segunda-feira, 11 de junho de 2018

A Investigação Oficial da Queda do MH17 é uma Fraude | The Official Investigation of the MH17 Fall is a Fraud



Tempos atrás dissemos neste blog que analisaríamos a queda do avião MH17 da Malásia (em 17 de Julho de 2014) quando dispuséssemos de mais evidências. Infelizmente, mas de facto sem grande surpresa, a comissão oficial – a JIT, Joint Investigation Team, composta por representantes de autoridades judiciais e policiais da Holanda, Austrália, Bélgica, Malásia e Ucrânia, liderada pelos holandeses -- para investigar o incidente tem vindo a efectuar uma investigação a todos os títulos fraudulenta.

Trata-se claramente de uma equipa investigadora cuja única missão e actividade é e tem sido a de colher falsas evidências, fornecidas por terceiros, para construir uma narrativa que apoie a NATO no seu drang nach Osten. Para apoiar a Ucrânia filofascista e prejudicar internacionalmente a Federação Russa abrindo caminho à sua desagregação e ocupação dos territórios desagregados por governos subservientes dos ocidentais. Como a Geórgia.

A Joint Investigation Team (Equipa Conjunta de Investigação) não é uma equipa de investigação. É uma equipa de recolha de «factos» úteis a uma narrativa NATO pré-preparada.

A grosseria das «evidências» apresentadas na conferência da JIT de 24 de Maio é de grande clareza: fragmentos, fotos, vídeos áudio muito curtos sem qualquer validação e credibilidade que não provam o que pretendem provar. Provêm todas ou de fontes claramente de direita e extrema direita – como o Paris Match que publicou fotos de um pretenso transporte de um Buk na República de Donetsk – ou de indivúduos sobre os quais nada se sabe, podendo muito bem ser agentes dos serviços secretos uvranianos.

As «evidências» JIT têm sido estudadas em detalhe e rigor por várias fontes. Ver, p. ex., One Thousand Days of Faking, Problems of the MH17 track-a-trail narrative, e Hunt the Buk. Uma das «evidências» destacadas pela JIT é a referida foto do transporte de (alegadamente) um Buk, publicada pelo Paris Match em 23 e 25 de Julho de 2014, supostamente obtida no dia da queda do avião, 17 de Julho, às 10:23. Só dois anos mais tarde foi revelado que as fotos provinham de um curto vídeo. As análises das fotos e vídeo revelaram que: quando o camião com o Buk aparece no último segundo dos 13 segundos do vídeo a taxa de quadros por segundo do vídeo cai para 15 quadros por segundo; a cabina e matrícula do camião (e outros objectos na estrada) estão claramente visíveis, mas a parte da imagem do atrelado com o rodado e suposta carga do lançador Buk é, estranhamente, de péssima qualidade, altamente enevoada impedindo por completo a identificação; as perspectivas (pontos de fuga) do camião e da estrada (e de outros objectos) não acertam; o estudo das sombras (foi usado um modelo 3D para esse estudo) aponta para um tempo de 11:05 e não os tempos oficiais de captura (09:00, 11:00, 10:45) mudados algumas vezes para se adequarem a um cronograma do itinerário do Buk quando confrontado com novas evidências; as sombras contradizem o objecto, sugerindo alterações digitais e uma carga diferente do lançador Buk; o local indicado pelo Paris Match na República de Donetsk está errado.

A JIT não analisou nada; nem esta foto nem outras «evidências». Logo, a JIT não investigou nada. Nem tecnicamente nem quanto à idoneidade das fontes. Limita-se a usar o que lhe dão. Por estas razões, as conferências da JIT são uma tragi-cómica palhaçada.

Existem forças poderosas por trás desta palhaçada. Recentemente deparámos com um artigo bem estruturado e argumentado sobre o assunto, embora contendo na parte final algumas dissonâncias. O artigo foi publicado pelo portal SouthFront, «Escrito por Brian Kalman exclusivamente para o SouthFront; Brian Kalman é um profissional de gestão na indústria de transporte marítimo. Foi oficial da Marinha dos EUA durante onze anos. Actualmente reside e trabalha no Caribe.»

Inserimos a seguir a sua tradução.
Some time ago we said in this blog that we would analyze the fall of the Malaysian Airline Flight MH17 (on July 17, 2014) when we had got more evidence. Unfortunately, but not at all surprisingly, the official commission to investigate the incident -- the JIT, Joint Investigation Team, composed of representatives of judicial and police authorities from the Netherlands, Australia, Belgium, Malaysia and Ukraine, which is led by the Dutch -- has been conducting an all-out fraudulent investigation.

