunca teve qualquer “fisonomia”, mas só o costume de mudar de lados, de saltar dos liberais para os marxistas e vice-versa, de proferir expressões fragmentárias e frases sonoras extraídas da direita e da esquerda. ...

«No Borba não se consegue encontrar nem uma só palavra de interesse sobre qualquer questão controversa. Parece incrível, mas é assim. ...

«Na realidade, sob o manto de frases ultra-sonoras, vazias e nebulosas, que confundem os operários sem conciência de classe, Trotski defende os liquidadores, ...»
Early 1914 – End of the “August Bloc”

By early 1914 the August bloc had disintegrated. Lenin clarifies this in The Break-Up of the “August” Bloc, published March 15:

“The formation of this bloc was announced with tremendous ballyhoo in the newspaper Luch, … It went into raptures over the … ‘large membership’, over the alliance of ‘Marxists of different trends’, over ‘unity’ and non-factionalism, and it raged against the ‘splitters’, the supporters of the January 1912 Conference. …

“Exactly eighteen months passed. A tremendous period considering the upsurge of 1912–13. And then, in February 1914, a new journal -- this time eminently ‘unifying’ and eminently and truly ‘non-factional’ -- bearing the title Borba [‘The Struggle’ in Russian], was founded by Trotsky, that “genuine” adherent of the August platform.

“Both the contents of Borba’s issue No. 1 and what the liquidators wrote about that journal before it appeared, at once revealed to the attentive observer that the August bloc had broken up and that frantic efforts were being made to conceal this and hoodwink the workers. …

“Before the appearance of Borba, the editors of Severnaya Rabochaya Gazeta [a magazine of the liquidators edited in Petersburg] published a scathing comment stating: ‘The real physiognomy of this journal, which has of late been spoken of quite a lot in Marxist circles, is still unclear to us.’ …

“The August bloc -- as we said at the time, in August 1912 -- turned out to be a mere screen for the liquidators. That bloc has fallen asunder. ... The famous uniters even failed to unite themselves and we got two “August” trends, the Luchist trend … and the Trotskyist trend (Borba).

“The liquidators do have their own physiognomy, a liberal, not a Marxist one. … Trotsky, however, has never had any ‘physiognomy’ at all; the only thing he does have is a habit of changing sides, of skipping from the liberals to the Marxists and back again, of mouthing scraps of catchwords and bombastic parrot phrases....

“In Borba you will not find a single live word on any controversial issue. This is incredible, but it is a fact. …

Actually, under cover of high-sounding, empty, and obscure phrases that confuse the non-class-conscious workers, Trotsky is defending the liquidators. ….

Notas | Notes

[38] Vorwärts, O.C. do Partido Social-Democrata Alemão. | Vorwärts, C.O. of the German Social Democratic Party.

[39] O Comité de Escola foi nomeado pelo plenário para organizar uma escola do partido no estrangeiro. Era composta por nove pessoas: dois bolcheviques, dois mencheviques, dois membros do Vperiod e três representantes de organizações nacionais. Esta escola deveria substituir a organizada em 1909 na ilha de Capri por Bogdanov (Maximov), Alexinski e Lunatcharski como centro das fracções unidas para lutar contra os bolcheviques. Os partidários de Bogdanov persuadiram várias organizações sociais-democratas a enviar treze estudantes para a escola, que durou quase quatro meses (Agosto-Dezembro de 1909). Em Novembro ocorreu uma divisão entre os estudantes e um grupo liderado pelo trabalhador N. Y. Vilonov dissociou-se definitivamente do grupo de Bogdanov. Os alunos leninistas enviaram um protesto ao Proletari contra o comportamento anti-partido dos professores e foram expulsos da escola. Os alunos que permaneceram em Capri formaram o grupo anti-partido Vperyod (otzovistas, ultimatistas, construtores-de-Deus e empirio-monistas) em Dezembro de 1909. O conselho editorial ampliado do Proletari condenou a escola de Capri como um “novo centro da fracção que rompeu com os bolcheviques”. Lénine chamou-lhe também escola «anarquista».
The School Committee was appointed by the plenary to organize a party school abroad. It was composed of nine people: two Bolsheviks, two Mensheviks, two members of the Vperiod, and three representatives of national organizations. This school should replace the one organized in 1909 on the island of Capri by Bogdanov (Maximov), Alexinsky and Lunacharsky as the centre of the united factions to fight the Bolsheviks. Bogdanov's supporters persuaded several social democratic organizations to send thirteen students to the school, which lasted nearly four months (August-December 1909). In November there was a division between the students and a group led by worker N. Y. Vilonov definitively dissociated from the Bogdanov group. The Leninist students sent a protest to the Proletari against teachers' anti-party behavior and were expelled from school. The students who remained in Capri formed the anti-party Vperyod group (otzovists, ultimatists, God-builders, and empirical monists) in December 1909. Proletari's expanded editorial board condemned the Capri school as a “new centre of the faction breaking away from the Bolsheviks”. Lenin also called it an “anarchist” school.

[40] «Os liquidadores liberais consolidaram-se fora do partido, criaram uma fracção completamente hostil (Nasha Zarya, Vozrozhdeniye, Dyelo Zhizni) à social-democracia, pronta a desfazer a causa do partido nas eleições para a Quarta Duma.» «O Bureau do CC no estrangeiro não só não fez nada para unir os elementos pró-partido no estrangeiro, não só não ajudou na luta contra os Golosistas e os Vperiodistas, mas ainda ocultou os “fundos” anti-partido dos anarquistas [=Vperyodistas] e as medidas tomadas pelos liberais [=Golosistas]. Os Vperiodistas, graças ao apoio “conciliatório” de Trotski e Golos, consolidaram-se como uma facção com o seu próprio transporte, a sua própria agência, e cresceram muito mais desde o plenário de Janeiro de 1910.»
“The liberal liquidators have consolidated themselves outside the Party, they have created a faction altogether hostile (Nasha Zarya, Vozrozhdeniye, Dyelo Zhizni) to Social-Democracy and ready to disrupt the Party’s cause in the elections to the Fourth Duma.” “The C. C. Bureau Abroad not only did nothing to unite the pro-Party elements abroad, and not only gave no help to the fight against the Golosists and Vperyodists, but it concealed the anti-Party “funds” of the anarchists [=Vperyodists] and the steps taken by the liberals [=Golosists].  The Vperyodists, thanks to the “conciliatory” support of Trotsky and Golos, have consolidated themselves as a faction with its own transport, its own agency, and have grown many times stronger since the plenum of January 1910.”

[41] Lénine declarou na reunião que os mencheviques I. Ísuv (Mikhail), K. Ermoláev (Román) e P. Bronstein (Iuri), organizadores do partido «trabalhista» aderente a Stolipin, não tinham condições para participar na reunião, e que o bundista Liber, ao defendê-los, estava a colaborar com eles. Em protesto Liber retirou-se da reunião. O Golos-ista também abandonou a reunião.
A proposta de Lénine sobre a criação de um Colégio na Rússia para realizar o trabalho prático de convocar a conferência foi aceite. As resoluções foram ratificadas em Setembro por vários organismos do POSDR (Kiev, Ekaterinoslav, Baku, Rostov, Tbilisi, grupos da área urbana de S. Petersburgo, várias cidades dos Urais, etc.) Em Setembro formou-se a Comissão Organizadora Russa (COR), composta por representantes de várias organizações social-democratas. O COR preparou a convocação da VI Conferência (de Praga) do POSDR de toda a Rússia, para Janeiro de 1912.
Lenin stated at the meeting that the Mensheviks I. Isuv (Mikhail), K. Ermolaev (Roman) and P. Bronstein (Yuri), organizers of Stolypin’s “labour party”, didn’t fulfil the conditions to attend the meeting, and that the Bundist Liber, in defending them, was collaborating with them. In protest Liber withdrew from the meeting. The Golosist also left the meeting.
Lenin's proposal to set up a Collegium in Russia to carry out the practical work of convening the conference was accepted. The resolutions were ratified in September by various RSDLP bodies (Kiev, Ekaterinoslav, Baku, Rostov, Tbilisi, St. Petersburg urban groups, various Ural cities, etc.). In September the Russian Organizing Committee (ROC) was formed, composed of representatives of various social democratic organizations. The ROC prepared the convening of the Sixth (Prague) All-Russia Conference of the RSDLP for January 1912.

