domingo, 2 de setembro de 2018

A Guerra Civil na Rússia (1918-1922) – Parte V | The Russian Civil War (1918-1922) – Part V



-- Um Balanço

*** Fim da série Guerra Civil ***
-- An Accounting

*** End of the Civil War series ***

Um Balanço

Nos mais de três anos de guerra civil na Rússia (de Junho de 1918 a Outubro de 1922), com sangrenta intervenção e invasão imperialista, sobressaem os seguintes aspectos (ver nosso estudo anterior: Parte I, Parte II, Parte III, Parte IV) que justificam a importância de estudar essa primeira e grave provação que teve de enfrentar o primeiro estado socialista:

-- A guerra civil representou um espantoso sacrifício para o povo russo: 7.000.000 de homens, mulheres e crianças russas mortas em batalhas e vítimas de fome e doenças motivadas pela guerra imposta à RSFSR; perdas materiais (estimadas mais tarde pelo governo soviético) de 60.000.000.000 US$ (cerca de 0,74 milhões de milhões de US$ de 2017), uma quantia muito superior à dívida czarista aos aliados. Nenhuma reparação foi paga pelos invasores.

-- A guerra civil não teria tomado as proporções que tomou se não fosse a intervenção es-trangeira que envolveu avultados financia-mentos e fornecimentos de material bélico dos principais estados imperialistas (Grã-Bretanha, França, EUA, Japão) e exércitos destes estados e seus apêndices, num total de 14 estados!

-- A demonstração de que a guerra civil não teria tomado as proporções que tomou assenta no facto da esmagadora maioria das massas populares apoiar o regime soviético – conforme demonstraram os resultados das eleições para os sovietes -- e o PCR(b) -- conforme demonstrou o seu grande crescimento durante esses anos -- ao ponto de determinar que em condições muito difíceis, com a grave penúria de alimentos herdada da 1.ªGM, uma RSFSR muito mais fraca e com muito menos recursos que os imperialistas vencesse a guerra. O apoio esmagador das massas populares não fraquejou mesmo nos momentos mais difíceis, quando já os media imperialistas anunciavam a derrota eminente da RSFSR. Pelo contrário, aumentou.

-- Em defesa dos seus lucros – presentes e futuros -- os imperialistas gastaram dos erários públicos pelo menos o equivalente a 60 mil milhões de US$ de 2017, assim distribuídos (fontes indicadas em artigos anteriores e em [1], Parte I):
An Accounting

In more than three years of civil war in Russia (from June 1918 to October 1922), with bloody imperialist intervention and invasion, the following aspects stand out (see our previous study: Part I, Part II, Part III, Part IV) which justify the importance of studying this first and serious ordeal that the first socialist state had to cope with:

-- The civil war amounted to an appalling sacrifice for the Russian people: 7,000,000 Russian men, women and children killed in battles and victims of famine and diseases as consequences of the war imposed upon the RSFSR; material losses (later estimated by the Soviet government) of US$ 60,000,000,000 (about US$ 0.74 billion of 2017), an amount much higher than the tsarist debt to the allies. No reparations were paid by the invaders.

-- The civil war would not have taken the proportions it took had it not been for foreign intervention involving massive funding and supplies of war material from the main imperialist states (Great Britain, France, USA, and Japan) and armies of these states and of their appendages, in a total of 14 states!

-- The demonstration that the civil war would not have taken the proportions it took is based on the fact that the overwhelming majority of the masses supported the Soviet regime -- as showed by the results of the Soviet elections -- and the RCP(B) -- as demonstrated by its big growth during those years -- to the point of determining that under very difficult conditions, with the severe shortage of food inherited from WWI, a far more weaker RSFSR, with much less resources than the imperialists, won the war. The overwhelming support of the masses did not falter even in the most difficult moments, when the imperialist media had already announced the imminent defeat of the RSFSR. On the contrary, it has increased.