This is clearly an investigation team whose sole mission and activity is and has been to gather false evidences provided by third parts in order to construct a narrative that upholds NATO in its drang nach Osten. To support the philofascist Ukraine and to damage the Russian Federation internationally, paving the way for its disaggregation and occupation of disaggregated territories by subservient governments of the West. As it happened with Georgia.


The Joint Investigation Team is not an investigation team. It is a team that gathers "facts" which are useful for a pre-prepared NATO narrative.


The coarseness of the “evidences” presented at the JIT conference on past May 24 is quite clear: fragments, photos, very short audio and videos without any validation and credibility, which do not prove what they were intended to prove. They all come either from clearly right-wing and far-right sources -- such as the Paris Match which published photos of a supposed Buk transport in the Republic of Donetsk -- or from individuals about whom nothing is known, and may well be agents of the Uranian secret services.


The JIT “evidences” have been studied in detail and thoroughness by various sources. See, e.g., One Thousand Days of Faking, Problems of the MH17 track-a-trail narrative, and Hunt the Buk. One of the "evidences" highlighted by JIT is the aforementioned photo of the transport of an (alleged) Buk, published by Paris Match on 23 and 25 July 2014, supposedly obtained on the day of the plane crash, July 17, at 10: 23. Only two years later it was revealed that the photos came from a short video. Photo and video analyses revealed that: when the truck with the Buk appears in the last second of the 13 seconds of the video, the frame rate per second of the video drops to 15 frames per second; the cabin and license plate of the truck (and other objects on the road) are clearly visible, but the part of the image of the trailer with the wheels and the supposed load of the Buk launcher is, strangely enough, of very poor quality, highly blurred and completely preventing any identification; the perspectives (vanishing points) of the truck and the road (and of other objects) don’t add up; the study of the shadows (a 3D model was used for this study) points to a time of 11:05 and not the official times of capture (09:00, 11:00, 10:45) changed a few times to fit a timeline of the Buk trail when confronted with new evidence; the shadows contradict the object, suggesting digital changes and a different load than the Buk launcher; the place indicated by the Paris Match in the Republic of Donetsk is wrong.


JIT did not analyze anything; neither this photo nor other "evidences". Therefore, JIT did not investigate anything. Neither technically nor as regards the idoneity of the sources. It just used what it got from others. For these reasons, JIT conferences are a tragi-comic buffoonery.

There are powerful forces behind this buffoonery. We have recently come across a well-structured and well-argued article on the subject, although it contains some dissonances towards the end. The article -- MH-17 Uupdate: Is the JIT Investigating the Truth or Manufacturing It? -- was posted by the SouthFront website, "Written by Brian Kalman exclusively for SouthFront; Brian Kalman is a management professional in the marine transportation industry. He was an officer in the US Navy for eleven years. He currently resides and works in the Caribbean."

You can read it here. (What follows below is the translation into Portuguese.)

Actualização sobre o MH-17: está o JIT a investigar a verdade ou a fabricá-la?

Escrito por Brian Kalman para o SouthFront

(Consultado em 3 de Junho de 2018)

falsa bandeira ocidental para obter apoio internacional para a conquista da Ucrânia

A tragédia do avião MH17 entrou novamente no ciclo de notícias, com a Joint Investigation Team (JIT) liderada pelos holandeses a realizar uma conferência de imprensa para anunciar a sua resolução de que o avião foi abatido por um míssil terra-ar Buk fornecido directamente pela Rússia às milícias ucranianas. A JIT anunciou que tem evidências conclusivas de que o lançador de mísseis veio do inventário da 53.ª Brigada de Defesa Aérea, sediada em Kursk. A evidência de facto apresentada foi inconclusiva, para dizer o mínimo, e os porta-vozes do JIT disseram que a evidência conclusiva que possuíam não seria divulgada nessa altura.


O avião foi abatido em 17 de Julho de 2014. O JIT teve quase quatro anos para determinar o cenário mais provável por trás da tragédia; contudo, durante a conferência de imprensa de 24 de Maio, o público só recebeu propaganda anti-russa vagamente apoiada por meios de comunicação sociais [Twitter, YouTube, etc.] bem como um número de fragmentos de mísseis Buk que obviamente não estiveram envolvidos na intercepção de qualquer aeronave.