[42] O II Grupo de colaboradores do POSDR em Paris foi formado em 18 de Novembro, 1908. Em 1911 o II Grupo de Paris era composto por  mais de 40 pessoas. A maioria eram bolcheviques (Lénine, Krúpskaia, Semashko, Vladimirski, etc.); havia também conciliadores e alguns membros do grupo Vperiod. O grupo estava ligado às organizações do partido na Rússia às quais prestava colaboração, e lutou contra os liquidacionistas e trotskistas. Na reunião de 1 de Julho, presidida por Vladimirski, foi discutida a situação interna do partido. Por 27 votos contra 10 o grupo aprovou a resolução preparada por Lénine.
The Second Paris Group of Collaborators of the RSDLP was formed on 18 November 1908. In 1911 the Second Paris Group was composed of over 40 people. Most were Bolsheviks (Lenin, Krupskaia, Semashko, Vladimirski, etc.); there were also conciliators and some members of the Vperiod group. The group was linked to the party organizations in Russia to which it gave collaboration, and fought the liquidationists and Trotskyists. At the July 1 meeting chaired by Vladimirski, the internal situation of the party was discussed. By 27 votes to 10, the group adopted the resolution prepared by Lenin.

[43] Citado num artigo de D. Dauget, Spartacist n.º 45-46 (Winter 1990-91), pág. 34, que faz uma apreciação da biografia de Trotsky escrita por Pierre Broué (Trotsky, Paris, 1988). A Spartacist é a revista do grupo trotskista ICL (International Communist League). A Spartacist n.º 45-46 pode ser encontrada na Internet Archive. A primeira vez que deparámos com esta informação foi em Harpal Brar, Trotskyism or Leninism?, London, 1993.
Quoted in an article by D. Dauget, Spartacist No. 45-46 (Winter 1990-91), p. 34, which reviews Trotsky's biography written by Pierre Broué (Trotsky, Paris, 1988). Spartacist is the journal of the Trotskyist group ICL (International Communist League). Spartacist No. 45-46 can be found at the Internet Archive. The first time we came across this information was in Harpal Brar, Trotskyism or Leninism?, London, 1993.

[44] O Relatório de Lénine foi distribuído na Circular n.º 4 do Bureau da Internacional Socialista (BIS?. a todos os partidos socialistas em 18 de Março de 1912 pelo seu secretário, C. Huysmans, com um pedido para que fosse publicado nos respectivos órgãos.
Lenin’s Report was distributed in Circular No. 4 of the Socialist International Bureau (SIB) to all the socialist parties on March 18, 1912 by its Secretary, C. Huysmans, with a request that it be published in their respective organs.

[45] Lénine refere-se à resolução anti-partidária e caluniosa contra a VI Conferência do POSDR e suas resoluções, aprovada a 12 de Março de 1912 em París, na reunião dos representantes do Comité do Bund no Estrangeiro, dos grupos Vperiod, Golos Sotsial-Demokrata, Pravda de Viena (periódico de Trotski), dos mencheviques partidistas e dos conciliadores. Na sua condição de representante do CC do POSDR no BIS, Lénine escreveu una declaração oficial de protesto e uma carta a Huysmans, secretário do BIS.
This refers to the anti-Party, slanderous resolution adopted on March 12, 1912, in Paris at the meeting of the representatives of the Bund Committee Abroad, the Vperyod group, Golos Sotsial-Demokrata, Trotsky’s Vienna Pravda, and of the pro-Party Mensheviks and conciliators. Lenin, as the representative of the RSDLP in the SIB wrote an official statement of protest and a letter to Huysmans, Secretary of the SIB.

[46] No P.S. original (2 e 6 de Setembro) Lénine tinha escrito: «Que os camaradas alemães se dêem ao trabalho, não tão excessivo, de reunir os documentos sobre a situação do POSDR e de comprovar o seu conteúdo – ao fim e ao cabo a Rússia não é a África central, da qual pode vir qualquer “história de caçadores". É provável que os camaradas alemães queiram pôr fim a esta estranha situação, gelinde gesagt [para ser suave], em que recebem a sua informação do socialismo italiano, sueco e de qualquer outro país dos documentos abertamente publicados, enquanto que a informação que têm do socialismo russo provém das fábulas e rumores trasmitidas em privado.»
In the original P.S. (September 2 and 6) Lenin had written: “Let the German comrades undertake the not too arduous task of collecting the documents on the position of the RSDLP and verifying them—after all, Russia is not Central Africa, about which any kind of ‘tall stories’ can be told. The German comrades probably want to end this strange, gelinde gesagt, [to put it mildly] situation in which they get their information on the Italian, Swedish and any other socialist movement from openly published documents, while their information on the Russian socialist movement is obtained from privately communicated fables and gossip.”

[47] A Matança do Lena refere-se ao fuzilamento em 17 de Abril de trabalhadores em greve nas minas de ouro no nordeste da Sibéria, perto do rio Lena.
The Lena Massacre refers to the shooting of workers on strike in gold mines in the northeast Siberia near the Lena River on 17 April.

[48] Lenin, The Results of the Arbitration of the “Trustees”. December 21, 1911.

sábado, 31 de agosto de 2019

Um artigo de Lénine de 31-10-1911


Nota Prévia:
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A Nova Fracção dos Conciliadores, ou os Virtuosos

V. I. Lénine

Sotsial-Demokrat, n.º 24, 31 de Outubro de 1911

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Tradução do original em russo por J. P. M. Sá. A sigla CC designa “Comité Central”. A partir de cerca de um terço do texto Lénine usa a sigla que designa “Bureau do CC no Estrangeiro”. Em português, a sigla é BCCE. As interpolações no texto, entre parênteses rectos, são de Lénine.
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O Informatsionnii Biulleten [1] da Comissão Técnica no Estrangeiro (n.º 1 de 11 de Agosto de 1911) e o folheto A Todos os Membros do POSDR, assinados por “Grupo de Bolcheviques Pró-Partido”, que apareceram quase simultaneamente em Paris, são ataques semelhantes no conteúdo contra o “bolchevismo oficial” ou, segundo outra expressão, contra os “bolcheviques leninistas”. Estes documentos estão cheios de cólera; contêm mais exclamações e declamações de cólera do que substância real. Contudo, há que analisá-los, pois abordam as mais importantes questões do nosso partido. E será mais natural caber-me a mim a tarefa de avaliar a nova fracção, primeiro, porque fui eu que escrevi sobre essas mesmas questões, em nome de todos os bolcheviques, há exactamente ano e meio (ver Diskussionnii Listok, n.º 2 [2]) e, segundo, porque estou plenamente consciente da minha responsabilidade pelo “bolchevismo oficial”. Quanto à expressão “leninista”, é apenas uma tentativa pouco feliz de malícia, para insinuar que é apenas uma questão dos apoiantes de uma única pessoa,  Na realidade, todos sabem perfeitamente que a questão não é de forma alguma a de compartilhar as minhas opiniões pessoais sobre um ou outro aspecto do bolchevismo.

Os autores do folheto, que assinam “bolcheviques pró-partido”, também se proclamam “bolcheviques não-fraccionistas”, observando que “aqui” (em Paris) são “bastante desacertadamente” chamados de conciliadores. Na verdade, como o leitor verá a seguir, essa designação que já corre há mais de quinze meses, não só em Paris, não só no estrangeiro, mas também na Rússia, é a única que expressa com acerto a essência política da nova fracção.

Conciliacionismo é a totalidade de sentimentos, aspirações e pontos de vista que estão indissoluvelmente ligados à própria essência da tarefa histórica que se coloca perante o POSDR na época da contra-revolução de 1908-1911. É por isso, que nesta época, um certo número de social-democratas, partindo das mais variadas premissas, “caíu” na conciliação. Trotski exprimiu o conciliacionismo de forma mais consistente do que qualquer outra pessoa e foi provavelmente o único que tentou dar um fundamento teórico a esta corrente. O fundamento é o seguinte: fracções e fraccionismo exprimem a luta dos intelectuais “para influir no proletariado imaturo”. O proletariado está a amadurecer e o fraccionismo perece por si mesmo. Não são as mudanças nas relações entre as classes, nem a evolução das ideias fundamentais das duas principais fracções que servem de base ao processo de fusão das fracções, mas sim a questão da observância ou não de acordos entre todas as fracções "intelectuais". Trotski vem pregando com obstinação – desde há bastante tempo, oscilando umas vezes mais para o lado dos bolcheviques e outras vezes mais para o lado dos mencheviques -- esse acordo (ou compromisso) entre todas e quaisquer fracções.