-- In pursuance of their profits -- present and future -- the imperialists have spent at least the equivalent to US$ 60 billion of 2017, distributed as follows (sources indicated in previous articles and in [1], Part I):



País
Country
Motivo
Purpose
Ano
Year
Verba em milhões de US$
Amount in US$ million
Verba equivalente em milhões de US$ de 2017
Equivalent amount in US$ million of 2017
GBR
Pagamento ao CNCz (legião checa)
Payment to the CzNC (Czech legion)
1918
0,379
0.379
6
GBR
Exércitos intervencionistas e Brancos
Interventionist and White armies
< 1919-09
441
6 300
GBR
Exército intervencionista no Noroeste
Nrthwest interventionist army
1920
65,5
808
FRA
Pagamento ao CNCz (legião checa)
Payment to the CzNC (Czech legion)
1918
1,54
1.54
25
FRA
Financiamento de Denikin
Financing of Denikin
1919
154
2 200
FRA
Equipamento do exército de Haller
Equipment of Haller’s army
1920
24,6
24.6
304
USA
Exército intervencionista na Sibéria
Interventionist army in Siberia
1919-21
3 000
43 000
USA
Pagamentos aos exércitos brancos pelo American Relief Administration
Payments to the White Armies by the American Relief Administration
1919-22
94,9
1 300
JPN
Exército intervencionista na Sibéria
Interventionist army in Siberia
1919-22
440
6 100
TOTAL

60 043


-- Dizemos «pelo menos» porque a tabela acima não contabiliza todos os gastos, os governos imperialistas fizeram segredo de muitos gastos escondendo dos povos a amplitude do assalto pelos grandes capitalistas aos cofres públicos, e porque o equivalente do US$ de 2017 usando a depreciação por inflação tende a subestimar o valor relativo do material bélico e dos transportes para esses anos.

-- Quanto aos lucros presentes dos imperia-listas, eles eram enormes porque a Rússia cza-rista era uma semi-colónia dos seus interesses financeiros. Três de muitos factos ([1]): os in-vestimentos britânicos e franceses na Rússia em 1918 eram de cerca de 8 mil milhões de US$ (cerca de 130 mil milhões de US$ de 2017); a Royal Dutch Shell possuía várias companhias de petróleo no Cáspio, Cáucaso, etc.; o presidente americano Herbert Hoover possuía várias com-panhias de petróleo na região de Maikop e, associado a um milionário britânico, explorava concessões de madeiras e minerais nos Urais e Sibéria no valor total de mil milhões de US$ em 1917 (cerca de 19 mil milhões de US$ de 2017) quando foram confiscadas pelo governo sovié-tico. Na Conferência de Paz de Paris Hoover disse “O bolchevismo é pior que a guerra!” e permaneceu um inimigo destacado do governo soviético.

-- Quanto aos apetites de lucros futuros – que já referimos na Parte II --, alguns factos mais ([1]): quando as tropas anglo-francesas invadiram a Sibéria, um boletim dos industriais britânicos publicou: «Sibéria, o prémio mais gigantesco oferecido ao mundo civilizado desde a desco-berta das Américas!»; quando as tropas aliadas ocuparam Baku uma revista britânica de negó-cios declarou entusiasmada: «Se o petróleo é rei, Baku é o seu trono!»; em plena invasão pelo Japão, o jornal Negociante Japonês escreveu em êxtase: «A Rússia, com ... possibilidades de mercado como os mais optimistas não ousavam sonhar … a Rússia, potencialmente e realmente -- os cereais, as pescas, as madeiras, o carvão, o ouro, a prata e a mina de platina do mundo!».

-- Os imperialistas financiaram as mais sinistras figuras militares, sádicos cruéis responsáveis pelas maiores barbaridades, e enviaram tropas a combater a seu lado. Financiaram também che-fes e organizações terroristas. Os generais bran-cos e seus oficiais procuraram restaurar a sua própria Grande Rússia, os seus latifúndios, lucros e privilégios de classe. De [1]: «os Exércitos Brancos eram esmagadora-mente dominados por reaccionários, protótipos dos oficiais fascistas e aventureiros que mais tarde surgiriam na Europa Central».

-- Durante a guerra civil os partidos men-chevique e SR, socialistas apenas em palavras, desencadearam acções que objectivamente favoreceram os generais brancos e/ou os inter-vencionistas, chegando mesmo a aliar-se abertamente a eles e a apoiar acções terroristas. Desacreditaram-se, assim, completamente pe-rante o povo russo, o que precipitou a sua auto-extinção e a fuga dos seus principais chefes para o estrangeiro.