A Federação Russa forneceu provas materiais e conduziu uma série de experiências conclusivas, incluindo uma efectuada pelo fabricante do sistema de mísseis Buk, Almaz-Antey; apesar disso, foi liminarmente negada à Federação Russa qualquer envolvimento na «investigação» oficial. A Ucrânia, por outro lado, que é também um dos principais suspeitos do crime, e pese embora o óbvio conflito de interesses, tem sido um membro-chave do esforço investigativo desde o início. Não parece isto estranho ao leitor?

Isto acontece porque o JIT não se empenhou numa investigação criminal, mas sim numa fabricação criminosa. As mesmas potências ocidentais que conseguiram identificar os autores dos ataques do 11 de Setembro em 48 horas (lembram-se do passaporte imaculado que de alguma forma sobreviveu à imolação e pulverização de um arranha-céu e de um avião?) e que apontaram virtuosamente o dedo a Saddam Hussein declarando que tinham a prova indesmentível da sua intenção de uso iminente de armas de destruição maciça (a fim de mobilizar o apoio internacional para outra guerra no Iraque), levaram quase quatro anos a reconstituir o que aconteceu nos céus do leste da Ucrânia.

Porquê, desta vez, uma investigação tão longa, secreta e extensa? Poderia a mesma equipa JIT -- que deixou detritos da aeronave por todos os campos nas aldeias de Petropavlivka, Hrabov e Rozsypne, que não mostrou qualquer interesse em entrevistar uma multidão de testemunhas locais, e se baseou fortemente nos vídeos twitter fornecidos pela Ucrânia logo no início, para construir o seu caso inicial – poderia ela, na verdade, passar os últimos quatro anos a empregar a diligência investigativa adequada à descoberta da verdade? É altamente improvável.
[O autor insere aqui uma foto da mesa de conferência do JIT com o comentário «Como revelam as bandeiras de mesa é praticamente uma operação da OTAN, com presença malaia simbólica e, claro, o membro aspirante da OTAN e provavelmente culpado do crime, a Ucrânia.]

Porque razão foram os corpos das vítimas deixados quatro dias em comboios refrigerados antes de ser dada autorização para a custódia deles? Foram as autópsias conduzidas para determinar a natureza da morte e foram as feridas de estilhaços completamente investigadas e documentadas? Apenas três meses após o acidente, o Procurador-Chefe holandês Fred Westerbeke afirmou que 500 partículas de metal (um bom número redondo) tinham sido recuperadas dos corpos, e que pelo menos 25 delas eram compostas de ferro. Quase um ano depois, em Agosto de 2015, Westerbeke afirmou que sete fragmentos de estilhaços, que eram quase de certeza de um míssil Buk (embora não especificasse como pòde saber isso num momento tão inicial), tinham sido recuperados, mas que não tinham sido recuperados de corpos ou de destroços do avião. Como pôde a sua proveniência ser identificada se não foram encontrados nos destroços do avião ou nos corpos?
[O autor publica aqui uma foto de um dos «misteriosos “fragmentos de Buk”». A foto mostra uma peça informe como se fosse de uma escória de ferro ferrugenta. É difícil acreditar que uma identificação seja possível.]

Embora a Rússia se tenha mostrado extremamente útil desde o início, foi dito aos russos que a sua ajuda não era desejada e que não seriam incluídos de forma alguma na investigação oficial do JIT. As autoridades ucranianas tornaram-se membros oficiais do esforço de investigação. A Rússia não era um combatente declarado no conflito, mas a Ucrânia era. O óbvio conflito de interesses em ter a Ucrânia como um dos principais membros da investigação desde o início foi um sinal claro de que o objectivo da JIT não era encontrar a verdade, mas fabricá-la.

A quem aproveita?


A primeira pergunta a ser feita depois de qualquer evento deste tipo é cui bono, ou «a quem aproveita»? É bastante óbvio que a Rússia não beneficiaria de uma ocorrência tão horrenda. Também não as milícias ucranianas que estavam nessa altura envolvidas em fortes batalhas contra os militares ucranianos. Os líderes do golpe bem sucedido de Kiev tinham, no entanto, tudo a ganhar com o fabrico de uma tragédia para culpar a Rússia. Não estamos a dizer que foi o que aconteceu, mas é uma possibilidade óbvia. A Ucrânia tinha um motivo forte para criar uma escalada que pudesse ser atribuída aos seus inimigos. A Rússia não tinha a ganhar tal benefício. As milícias que lutavam em Donbass e Lugansk não tinham necessidade de adquirir capacidades antiaéreas mais avançadas, que pudessem ter como alvo aviões voando a altitudes mais elevadas, já que estavam a obter grandes sucessos derrubando aviões ucranianos a um ritmo impressionante.