A concepção oposta (ver n.ºs 2 e 3 do Diskussionnii Listok [2]) é a de que a origem das fracções deve ser atribuída às relações entre as classes na revolução russa. Os bolcheviques e os mencheviques não fizeram mais que formular as respostas às questões colocadas ao proletariado pela realidade objectiva de 1905-1907. Portanto, só a evolução interna dessas fracções, fracções “fortes” pela suas raízes profundas, fortes pela concordância entre as suas ideias e determinados aspectos da realidade objectiva, só a evolução exclusivamente interna dessas fracções pode assegurar a fusão real das fracções, isto é, a criação de um partido proletário totalmente unido, do socialismo marxista na Rússia. Daqui decorre uma conclusão prática: só uma aproximação no trabalho prático entre essas duas fracções fortes -- e só na medida em que se libertam das correntes não social-democratas do liquidacionismo e do otzovismo – é uma política realmente partidista, que realmente tende à unidade, seguindo um caminho nada fácil, nem sem acidentes, e de forma alguma imediato, mas realista, diferentemente de obscuras promessas charlatãs de uma fusão fácil, sem acidentes e imediata de "todas" as fracções.

Estas duas concepções foram apontadas quando nas nossas discussões, ainda antes do plenário, sugeri a palavra de ordem: “Aproximação entre as duas fracções fortes, e nenhum lamento por dissolver fracções”. Isto foi tornado público logo após o plenário pelo Golos Sotsial-Demokrat [3]. Expus de forma clara, concreta e sistemática esses dois pontos de vista em Maio de 1910, isto é, há um ano e meio atrás e, para mais, na tribuna de “todo o partido”, em Diskussionnii Listok (n.º 2). Se os “conciliadores”, com quem vimos discutindo sobre esses assuntos desde Novembro de 1909, ainda não encontraram tempo para responder a esse artigo nem uma única vez, e não fizeram sequer uma tentativa de examinar essa questão mais ou menos sistematicamente, para expor as suas opiniões de maneira mais ou menos aberta e coerente – isso é inteiramente culpa deles. Eles chamam à sua exposição fraccionista, publicada em nome de um grupo individual, uma “resposta pública”. Mas tal resposta pública de quem permaneceu em silêncio há mais de um ano não é uma resposta à questão que foi levantada há muito tempo, discutida há muito tempo e respondida há muito tempo de duas maneiras fundamentalmente diferentes; é a confusão mais insolúvel, a confusão mais incrível de duas respostas irreconciliáveis. Os autores do folheto não apresentam uma única tese sem imediatamente a refutar. Não há uma única tese em que os supostos bolcheviques (na verdade, trotskistas inconsistentes) não ecoem os erros de Trotski.

De facto, prestemos atenção às principais ideias do  folheto.

Quem são os seus autores? Eles dizem que são bolcheviques que “não compartilham das concepções organizativas do bolchevismo oficial”. Dir-se-ia ser uma “oposição” apenas à questão da organização, não é? Leia-se a frase seguinte: “... São precisamente as questões organizativas, as questões de estruturar e restaurar o partido que hoje se colocam em primeiro plano, como já sucedia há ano e meio”. Isto é completamente falso, e constitui precisamente o erro de princípio que Trotski fez e que desmascarei há um ano e meio. No plenário, os problemas de organização puderam parecer primordiais apenas porque, e na medida em que, a renúncia ao liquidacionismo por todas as correntes foi considerada uma realidade, pois tanto o grupo do Golos como o do Vperiod [4] “assinaram” as resoluções contra o liquidacionismo e contra o otzovismo para “confortar” o partido. O erro de Trotski foi continuar a apresentar a aparência como realidade depois que o Nacha Zariá [5] desde Fevereiro de 1910 desfraldou definitivamente a bandeira do liquidacionismo, e o grupo Vperiod -- na sua notória escola em X [6] -- desfraldou a bandeira da defesa do otzovismo. No plenário, a aceitação do aparente pelo real podia ser o resultado de auto-engano. Depois do plenário e desde a primavera de 1910, Trotski enganou os trabalhadores da maneira mais sem princípios e desavergonhada, assegurando-lhes que os obstáculos à unidade eram principalmente (se não totalmente) de natureza organizativa. Esse engano é mantido em 1911 pelos conciliadores de Paris; pois dizer agora que as questões organizativas estão em primeiro plano é pura burla da verdade. Na realidade, o que está agora em primeiro plano não é de modo algum a questão organizativa, mas a questão de todo o programa, toda a táctica e todo o carácter do Partido, ou melhor, de dois partidos: o Partido Operário Social-Democrata e o partido trabalhista stolipiano [7] de Pótresov, Smirnov, Larin, Levitski e C.ª. Os conciliadores de Paris parecem ter dormido durante um ano e meio depois do plenário, durante os quais toda a luta contra os liquidadores mudou, tanto para nós como para os mencheviques pró-partido [8], dos problemas de organização para os da existência do partido operário social-democrata e não do partido trabalhista liberal. Discutir agora, digamos, com os senhores do Nacha Zariá sobre questões organizativas, sobre a relação entre organizações legais e ilegais, seria montar uma farsa, pois esses senhores sabem muito bem reconhecer uma organização “ilegal” tal como o Golos, que está ao serviço dos liquidadores! Já há muito tempo se sabe que os cadetes reconhecem e mantêm uma organização ilegal que serve o liberalismo monarquista. Os conciliadores auto-intitulam-se bolcheviques para repetir um ano e meio depois (com uma declaração especifíca de que o fazem em nome de todo o bolchevismo!) os erros de Trotski  que os bolcheviques desmascararam. Ora, não é isto um abuso das denominações estabelecidas no partido? Não é óbvio que somos obrigados, depois disto, a deixar que todo o mundo saiba que os conciliadores não são de modo algum bolcheviques, que nada têm em comum com o bolchevismo, que são simplesmente trotskistas inconsistentes?

Leiamos um pouco mais: “Pode-se discordar da maneira como o bolchevismo oficial e a maioria da Redacção do órgão central entenderam a tarefa da luta contra o liquidacionismo ...”. Será realmente possível afirmar com seriedade que a “tarefa da luta contra o liquidacionismo” é uma tarefa organizativa? Os próprios conciliadores declaram que diferem dos bolcheviques não apenas em questões de organização! Em que diferem concretamente? Não respondem a isso. A “resposta pública” deles continua a ser uma resposta de mudos... Ou irresponsáveis? Durante ano e meio, não tentaram sequer uma única vez corrigir o “bolchevismo oficial” ou expor a sua própria concepção da tarefa de luta contra o liquidacionismo! E o bolchevismo oficial travou essa luta desde há três anos, desde Agosto de 1908. Perante estes factos bem conhecidos, perguntamo-nos quais as causas desse estranho "silêncio" dos conciliadores, e queira-se ou não, vem-nos à memória a lembrança de Trotski e Iónov [9], que também asseguravam estar contra os liquidadores, mas que entendiam de forma diferente a tarefa de combatê-los. Isto é ridículo, camaradas -- declarar, três anos após o início da luta, que entendem o carácter dessa luta de forma diferente! Essa diferença de entendimento parece-se como duas gotas de água com a incompreensão absoluta!

Prossigamos. Na sua essência, a presente crise do partido reduz-se indubitavelmente à questão de saber se o nosso partido, o POSDR, se deve separar completamente dos liquidadores (incluindo os Golosistas) ou se deve continuar a política de conciliação com eles. Dificilmente se encontrará um social-democrata familiarizado com o caso que negue ser esta questão a essência de toda a situação actual do partido. Como respondem os conciliadores a esta pergunta?

Eles escrevem no seu folheto: “Dizem-nos que, com isso [apoiando o plenário], estamos a violar as formas [10] do partido e a causar uma cisão. Nós não pensamos assim [sic!]. Mas mesmo que assim fosse, não teríamos medo disso.” (Segue-se uma menção de que o plenário foi sabotado pelo Bureau do CC no Estrangeiro, que o “CC é objecto de um jogo”, que as "formas do partido começaram a ser preenchidas por um conteúdo fraccionista", etc.).