-- A vitória do Exército Vermelho representou a vitória do socialismo emergente na RSFSR, no plano militar e também nos planos organizativo e económico. Basta atentarmos nas enormes dificuldades de, numa RSFSR devastada, orga-nizar e armar um novo exército (o antigo estava desintegrado), e transportá-lo para várias frentes distantes. Deverá também ter-se em conta a difí-cil e complexa questão de alimentar o exército e a população civil numa situação de grande penú-ria de alimentos, de assaltos a transportes e de boicotes e sabotagens de kulaks. Tudo isto exigiu um enorme esforço de planeamento central e o empenho democrático de um enorme número de organizações soviéticas locais.

-- A vitória do Exército Vermelho sobre os seus inimigos representou também uma vitória internacional da luta dos povos pela democracia e socialismo.

-- Trotski teve um papel importante na organização do Exército Vermelho e na mobilização de trabalhadores para a defesa de Petrogrado (Parte III), reconhecido pelo CC do PCR(b). Contudo, Trotski também revelou como Comissário da Guerra atitudes e comporta-mentos nocivos. Trotski tinha uma atitude eli-tista que o levava a desprezar os quadros saídos do povo. No 8.º Congresso do PCR(b) foi criticado por muitos delegados «pelos seus modos ditatoriais, a sua atitude escarnecedora para com os trabalhadores da frente e falta de vontade em ouvi-los, pela sua adoração dos especialistas [militares, ex-oficiais czaristas] e a sua torrente de telegramas irreflectidos, envi-ados por cima de  comandantes e estados-mai-ores, alterando directivas e causando confusão sem fim». A compreensão de Trotski das ques-tões militares era reduzida, pelo que confiava tais assuntos a altos oficiais czaristas, muitos dos quais se revelaram traidores. Cometeu vários erros graves de apreciação da situação militar – alguns dos quais já descrevemos -- e traçou planos irrealistas e aventureiros. Pior do que isso, recusou-se a admitir os seus erros e a acatar decisões maioritárias.

-- Estaline é o dirigente do PCR(b) que justamente mais sobressai da guerra civil, reconhecido como um chefe de elevadas qualidades políticas e militares. A sua actividade foi enorme e insubstituível: defendeu com sucesso Tsaritsine logo no início da guerra em 1918, resolvendo pela primeira vez, numa situação crítica e muito difícil, a questão crucial do transporte de alimentos do Sul para o Norte e dos abastecimentos ao Exército Vermelho; pro-moveu com acerto vários chefes militares oriundos do povo, que se revelaram de elevada qualidade e viriam também a ter papel impor-tante na 2.ª GM, como Budionny e Voroshilov; ajudou a organizar novas unidades militares bem preparadas e motivadas; teve um papel de destaque no diagnóstico das derrotas face a Koltchak (Perm) e na determinação de medidas para inverter a situação; todas as suas propostas de planos militares foram adoptadas pelo CC, nomeadamente o plano que levou à vitória sobre Denikin em 1919; teve papel de relevo nas operações bem sucedidas na Frente Sul de 1919, 1920 e 1921; liquidou perigosas organizações contra-revolucionárias em Tsaritsine, Petrogrado e outros locais; teve papel destacado na primeira derrota de Yudenitch às portas de Petrogrado; etc. Ao contrário de Trotski, Estaline participou pessoalmente nas operações militares, estando presente junto das tropas combatentes em Tsaritsine e em Petrogrado, analisando in loco o decorrer dos combates e acertando em reuniões com estados-maiores, muitas vezes alargadas com quadros menores, a progressão das opera-ções. Estaline mostrou ser um chefe firme, com grande capacidade organizativa e de trabalho, que analisava as situações com realismo, que ouvia o povo e cumpria o que prometia. A gran-de experiência que Estaline adquiriu durante a guerra civil foi sem dúvida de grande valor na forma como, tendo-o como chefe político e mili-tar, a URSS veio a derrotar o nazismo na 2.ªGM.
-- We say "at least" because the above table does not account for all expenditures, the imperialist governments made secrecy of many expenses, hiding from the peoples the extent of the assault by the big capitalists to the public coffers, and because the US$ 2017 equivalent using the depreciation due to inflation tends to underestimate the relative value of war materials and transports for those years.

-- As regards the present profits of the imperialists, they were enormous because tsarist Russia was a semi-colony of their financial interests. Three of many facts ([1]): British and French investments in Russia in 1918 were about US$ 8 billion (about US$ 130 billion of 2017); Royal Dutch Shell owned several oil companies in the Caspian, Caucasus, etc.; US President Herbert Hoover owned several oil companies in the Maikop region and, in association with a British millionaire, explored timber and minerals concessions in the Urals and Siberia of a total value of US$ 1 billion in 1917 (about US$ 19 billion of 2017) when they were confiscated by the Soviet government. At the Paris Peace Conference Hoover said that "Bolshevism is worse than war!" and remained a prominent enemy of the Soviet government.