Esta resposta pode ser qualificada com toda a justiça de um espécimen “clássico” de impotência ideológica e política! Vejamos: eles estão a ser acusados de cisão. E a nova fracção, que afirma ser capaz de mostrar o caminho ao partido, declara de forma impressa e publicamente: “Nós não pensamos assim” [ou seja, eles não acham que haja ou irá haver uma cisão?], "mas"... mas "não teríamos medo disso".

Podemos ter a certeza de que na história dos partidos políticos não se achará um outro exemplo de confusão igual a este. Se “não pensam” que haja ou irá haver uma cisão, então expliquem porquê! Expliquem por que razão é possível trabalhar com os liquidadores! Digam francamente que é possível e, portanto, necessário, trabalhar com eles.

Os nossos conciliadores não só não dizem isso, como dizem o contrário. No artigo editorial do Boletim n.º 1 (uma nota de rodapé indica explicitamente que o artigo em questão foi contestado por um bolchevique partidário da plataforma bolchevique, isto é, da resolução do II Grupo de Paris [11]), lemos: “É um facto que o trabalho conjunto com os liquidadores na Rússia é impossível”, e um pouco antes admitem que “está a ser cada vez mais difícil traçar a mais fina linha divisória” entre o grupo Golos e os liquidadores.

Quem pode entender isto? Por um lado, uma declaração altamente oficial feita em nome da Comissão Técnica (na qual os conciliadores e os polacos, que agora os apoiam, constituem uma maioria contra os bolcheviques), afirma que o trabalho conjunto é impossível. Em linguagem simples, isso significa declarar uma cisão. A palavra cisão não tem outro significado. Por outro lado, o mesmo Boletim, n.º 1, declara que a Comissão Técnica foi criada “não para provocar uma cisão, mas para evitá-la” -- e estes mesmos conciliadores dizem que “não pensam assim” (que haja ou irá haver uma cisão).

Alguém pode imaginar uma confusão maior?

Se o trabalho conjunto é impossível, isto para um social-democrata só pode ser explicado e justificado ou por uma violação flagrante das decisões e deveres do partido por parte de um certo grupo de pessoas (e então uma cisão com esse grupo é inevitável), ou por uma diferença fundamental de princípio, diferença que faz com que todo o trabalho de certa corrente esteja afastado da social-democracia (e então uma cisão com toda essa corrente é inevitável). Como sabemos, temos ambas as coisas: o plenário de 1910 declarou que era impossível trabalhar com a corrente liquidacionista, e agora produziu-se a cisão com o grupo Golos, que violou todas as suas obrigações e se passou definitivamente para os liquidadores.

Seja quem for que diga conscientemente “o trabalho conjunto é impossível”, tenha meditado nessa afirmação e compreendido os princípios básicos, deveria inevitavelmente dirigir toda a sua atenção e esforços para explicar os princípios básicos às mais amplas massas,  poupando-as tão cedo e tão plenamente quanto possível de todas as tentativas fúteis e prejudiciais de manter qualquer relação com aqueles com quem é impossível trabalhar. Mas quem faça essa afirmação e ao mesmo tempo acrescente “não pensamos” que irá haver uma cisão, “mas não teríamos medo dela”, revela pela sua linguagem confusa e tímida que tem medo de si próprio, está assustado com o passo que deu, assustado pela situação criada! O folheto dos conciliadores produz exactamente essa impressão, estão ansiosos por se justificar de alguma coisa, ansiosos por parecerem “gentis” aos olhos de alguém, piscam o olho a alguém... Adiante veremos o significado do piscar de olhos ao Vperyod e Pravda. Antes, porém, devemos terminar a questão de como os conciliadores interpretam o “resultado do período decorrido desde o plenário”, o resultado que foi apurado pela Reunião dos membros do CC [12].

É realmente necessário compreender este resultado, compreender por que foi inevitável, caso contrário a nossa participação nos acontecimentos seria espontânea, impotente, acidental. Observe-se como o compreendem os conciliadores. Como respondem à pergunta por que razão do trabalho do plenário e das suas resoluções, visando a união, resultou uma cisão entre o BCCE (=liquidadores) e os anti-liquidadores. A resposta dos nossos trotskistas inconsistentes foi simplesmente copiada de Trotski e Iónov, e sou forçado a repetir o que disse em Maio passado  [13] contra esses conciliadores consistentes.

Resposta dos conciliadores: a culpa é do fraccionismo, o fraccionismo dos mencheviques, do grupo Vperiod e do Pravda (enumeramos os grupos fraccionistas pela ordem em que aparecem no folheto) e, por último, dos “representantes oficiais do bolchevismo” que “provavelmente ultrapassaram todos esses grupos nos seus esforços fraccionistas”. Os autores do folheto aplicam abertamente e sem apelo o termo não-fraccionistas apenas a si próprios, os conciliadores de Paris. Todos são maus; eles são virtuosos. Os conciliadores não apresentam quaisquer razões ideológicas para explicar o fenómeno em questão. Não assinalam nenhuma particularidade organizativa dos grupos, ou outras características, que tivessem dado origem a esse fenómeno. Não dizem nada, nem uma palavra, para explicar o assunto, excepto que fraccionismo = perversidade e não-fraccionismo = virtude. A única diferença entre Trotski e os conciliadores de Paris é que os últimos consideram Trotski um fraccionista e consideram-se a  si próprios não-fraccionistas, enquanto Trotski mantém a visão oposta.

Devo confessar que esta formulação da questão – a explicação dos fenómenos políticos apenas pela iniquidade de alguns e pela virtude de outros -- sempre me evoca essas fisionomias que exibem uma tal pose bondosa que não se pode deixar de pensar: “provavelmente é um trapaceiro”.

Consideremos a seguinte comparação: os nossos conciliadores são não-fraccionistas, são virtuosos, Nós, os bolcheviques, ultrapassamos todos os grupos nos esforços fraccionistas, ou seja, somos os mais perversos. Portanto, a fracção virtuosa apoiou os mais perversos, a fracção bolchevique na sua luta contra o BCCE! Há algo de errado nisto, camaradas! Com cada nova afirmação vocês ainda se embrulham cada vez mais e mais.

Vocês tornam-se ridículos quando, como Trotski, lançam acusações de fraccionismo uns aos outros, como se estivessem a jogar à bola; não se dão sequer ao trabalho de pensar: o que é uma fracção? Tratem de defini-la, e prevemos que irão enredar-se ainda mais, porque vocês mesmos constituem uma fracção -- uma fracção vacilante, sem princípios, que não conseguiu entender o que aconteceu no plenário e depois dele.

Uma fracção é uma organização dentro de um partido, unida, não pelo seu local de trabalho, idioma ou outras condições objectivas, mas sim por uma plataforma particular de concepções sobre questões partidárias. Os autores do folheto constituem uma fracção, porque o folheto constitui a sua plataforma (muito ruim, mas há fracções com plataformas erradas). São uma fracção, porque, como qualquer outra organização, estão ligados por disciplina interna; o vosso grupo nomeia o seu representante para a Comissão Técnica e para a Comissão Organizadora por maioria de votos; o grupo elaborou e publicou o folheto, a plataforma, etc. Estes são os factos objectivos que apontam como hipócritas os que vociferam contra o fraccionismo. Tanto Trotski como os “trotskistas inconsequentes” sustentam que não são uma fracção porque... o seu “único” fim ao juntarem-se (numa fracção) é abolir as fracções, defender a sua união, etc., mas todas essas declarações são meros auto-elogios e um jogo cobarde de esconde-esconde, pela simples razão de que nenhum fim da fracção (mesmo o mais virtuoso) altera o facto de que a fracção existe. Toda a fracção está convencida de que a sua plataforma e a sua política são o melhor caminho para abolir fracções, pois ninguém considera como ideal a existência destas. A única diferença é que as fracções que têm uma plataforma clara, consequente e íntegra, defendem abertamente a sua plataforma, enquanto as fracções sem princípios se escondem atrás de gritos baratos sobre a sua virtude, sobre o seu não-fraccionismo.

Qual a razão da existência de fracções no POSDR? Elas existem como continuação da cisão de 1903-1905. São o fruto da debilidade das organizações locais, impotentes para impedir que os grupos de literatos que expressam novas correntes, grandes e pequenas, se convertam em novas “fracções”, isto é, em organizações nas quais a disciplina interna ocupa o primeiro lugar. Como garantir a erradicação das fracções? eliminando completamente a cisão do tempo da revolução (e isso apenas será conseguido limpando as duas principais fracções do liquidacionismo e otzovismo), e criando uma organização proletária tão forte que possa obrigar a minoria a submeter-se à maioria. Enquanto tal organização não existir, um acordo entre todas as fracções poderia acelerar o processo do seu desaparecimento. Daqui decorre, claramente, tanto o mérito ideológico do plenário quanto o seu erro conciliacionista. O seu mérito foi a rejeição das ideias do liquidacionismo e do otzovismo; o seu erro foi o acordo indiscriminado com pessoas e grupos, sem correspondência das promessas (as “resoluções assinadas”) com os actos. A aproximação ideológica com base na luta contra o liquidacionismo e o otzovismo segue em frente, apesar de todos os obstáculos e dificuldades. O erro conciliacionista do plenário [14] provocou inevitavelmente o fracasso das suas decisões conciliatórias, ou seja, o fracasso da aliança com o grupo Golos. A ruptura dos bolcheviques (e mais tarde do Encontro dos membros do CC) com o BCCE corrigiu o erro conciliacionista do plenário. A aproximação das fracções que estão efectivamente a combater o liquidacionismo e o otzovismo irá agora prosseguir apesar das formas decididas pelo plenário, pois estas formas não correspondem ao conteúdo. O conciliacionismo em geral, assim como o do plenário em particular, fracassou porque o conteúdo do trabalho separava os liquidacionistas dos social-democratas, e nenhuma forma, nenhuma diplomacia e nenhum jogo dos conciliadores podiam superar esse processo de separação.

A partir disto, e somente deste ponto de vista que expus em Maio de 1910, tudo o que aconteceu depois do plenário torna-se inteligível, inevitável, resultante não da “maldade” de alguns e da “virtude” de outros, mas do curso objectivo dos eventos, que isola a corrente liquidacionista e varre todos os grupos e grupitos intermédios.

A fim de dissimular o facto político indiscutível do completo fracasso do conciliacionismo, os conciliadores são forçados a recorrer à total distorção dos factos. Escute-se o que dizem: “A política fraccionista dos bolcheviques leninistas foi particularmente prejudicial porque contavam com a maioria em todas as principais instituições do partido, de modo que a sua política fraccionista justificou a separação orgânica das outras correntes e deu-lhes armas contra as instituições oficiais do partido”.

Esta tirada não é outra coisa senão uma “justificação” cobarde e tardia do... liquidacionismo, pois foram precisamente os representantes dessa corrente quem sempre invocaram o “fraccionismo” dos bolcheviques. Esta justificação é tardia porque era dever de todo o verdadeiro membro do partido (em contraste com pessoas que usam a palavra “pró-partido” para auto-propaganda) agir no momento em que esse “fraccionismo” começou, e não um ano e meio depois! Os conciliadores, defensores do liquidacionismo, não podiam e não falaram antes, porque não dispunham de factos. Estão-se a aproveitar do actual “período de perturbações” para pôr em relevo as afirmações infundadas dos liquidadores. Mas os factos são claros e inequívocos. Logo após o plenário, em Fevereiro de 1910, o senhor Pótresov desfraldou a bandeira do liquidacionismo. Também de seguida, em Fevereiro ou Março, os senhores Mikail, Roman e Iúri traíram o partido. Imediatamente depois, o grupo Golos iniciou uma campanha em favor do Golos (veja-se o que diz o Diário de Plekanov no dia seguinte ao plenário) e retomou a publicação do Golos. Também de seguida, o grupo Vperiod começou a organizar a sua própria “escola”. O primeiro passo fraccionista dos bolcheviques, pelo contrário, foi fundar a Rabotchaia Gazeta em Setembro de 1910, depois da ruptura de Trotski com os representantes do CC.

Por que precisam os conciliadores desta distorção de factos bem conhecidos? Para piscar o olho aos liquidadores, e obter a sua benevolência. Por um lado, “o trabalho conjunto com os liquidadores é impossível”. Por outro lado, o fraccionismo dos bolcheviques "justifica-os"! Perguntamos a qualquer social-democrata não contaminado pela diplomacia estrangeira, que confiança política se pode depositar em pessoas que se enredam em tais contradições? Tudo o que merecem são os beijos com os quais o Golos os recompensou publicamente e nada mais.

Os conciliadores chamam “fraccionismo” ao carácter implacável da nossa polémica (pela qual nos censuraram milhares de vezes nas assembleias gerais em Paris) e a nossa denúncia implacável dos liquidadores (eles eram contra a denúncia de Mikail, Iúri e Roman). Durante todo este tempo os conciliadores defenderam e encobriram os liquidadores, mas nunca se atreveram a defendê-los abertamente, quer no Diskussionnii Listok quer em qualquer apelo público impresso. Agora lançam a sua impotência e cobardia contra as rodas do partido, que começou a separar-se decididamente dos liquidadores. Estes dizem que não há liquidacionismo, que é um "exagero" por parte dos bolcheviques (ver a resolução dos liquidadores do Cáucaso [15] e os discursos de Trotski). Os conciliadores dizem que é impossível trabalhar com os liquidadores, mas... mas o fraccionismo dos bolcheviques os "justifica". Não é claro que o verdadeiro sentido desta ridícula contradição de juízos subjectivos é única e exclusivamente a defesa cobarde do liquidacionismo, o desejo de passar uma rasteira aos bolcheviques e apoiar os liquidacionistas?

Mas isto não é tudo. A pior e mais maligna distorção dos factos é a afirmação de que possuíamos a “maioria” nas “principais instituições do Partido”. Esta flagrante mentira tem apenas um propósito: encobrir o fracasso político do conciliacionismo. Pois na realidade, depois do plenário, os bolcheviques não tiveram a maioria em nenhuma das “principais instituições do partido”; a maioria tiveram-na precisamente os conciliadores. Desafiamos qualquer um a tentar contestar os seguintes factos. Depois do plenário, havia apenas três “principais instituições do partido”: (1) o Bureau do CC na Rússia, composto principalmente por conciliadores [16]; (2) o BCCE, no qual, de Janeiro a Novembro de 1910, os bolcheviques foram representados por um conciliador; como o bundista [17] e o letão adoptaram oficialmente o ponto de vista conciliacionista, a maioria, durante onze meses após o plenário, foi conciliadora; (3) a Redacção do órgão central, no qual dois "fraccionistas bolcheviques" foram combatidos por dois partidários do Golos, e sem o polaco não havia maioria.

Por que razão os conciliadores tiveram que recorrer a uma mentira deliberada? Pois, para esconder a cabeça, para encobrir a bancarrota política do conciliacionismo. O conciliacionismo predominou no plenário, teve a maioria após o plenário em todos os principais centros práticos do partido, e num ano e meio sofreu um fracasso total. Não conseguiu "reconciliar" ninguém; não criou nada em lugar algum; oscilou impotentemente de um lado para o outro, merecendo por isso, com toda a razão, os beijos do Golos.

Os conciliadores sofreram o mais rotundo fracasso na Rússia, e quanto mais zelo põem os conciliadores de Paris em demagogicamente se referirem à Rússia, tanto mais importante é sublinhar isso. A Rússia é conciliacionista em contraste com o estrangeiro: é esta a cantilena dos conciliadores. Comparem-se estas palavras com os factos, e ver-se-á que isso não é mais que demagogia oca e barata. Os factos mostram que, durante mais de um ano após o plenário, havia apenas conciliadores no Bureau do CC na Rússia; só eles faziam os relatórios oficiais sobre o plenário e negociavam oficialmente com os legalistas [18]; só eles designavam os seus agentes e enviavam-os às várias instituições; só eles lidavam com todos os fundos que lhes eram enviados sem discutir pelo BCCE; só eles negociaram com os escritores “russos” que lhes pareciam de capacidade promissora para a confusão (ou seja,  respeito pelo conciliacionismo), etc.

E qual foi  o resultado?

O resultado foi  nulo. Nem um único folheto, nem uma única declaração, nem um único órgão da imprensa, nem uma única “conciliação”. Enquanto isso, os “fraccionistas” bolcheviques após duas edições consolidaram a sua Rabotchaia Gazeta, publicada no estrangeiro (para não falar de outros assuntos sobre os quais apenas o Sr. Mártov fala abertamente, ajudando assim a polícia secreta). O conciliacionismo é uma nulidade, palavras, desejos ocos (e rasteiras ao bolchevismo com base nesses desejos "conciliatórios"); o bolchevismo “oficial” provou por actos que é absolutamente preponderante precisamente na Rússia.