-- As for the appetites for future profits -- which we have already discussed in
Part II -- a few more facts ([1]): when Anglo-French troops invaded Siberia, a bulletin of British industrialists published: "Siberia, the most gigantic prize offered to the civilized world since the discovery of the Americas!"; when Allied troops occupied Baku a British business magazine declared enthusiastically: "If oil is king, Baku is its throne!"; in the midst of the invasion by Japan, the Japanese Salesman wrote ecstatically: "Russia, with ... market possibilities such as even the most optimistic dared not dream of .... Russia, potentially and actually -- the granary, the fishery, the lumber-yard, the coal, gold, silver and platinum mine of the world!"

-- The imperialists financed the most sinister military figures, cruel sadists responsible for the greatest barbarities, and sent troops to fight alongside them. They also financed terrorist leaders and organizations. The White generals and their officers sought to restore their own Great Russia, their landed estates, profits, and class privileges. From [1]: "the White Armies were overwhelmingly dominated by reactionaries who were the prototypes of the fascist officers and adventurers who were later to emerge in Central Europe."


-- During the civil war the Menshevik and SR parties, socialist solely in words, unleashed actions that objectively favored the White and / or the interventionist generals, even openly sizing with them and supporting terrorist actions. They thus completely disowned themselves before the Russian people, and this precipitated their self-extinction and the flight abroad of their main leaders.

-- The victory of the Red Army represented the victory of emerging socialism in the RSFSR, at the military level and also at the organizational and economic levels. One only needs to look at the enormous difficulties of organizing and building a new army (the old one had disintegrated) in a devastated RSFSR, and transporting it to several distant fronts. One should also take into account the difficult and complex issue of feeding the army and the civilian population in a situation of huge shortage of food, assaults of transports and boycotts and sabotage of kulaks. All of this required a major central planning effort and the democratic commitment of a large number of local Soviet organizations.

-- The victory of the Red Army over its enemies also represented an international victory of the peoples’ struggle for democracy and socialism.

-- Trotsky played an important role in organizing the Red Army and mobilizing workers for the defense of Petrograd (
Part III), recognized by the CC of the RCP(B). However, Trotsky also revealed as Commissar for War attitudes and behavior that were harmful. Trotsky had an elitist attitude that led him to despise the cadres arising out of the people. He was criticized by many delegates at the 8th Congress of the RCP(B) “for his dictatorial manners, his scornful attitude to the front workers and his unwillingness to listen to them, for his adoration of the [military] specialists [ex-tsarist officers], and his torrent of ill-considered telegrams, sent over the heads of commanders and staffs, changing directives and causing endless confusion.” Trotsky's understanding of military matters was limited, and he entrusted such matters to senior tsarist officers, many of whom came to reveal themselves as traitors. He made various mistakes of appreciation of the military situation – some of the mistakes we have already described -- and defended unrealistic and adventurous plans. Worse than that, he refused to admit his mistakes and to accept majority decisions.

-- Stalin is the leader of the RCP(B) who rightly stands out from the civil war, recognized as a chief of high political and military qualities. His activity was enormous and irreplaceable: he successfully defended Tsaritsyn early in the war, in 1918, working out for the first time, in a critical and very difficult situation, the crucial issue of transporting food from the South to the North and supplies to the Red Army; he promoted with success several military leaders from the people, who proved to be of high quality and would also play an important role in WWII, such as Budionny and Voroshilov; he helped to organize new well-prepared and motivated military units; he played a prominent role in the diagnosis of defeats against Kolchak (Perm) and in the determination of measures to reverse the situation; all his proposals of military plans were adopted by the CC, namely the plan that led to the victory over Denikin in 1919; he played a major role in the successful operations on the South Front in 1919, 1920 and 1921; he liquidated dangerous counterrevolutionary organizations in Tsaritsyn, Petrograd and elsewhere; he played a leading role in the first defeat of Yudenitch at the gates of Petrograd; etc. Unlike Trotsky, Stalin did personally participate in military operations, standing with the troops engaged into fights in Tsaritsyn and Petrograd, analyzing on the spot the course of the fighting, and adjusting – in meetings with military staffs, often enlarged with lower cadres -- the progression of the operations. Stalin proved to be a firm leader, with great organizational and work capacity, who analyzed the situations with realism, who listened to the people and fulfilled what he promised. The great experience that Stalin acquired during the civil war was undoubtedly of great value in the way as the USSR, having him as political and military leader, came to defeat Nazism in the Second World War.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Síria: O erro que cometemos | Syria: The mistake we made

Em Março de 2013 apresentámos uma falsa narrativa do que ocorria na Síria, numa altura em as principais fontes de informação ao nosso alcance defendiam a tese da revolução no âmbito da chamada «Primavera Árabe» veiculada por alguns grupos de «esquerda».

A partir dessa data fomos ficando cada vez melhor informados por repórteres internacionais que visitaram a Síria e observaram a situação no local, revelando o que efectivamente se passava. Tornou-se cada vez mais claro que quaisquer grupúsculos de esquerda que houvesse na Síria clamando por revolução eram manipulados pelos terroristas -- que desencadearam o conflito armado -- e pelos seus mentores imperialistas. A existência dessa pseudo-revolução democrata serviu de pretexto à intervenção dos imperialistas. O pretexto era ajudar os «democratas» para o que financiaram contra o governo de Assad os terroristas da Al-Qaeda, Al-Nusra, ISIS, etc.

Em suma, desde o princípio, a «revolução» Síria, tal como a da Líbia, foram operações planeadas nos think-tanks dos serviços secretos imperialistas. A própria ideia de «Primavera Árabe» está agora definitivamente desacreditada, tendo-se chegado à conclusão da falsidade da tese da revolução na maioria se não mesmo em todos os casos da «Primavera».

O que escrevemos em 2013 sobre a Síria, foi induzido pela única informação que obtivemos na altura: as mentiras dos imperialistas e as meias-verdades e mesmo informação errada veiculada de fontes trotskistas.

Deixamos abaixo a indicação de dois vídeos recentes de interesse sobre a Síria.
We presented a false narrative of what was happening in Syria in March 2013, at a time when the main sources of information within our reach endorsed the thesis of a revolution under the so-called "Arab Spring" conveyed by some "left" groups.

Since that time we were becoming better and better informed by international reporters who visited Syria and observed the situation on the spot, revealing what was actually happening. It became increasingly clear that any small left-wing groups in Syria clamoring for revolution were manipulated by the terrorists -- who unleashed the armed conflict -- and by their imperialist mentors. The existence of this democratic pseudo-revolution served as a pretext for the intervention of the imperialists. The pretext was to aid the "democrats" and with that goal they financed the terrorists of Al-Qaeda, Al-Nusra, ISIS, etc., against the government of Assad.

In short, from the outset, the Syrian “revolution”, like that of Libya, were operations planned by think tanks of the imperialist secret services. The very idea of ​​“Arab Spring” is now definitively discredited, and the falsity of the thesis of revolution in most if not in all cases of the “Spring” has been concluded.

What we wrote in 2013 about Syria was induced by the only information we got at the time: the lies of the imperialists and the half-truths and even misinformation conveyed from Trotskyist sources.

We have listed below two recent videos of interest on Syria.


Vanessa Beeley & Alison Banville Destroy Regime Change Promoter:

Eva Bartlett Exposes the Lies on Syria:

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

O «Avante!» está bom e recomenda-se


Quem pense que o semanário Avante! é um mero veículo de propaganda facciosa que só interessa aos comunistas, está muito enganado.

Não se encontra no Avante! nada de propaganda facciosa. O seu conteúdo, os seus artigos de qualidade, de análise de questões nacionais e internacionais, baseados em dados objectivos e reveladores de uma postura de honestidade intelectual que preza a verdade e o rigor científico, são de molde a interessar não só os comunistas mas todos os que anseiam por uma compreensão liberta dos estereótipos e mentiras sistemáticas dos meios de (des)informação dominantes, em prol da construção de sociedades mais justas e de um futuro livre de exploração, miséria e guerras, filhas da ganância do lucro de uns poucos.