É isto uma casualidade? O resultado de detenções? Mas as detenções “pouparam” os liquidadores, que não trabalhavam no partido, enquanto ceifavam bolcheviques e conciliadores.

Não, isto não é uma casualidade ou o resultado da sorte ou sucesso de certas pessoas. É o resultado do fracasso de uma corrente política baseada em falsas premissas. Os falsos fundamentos do conciliacionismo são: o desejo de construir a unidade do partido do proletariado pela aliança de todas as fracções, incluindo as fracções anti-social-democratas e não-proletárias; a ausência total de princípios da sua projecto-mania «unificadora» que não leva a nada; as suas falsas frases contra as “fracções” (quando, de facto, se formou uma nova fracção), frases impotentes para dissolver as fracções antipartido e que minam a fracção bolchevique que suportou nove décimos do peso da luta contra o liquidacionismo e o otzovismo.

Trotski fornece-nos uma abundância de exemplos de projecto-mania “unificadora” carente de princípios. Lembremo-nos, por exemplo (tomo um dos últimos exemplos), de como elogiou o Rabotchaia Jizn [19] de Paris, periódico cuja direcção era compartilhada em Paris pelos conciliadores e os Golos-istas. Sublime! -- dizia Trotski nos seus escritos -- "nem bolchevique, nem menchevique, mas social-democrata revolucionário". O pobre herói das frases só não percebeu uma mera bagatela: só é revolucionário o social-democrata que compreende o dano do pseudo-social-democratismo anti-revolucionário num dado país num dado momento, isto é, o dano do liquidacionismo e do otzovismo na Rússia de 1908-1911, e quem sabe lutar contra essas tendências não social-democratas. Ao beijar o Rabotchaia Jizn -- que nunca lutou contra os social-democratas não-revolucionários da Rússia -- Trotski não fez senão desmascarar o plano dos liquidadores a quem serve fielmente: a paridade no órgão central significa o cessar da luta contra os liquidadores; os liquidadores gozam efectivamente de total liberdade para lutar contra o partido, enquanto o partido deve ficar atado de pés e mãos no órgão central (e no CC) pela “paridade” entre os homens do Golos e os membros do partido. Isso asseguraria a vitória completa dos liquidadores e só os seus lacaios podiam propor ou defender um tal plano.

Vimos no plenário exemplos da projecto-mania “unificadora” de Iónov, Innokentiev e outros conciliadores; projectos sem princípios, que prometem paz e felicidade sem uma luta longa, tenaz e renhida contra os liquidadores. Vimos outro exemplo semelhante no folheto dos nossos conciliadores que justificam o liquidacionismo com base no “fraccionismo” bolchevique. Outro exemplo ainda: os seus discursos sobre o “isolamento” dos bolcheviques “de outras correntes (Vperiod, Pravda) que se situam no terreno do partido social-democrata ilegal”.

Os itálicos nesta notável tirada são nossos. Assim como uma pequena gota de água reflecte o sol, esta tirada reflecte a absoluta falta de princípios do conciliacionismo, que está na raiz de sua impotência política.

Em primeiro lugar: o Pravda e o Vperiod representam correntes social-democratas? Não, pois o Vperyod representa uma corrente não social-democrata (otzovismo e machismo [20]) e o Pravda representa um grupito que não deu respostas independentes e sólidas a nenhum problema de princípios importante da revolução e contra-revolução. Só se pode chamar corrente a uma soma de ideias políticas bem definidas definidas relativamente a todos os problemas mais importantes tanto da revolução (pois nos afastámos muito pouco dela e dependemos dela em todos os aspectos) como da contra-revolução; ideias que, além disso, provaram o seu direito à existência como uma corrente, devido à sua difusão entre as camadas mais amplas da classe trabalhadora. Que tanto o menchevismo quanto o bolchevismo são correntes social-democratas, provou-o a experiência da revolução, a história de oito anos do movimento da classe operária. Quanto aos pequenos grupos que não representam nenhuma corrente, houve-os a granel durante esse período, assim como os houve antes. Confundir uma corrente com grupitos significa condenar-se às intrigas na política do partido, já que o surgimento de grupitos sem princípios, a sua existência efémera, os seus esforços para dizer as “suas palavras”, as suas “relações” de uns com os outros como se fossem potências especiais, constituiem precisamente a base das intrigas vigentes no estrangeiro e delas não há nem pode haver salvação, a não ser por uma fidelidade rigorosa e firme aos princípios testados pela experiência na longa história do movimento da classe operária.

Em segundo lugar -- e aqui observamos imediatamente a transformação prática da falta de princípios dos conciliadores em intrigas – o folheto dos parisienses mente clara e deliberadamente quando diz que “o otzovismo já não tem adeptos nem defensores declarados no nosso Partido”. Isto não é verdade e toda a gente sabe isso. O n.º 3 do Vperiod, (Maio de 1911) refuta com clareza essa mentira quando afirma abertamente que o otzovismo é uma “corrente perfeitamente legítima dentro de nosso partido” (p. 78). Afirmarão os nossos sábios conciliadores que tal declaração não é uma defesa do otzovismo?

É quando as pessoas não podem justificar, baseando-se em princípios, a sua associação com este ou aquele grupito, que não têm outra saída senão recorrer a uma política de mentiras e adulação mesquinhas, de acenos furtivos e piscar de olhos, isto é, a tudo que somado produz o conceito de "intriga". O Vperiod elogia os conciliadores, os conciliadores elogiam o Vperiod e, enganando o partido, tranquilizam-no quanto ao otzovismo. Como resultado, há regateios e transacções sobre posições e cargos com os defensores do otzovismo, com os infractores de todas as decisões do plenário. O destino do conciliacionismo e a essência das suas impotentes e mesquinhas intrigas consiste em secretamente ajudar tanto os liquidadores quanto os otzovistas.

Em terceiro lugar, "... o trabalho conjunto com os liquidadores na Rússia é impossível". Até os conciliadores tiveram que admitir essa verdade. A questão é: os grupos Vperiod e Pravda reconhecem essa verdade? Não só não reconhecem como afirmam exactamente o contrário, exigem abertamente o "trabalho conjunto" com os liquidadores, e trabalham com eles abertamente (ver, por exemplo, o 2.º relatório da escola do Vperiod). Perguntamo-nos se existe mesmo um grão de fidelidade aos princípios e de honestidade na proclamação de uma política de aproximação a grupos que dão respostas diametralmente opostas a questões fundamentais, já que uma resolução explícita e aprovada por unanimidade pelo plenário reconheceu a questão do liquidacionismo como sendo fundamental. Está claro que não; está claro que estamos perante um abismo ideológico e que, todas as tentativas de colocar sobre ele uma ponte de palavras, diplomática, independentemente das melhores intenções de X ou Y, inevitavelmente os condenam a intrigas.

Enquanto não se mostrar e provar por factos fidedignos ​​e uma análise das questões mais importantes que Vperiod e Pravda representam correntes social-democratas (e ninguém, durante o ano e meio após o plenário tentou provar isso, porque é impossível provar), não nos cansaremos de explicar aos operários a nocividade desses subterfúgios sem princípios, de intrigantes, que são a essência da aproximação com o Vperiod e o Pravda pregada pelos conciliadores. É o primeiro dever dos social-democratas revolucionários isolar esses grupitos não social-democratas e sem princípios que estão a ajudar os liquidadores. Apelar aos trabalhadores russos vinculados ao Vperiod e Pravda, por sobre as cabeças destes grupos e contra eles: esta é a política que tem sido e está a ser aplicada pelo bolchevismo e que aplicará até ao fim, apesar de todos os obstáculos.

Disse que depois de ano e meio de domínio nos centros do partido o conciliacionismo sofreu o mais rotundo fracasso político. A réplica usual é: sim, mas isso é porque vocês, os fraccionistas nos estorvaram (veja-se a carta dos conciliadores – mas não bolcheviques -- Guermann e Arkadi [21] no Pravda, n.º 20).

A bancarrota política de uma tendência ou de um grupo reside justamente no facto de que tudo “a estorva”, tudo se opõe a ela; pois calculou equivocadamente este "tudo", pois tomou como base palavras vazias, suspiros, lamentações, gemidos.

No nosso caso, senhores, tudo e todos vieram em nosso auxílio, e nisto reside a garantia do nosso êxito. Fomos ajudados pelos senhores Pótresov, Larin, Levitski, que não conseguiam abrir a boca sem confirmar os nossos argumentos sobre o liquidacionismo. Fomos ajudados pelos senhores Mártov e Dan, porque obrigaram todos a concordar com a nossa apreciação de que o grupo Golos e os liquidadores são a mesma coisa. Fomos ajudados por Plekanov na medida em que desmascarou os liquidadores, apontou nas resoluções do plenário as "escapatórias para os liquidadores" (deixadas pelos conciliadores) e ridicularizou as passagens "pomposas" e "integralistas" (redigidas pelos conciliadores contra nós). Fomos ajudados pelos conciliadores russos cujo “convite” a Mikail, Iúri e Roman, foi acompanhado por ataques injuriosos a Lénine (ver Golos), confirmando assim que a refutação dos liquidadores não se devia à insídia dos “fraccionistas”. Como pôde acontecer, estimados conciliadores, que, apesar da vossa virtude, todos vos obstacularizaram, ao passo que todos nos ajudaram apesar da nossa maldade fraccionista?

Foi porque a política do vosso grupito dependia apenas de frases, muitas vezes muito benevolentes e bem intencionadas, porém vazias. À unidade só se pode chegar através da convergência de fracções fortes, fortes na sua integridade ideológica e na sua influência sobre as massas, comprovada pela experiência da revolução.

Mesmo agora, as vossas exclamações contra o fraccionismo continuam a ser meras frases, porque vós mesmos sois uma fracção, e certamente uma das piores, das menos seguras, das mais carentes de princípios. A vossa ensurdecedora e aparatosa declaração “nem um cêntimo para as fracções” (no Informatsionnii Biuletten), é uma mera frase. Se a dissesteis a sério, acaso poderíeis ter gasto os vossos “cêntimos” na edição de um folheto-plataforma de um novo grupito? Se a dissesteis a sério, acaso poderíeis ter ficado calados vendo os órgãos fraccionistas como Rabotchaia Gazeta e e o Dnievnik Sotsial-Demokrat? Não deveríeis vós ter exigido publicamente que fossem fechados? [22] Se tivésseis exigido isso, colocado tal condição seriamente, seríeis simplesmente ridicularizados. E se vós, estando bem cientes disso, vos limitais a lânguidos suspiros, não será que isso demonstra ainda mais uma vez que o vosso conciliacionismo está suspenso no ar?

O desarmamento das fracções só é possível na base da reciprocidade; caso contrário, é uma palavra de ordem reaccionária, extremamente prejudicial à causa do proletariado; é uma palavra de ordem demagógica, pois apenas facilita a luta implacável dos liquidadores contra o partido. Quem lança agora essa palavra de ordem, após a tentativa fracassada do plenário de aplicá-la, após as fracções Golos e Vperyod terem frustrado a tentativa de amalgamar (as fracções), quem faça isso sem se atrever sequer a repetir a condição de reciprocidade, sem sequer tentar apresentá-la com clareza e definir os meios de controlo sobre o seu cumprimento real, está simplesmente a embriagar-se com palavras que soam doces.

Bolcheviques, cerrai fileiras. Vocês são o único baluarte de uma luta coerente e resoluta contra o liquidacionismo e o otzovismo.

Aplicai a política de aproximação com o menchevismo anti-liquidacionista, uma política testada pela prática, confirmada pela experiência. É essa a nossa palavra de ordem. É uma política que não promete uma terra fluindo com o leite e o mel da “paz universal”, impossível de lograr em tempos de desorganização e dispersão, mas é uma política que no processo de trabalho realmente favorece a aproximação de correntes que representam tudo o que é forte, sólido e vital no movimento proletário.

O papel desempenhado pelos conciliadores durante o período de contra-revolução pode ser descrito da seguinte forma. Com grandes esforços, os bolcheviques empurram o carro do nosso partido subindo uma montanha íngreme. Os liquidadores do Golos estão a tentar com toda a força arrastá-lo novamente para baixo da montanha. No carro vai sentado um conciliador.  A sua expressão é terna, muito terna; o seu rosto doce, dulcíssimo como o de Jesus. Parece a própria encarnação da virtude. E, baixando modestamente os olhos enquanto ergue os braços ao céu, o conciliador exclama: “Eu te agradeço, Senhor, pois não sou como esses homens” – e aqui acena com a cabeça para os bolcheviques e mencheviques -- “pérfidos fraccionistas que impedem todo o progresso”. Mas o carro avança lentamente e nele vai sentado o conciliador. Quando os fraccionistas bolcheviques derrotaram o BCCE liquidacionista, abrindo caminho para a construção de uma nova casa, para um bloco (ou pelo menos uma aliança temporária) de fracções pró-partido, os conciliadores entraram na casa (insultando os fraccionistas bolcheviques) e aspergiram a nova morada com a água benta dos seus doces discursos sobre o não-fraccionismo!

*   *   *

Que teria sido da obra historicamente memorável do velho Iskra, se, em vez de empreender uma campanha consequente e implacável, baseada em princípios, contra o Economismo e o struvismo [23], tivesse concordado com algum bloco, aliança ou “fusão” de todos os grupos grandes e pequenos que eram na altura tão numerosos no estrangeiro como são hoje?

Certamente, as diferenças entre a nossa época e a época do velho Iskra aumentam consideravelmente o dano causado pelo conciliacionismo sem princípios e verborreico.

A primeira diferença é que alcançámos um nível muito mais alto no desenvolvimento do capitalismo e da burguesia, na clareza da luta de classes na Rússia. Existe já (pela primeira vez na Rússia) certo terreno objectivo para a política operária liberal dos senhores Pótresov, Levitski, Larin e C.ª. O liberalismo stolipiano dos cadetes e do partido trabalhista stolipiano já estão em processo de formação. Por isso tanto mais nocivas são na prática as frases e intrigas conciliacionistas com os grupitos no estrangeiro que apoiam os liquidadores.

A segunda diferença é o nível incomensuravelmente mais alto de desenvolvimento do proletariado, da sua consciência de classe e solidariedade de classe. Por isso é tanto mais nocivo ainda o apoio artificial dado pelos conciliadores aos grupitos efémeros no estrangeiro (Vperiod, Pravda, etc.), que não criaram nem podem criar qualquer corrente na social-democracia.

A terceira diferença é que durante o período do Iskra houve organizações clandestinas de Economistas na Rússia, que havia que derrotar e dividir para unir contra elas os social-democratas revolucionários. Hoje, não existem organizações clandestinas paralelas; hoje trata-se apenas de lutar contra grupos legais que se separaram. E este processo de segregação (mesmo os conciliadores são forçados a admitir isso) está a ser impedido pelo jogo político dos conciliadores com as fracções no estrangeiro que não desejam nem são capazes de trabalhar para que se trace uma linha de demarcação.

O bolchevismo "superou" a doença otzovista, a doença da frase revolucionária, o jogo do "esquerdismo", o desvio de esquerda da social-democracia. Os otzovistas começaram a actuar como fracção quando não era possível “revocar” os social-democratas da Duma.

O bolchevismo superará também a doença “conciliadora”, a oscilação na direcção do liquidacionismo (pois, na realidade, os conciliadores sempre foram um joguete nas mãos dos liquidadores). Os conciliadores também estão irremediavelmente atrasados. Começaram a actuar como fracção depois que o domínio do conciliacionismo tinha esgotado todos os seus recursos durante o ano e meio após o plenário, quando já não havia a quem conciliar.

P.S. O presente artigo foi escrito há mais de um mês. Critica a “teoria” dos conciliadores. Quanto à “prática” dos conciliadores, que se expressa nas querelas incorrigíveis, absurdas, mesquinhas e vergonhosas que enchem as páginas do Biulleten n.º 2 dos conciliadores e dos polacos, não vale a pena perder o tempo com isso.

Notas

[1] Boletim Informativo da Comissão Técnica no Estrangeiro. Foi publicado em Paris, em dois números (11 de Agosto e 28 de Outubro de 1911). Os conciliadores fizeram dele o seu órgão fraccionista, a partir do qual combateram sem escrúpulos os bolcheviques. – N. Ed.