Tomemos com exemplo o Avante! do passado 16 de Agosto. O que encontramos nele? Encontramos:

-- Artigos informativos sobre lutas dos trabalhadores. Nestes artigos são explicadas as causas da luta e a justeza e realismo das reivindicações. Aliás o Avante! é insubstituível nestes esclarecimentos, já que o PCP é o partido de vanguarda dos trabalhadores. Na edição de 16 de Agosto são discutidas as greves na Barraqueiro (Grupo EVA), as lutas dos enfermeiros, a luta bem sucedida liderada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Centro que resultou na integração de 81 trabalhadores que estavam com vínculos precários, a greve dos trabalhadores do SUCH, a greve histórica na Ryanair, etc.

-- Artigos de análise de grandes questões do país que pedem resposta urgente. Salienta-se na edição de 16 de Agosto os artigos sobre as seguintes questões:
1 - A profunda degradação do transporte ferroviário, fruto de brutais desinvestimentos a que os governos anteriores e presente votaram a CP e também fruto de políticas da UE de favorecimento de grandes corporações.
2 - A perniciosa lei de transferência de competências e finanças locais, à qual o PCP se opôs, que resultou de um acordo entre PS e PSD. O artigo explica porque razão é perniciosa.
3 - A degradação das capacidades das nossas Forças Armadas, resultantes da sua conversão em mero apêndice e «pau para toda a obra» da NATO. O título do artigo refere que essa degradação «adensa motivos de preocupação» e o texto explica porquê.
4 – «Por mais e melhores cuidados no SNS e menos negócio na saúde». A degradação do SNS é bem conhecida. O artigo traz esclarecimentos actualizados.
5 - «As relações da grande distribuição com a produção nacional» Um artigo muito bem construído com dados precisos e grande rigor sobre um tema complexo. O autor, reconhecendo embora e enumerando aspectos positivos introduzidos pelo capitalismo nas cadeias de distribuição, analisa depois os aspectos negativos que se têm vindo a avolumar e esclarece convincentemente porque razão as grandes cadeias de distribuição têm vindo a afectar a produção nacional tornando-nos cada vez mais dependentes do estrangeiro em bens alimentares. Um artigo importantíssimo, a não perder.

-- Artigos de análise de acontecimentos e desenvolvimentos internacionais, frequentemente revelando factos e dados que são menorizados, omitidos ou distorcidos pelos meios de comunicação dominantes. Os artigos não se limitam a apresentar factos, antes enquadram-nos historicamente, clarificando tendências e objectivos perseguidos, como se exige de uma análise científica. A edição de 16 de Agosto analisa: os desenvolvimentos recentes da crise palestiniana com os ataques de Israel; a agressão do Iémen cometida pelo regime reaccionário da Arábia Saudita com o apoio dos EUA; as grandes manifestações na Roménia contra a corrupção e repressão do seu governo social-democrata (450 pessoas ficaram feridas); a guerra comercial UE-EUA; a ameaça dos EUA de guerra económica à Rússia; a ocupação do Mali pela França com apoio da NATO, onde os imperiais estabeleceram um governo fraudulentamente «eleito»; etc.

-- Vários artigos e apontamentos de índole cultural (apreciações de livros, os 70 anos do Congresso Mundial da Paz, os dez dias que abalaram o mundo, a destruição de Pompeia em 79 a.C., etc.) destacando-se a apresentação da Festa do Avante, o maior evento cultural do país, em título principal na primeira página do semanário: «Uma Festa para todos!»

Este ano, a Festa (7 a 9 de Setembro na Quinta da Atalaia, Seixal), para além das iniciativas usuais (cidade internacional, debates, espaço lúdico para as crianças, livraria, mostras, exposições, actuações de um grande número de conjuntos musicais nacionais e estrangeiros de vários géneros, etc., etc.), terá, comemorando o II centenário do nascimento de Karl Marx, uma grande exposição com visitas guiadas e um grande concerto da Orquestra Sinfonietta de Lisboa com o Coro Sinfónico Lisboa Cantat (sob o tema «Em louvor do Homem», serão interpretadas: Fanfarra para o Homem Comum de A. Copland, Danças Sinfónica de West Side Story de L. Bernstein, Abertura de A Midsummer de F. Mendelssohn, Francesca da Rimini de P.Tchaikovsky e Sinfonia n.º 9 de Beethoven).

O Avante! é insubstituível como veículo de esclarecimento e tomada de consciência dos «90% do fundo», em prol de um futuro melhor, em prol uma sociedade mais justa em que o homem e o trabalho sejam os valores mais altos, e não o lucro capitalista.