[2] Ver: Lénine, Notas de um publicista, § II e O sentido histórico da luta interna do partido na Rússia, §4. -- N. Ed.
Diskussionnii Listok = Boletim de Debates: suplemento do Sotsial-Demokrat, órgão central do POSDR. Foi  editado en París  por resolucão do plenário do CC de Janeiro de 1910. A Redacção era composta por bolcheviques, mencheviques, ultimatistas, bundistas, plekanovistas, e membros da social-democracia polaca e letã. – N. T.

[3] Golos Sotsial-Demokrat = Voz Social-Democrata. Periódico dos mencheviques no estrangeiro; publicou-se de Fevereiro de 1908 até Dezembro de 1911, primeiro em Genebra e mais tarde em París. A sua Redacção era integrada por P. Axelrod, F. Dan, L. Mártov, A. Martinóv e G. Plekanov. Defendeu desde o primeiro número os liquidadores, justificando a sua actividade antipartidária. Quando Plekanov se retirou da Redacção, depois de condenar a posição liquidadora do periódico, este converteu-se definitivamente no centro ideológico dos liquidadores. – N.T.

[4] O grupo "Vperiod" (Avante!) era um grupo antibolchevique e antipartido dos otzovistas, ultimatistas, construtores de Deus e empiriocriticistas, constituído por iniciativa dos “bolcheviques” A. Bogdánov e G. Alexinski em Dezembro de 1909, quando se dissolveu a escola de Capri (ver nota 6). Editava un periódico com o nome do grupo.
A luta do grupo contra os bolcheviques caracterizou-se pela falta de princípios e por métodos pouco escrupulosos. No plenário de Janeiro de 1910 os membros do "Vperiod" mantiveram contacto estreito com os liquidadores do Golos e os trotskistas. Depois do plenário lançaram una violenta campanha contra as respectivas resoluções, negando-se subordinar-se a elas. Em Janeiro de 1912, na Conferência do POSDR em Praga, juntaram-se aos liquidadores e trotskistas contra as resoluções da Conferência. A sua actividade renhida contra o POSDR levou a que os trabalhadores abandonassem o grupo, que se disolveu em 1913.
Alexander Bogdánov foi um físico eminente que permaneceu fiel ao poder soviético e, entre outras contribuições, teve papel destacado na criação de centros de transfusão de sangue tendo sido director do Instituto Científico Estatal da Transfusão de Sangue de 1926 a 1928. Morreu em 1928 ao experimentar uma transfusão de sangue em si próprio. G. Alexinski, pelo contrário, difamou Lénine e os bocheviques, passou para o lado contra-revolucionário e fugiu em 1918 para o estrangeiro onde integrou o campo aultra-reaccionário. – N.T.

[5] Nasha Zariá (A Nossa Aurora) revista mensal menchevique de tendêneia liquidacionista que apareceu legalmente em S. Petersburgo de Janeiro de 1910 a Setembro de 1914, dirigida por A. Potrésov com colaboração de F. Dan e outros. Foi o centro dos liquidadores na Rússia. – N.T.

[6] Lénine refere-se à escola de Capri, estabelecida em 1909 e organizada por A. Bogdánov, que foi o centro fraccionista dos otzovistas e ultimatistas. – N.T.

[7] P. Stolipin foi PM do governo contra-revolucionário russo de 1906 a 1911. Era um monarquista “liberal” que tinha o apoio da nobreza, dos latifundiários, e da alta burguesia. Lénine refere-se ao facto de que os liquidadores, encabeçados por A. Potrésov, E. Smirnov (Gurevitch), I. Larin, V. Levitski (V. Tsederbaum, irmão de Martov) e outros consituiram a fracção “social-democrata” dos liquidadores que condenava as lutas dos trabalhadores e defendia entendimentos com a burguesia e uma existência legal de “paz social” que servia os interesses do governo czarista de Stolipin. – N.T.

[8] Grupo menchevique encabeçado por G. Plekanov que, já no plenário de Janeiro de 1910, advogou o entendimento prático com os bolcheviques (ver nota 3). – N.T.

[9] Ionov (F. M. Koigen) era um dos líderes do Bund. O Bund era uma organização dos trabalhadores judeus na Lituânia, Polónia e Rússia filiada no POSDR que a partir de 1906 aderiu aos mencheviques. Tomava posições nacionalistas. - N. T.

[10] No original, формы (formy) plural de форма (forma). A tradução literal “formas” é a que consta nas traduções deste artigo em espanhol, italiano e inglês nas respectivas obras completas de Lénine e é também a que adoptámos. Segundo se depreende, por “formas do partido” eram entendidas aqui as duas principais “formas” do partido: bolcheviques e mencheviques. - N. T.

[11] O II Grupo de colaboradores do POSDR em Paris foi formado em 18 de Novembro, 1908. Em 1911 o II Grupo de Paris era composto por  mais de 40 pessoas. A maioria eram bolcheviques (Lénine, Krúpskaia, Semashko, Vladimirski, etc.); havia também conciliadores e alguns membros do grupo Vperiod. O grupo estava ligado às organizações do partido na Rússia às quais prestava colaboração, e lutou contra os liquidacionistas e trotskistas. Na reunião de 1 de Julho, presidida por Vladimirski, foi discutida a situação interna do partido. Por 27 votos contra 10 o grupo aprovou uma resolução preparada por Lénine. - N. T.

[12] O obstrucionismo ilegal do Bureau do CC no Estrangeiro à convocação de um plenário do CC e conferência do partido, levou Lénine a convocar uma reunião dos membros do CC do POSDR residentes no estrangeiro, que veio a decorrer em Paris de 10 a 17 de Junho. Participaram bolcheviques, representantes dos social-democratas polacos e letões, um membro do Golos e um do Bund. Foram aprovadas convocações de um plenário do CC no estrangeiro (no mais curto prazo) e de uma conferência do partido, e outras resoluções.

[13] Lénine, Notas de um publicista, § II, 7 de Junho de 1910. - N. Ed.

[14] Diskussionnii Listok n.º 2. Ver: Lénine, Notas de um publicista, § II, 7 de Junho de 1910. - N. Ed.

[15] Lénine refere-se à resolução "Sobre o liquidacionismo", adoptada na Conferência de Liquidadores de Trascaucásia, na primavera de 1911. A natureza antipartidária dessa Conferência foi revelada em "Carta do Cáucaso”, de Estáline, publicada em Sotsial-Demokrat, n.º 24, de 31 de Outubro de 1911. - N. Ed.

[16] Claro que nem todos os conciliadores são iguais. E certamente, nem todos os ex-membros do Bureau russo podem (nem desejam) assumir a responsabilidade pelos disparates dos conciliadores de París, simples imitadores de Trotski. Lénine.

[17] Membro do Bund, organização dos trabalhadores judeus na Lituânia, Polónia e Rússia que se filiou no POSDR e a partir de 1906 aderiu aos mencheviques. Tomava posições nacionalistas.

[18] Outra designação dos liquidadores que, em plena contra-revolução, defendiam limitar o POSDR a actividades legais, essencialmente na Duma e nos seus jornais que não incomodavam as autoridades czaristas. - N.T.

[19] Rabochaia Jizn, Vida Operária: publicação mensal dos mencheviques, partidários de Golos e conciliadores. Publicou-se em Paris em tres números de 6 de Março a 1 de Maio de 1911. - N.Ed.

[20] “Machismo” designa a filisosofia empriocriticista do físico Ernst Mach que Lénine analisou em detalhe no seu livro Materialismo e Empiriocriticismo. Comentários críticos sobre uma filosofia reaccionária, escrito em 1908. Nele expõe o conteúdo idealista do empriocriticismo de Mach e de outros. - N.T.

[21] Guermann—K. K. Danichevski, Arkadi—F. I. Kalinine. - N.Ed.

[22] Na verdade, os conciliadores de Paris que publicaram agora o seu folheto, estavam contra a fundação do Rabotchaia Gazeta e retiraram-se na primeira reunião para que foram convidados pela Redacção. Lamentamos que não nos tenham ajudado a desmascarar a futilidade do conciliacionismo denunciando publicamente o Rabotchaia Gazeta. – Lénine.

[23] Designação da distorção liberal-burguesa do marxismo de P. Struve, um social-democrata russo defensor do "marxismo legal" que se juntou aos cadetes de direita em 1905, tornando-se mais tarde um monarquista.