Quem era capaz de tal acto?


Uma segunda pergunta a ser feita é: «Quem tinha capacidade de abater um avião voando a tão elevada altitude?» As milícias obviamente obtiveram ajuda da Rússia na aquisição de MANPADS, acima e além do que puderam capturar dos arsenais militares no seu próprio território, e foram muito bem sucedidos em derrubar dos ucranianos um grande número de helicópteros de ataque Mi-24, aviões de ataque terrestre SU-25, e até dois Mig-29. As milícias provaram ser muito hábeis no combate e derrota de aeronaves envolvidas em missões de ataque terrestre. A Força Aérea Ucraniana foi largamente incapaz de bombardear alvos a partir de grande altitude, faltando-lhe tanto o equipamento como tripulações altamente treinadas para tais missões. Por que razão as milícias, ou a liderança russa, decidiriam que SAMs [surface-to-air missile] avançados teriam de entrar no conflito quando os MANPADS já tinham sido muito bem-sucedidos? Tal ideia desafia toda a lógica.

[o autor insere aqui uma foto de um Mi-24 ucraniano abatido em Slaviansk.]

Os militares ucranianos tinham a capacidade de abater o avião civil e as unidades de defesa aérea avançadas na frente [contra as milícias], armadas com o sistema Buk SAM, tinham a capacidade para abater o Boeing 777. O 156.º Regimento de Defesa Aérea da Ucrânia tinha 17 lançadores de mísseis Buk instalados no leste do país, uma bateria localizada em Avdeyevka, perto de Donetsk, uma em Mariupol e uma em Lugansk. Mais uma vez, não estamos a dizer que foi isso que aconteceu, mas na nossa opinião, é o cenário mais provável.

Poderia muito bem ter sido um trágico acidente, mas provavelmente foi um acidente causado por uma unidade de defesa aérea ucraniana. Uma vez ocorrido, a liderança de Kiev, auxiliada pelo SBU [serviços secretos da Ucrânia], entrou em modo de gestão de crise, e logo decidiu enquadrar o incidente como um acto de agressão russa. Uma maior demonização da Rússia e qualquer sucesso em transformá-la num pária internacional só contribuiriam para ajudar os líderes do golpe de Kiev na sua causa, tanto para obter legitimidade internacional como para fortalecer o apoio à conquista dos territórios rebeldes de Donetsk, Lugansk e Crimeia, que se recusaram a reconhecer a sua legitimidade. A Rússia tinha que ser pintada como agressora e, mais ainda, como violadora do direito internacional. Havia confiança em como os Estados Unidos, com todas as suas vastas capacidades de colheita de informações, não apresentariam qualquer prova do que aconteceu, mas sim uma contabilidade anti-russa dos eventos. Foi exactamente isso que aconteceu.
[O autor insere aqui uma foto de um lançador de mísseis Buk do 156.º Regimento de Defesa Aérea Ucraniano «enviado para a frente na zona de conflito oriental no momento do acidente. Se uma das baterias do Regimento abatesse o avião civil, seria a segunda vez desde o dia 4 de Outubro de 2001 que os militares ucranianos abateram um voo de passageiros.»]

Um precedente do passado

Outra pergunta a ser feita é: «Será que aconteceu um acidente deste tipo no passado e, se sim, qual a causa e qual a reacção do culpado?» Aviões civis foram derrubados pelo menos três outras vezes desde 1983; se incluirmos o voo 800 da TWA (que provavelmente foi derrubado por um míssil terra-ar), houve quatro incidentes desse tipo antes do incidente com o MH-17.


Voo da Korean Airlines 007 (1983)


O avião da Coreia do Sul foi abatido em 1 de Setembro de 1983 depois de entrar no espaço aéreo soviético. Os EUA sacrificaram informações confidenciais poucas semanas depois da tragédia, para provar que o avião tinha sido abatido pela União Soviética. Demorou cerca de uma década para as autoridades russas admitirem falhas no incidente (após a dissolução da União Soviética), que matou todos os 269 passageiros e tripulantes a bordo do Boeing 747.


Voo 655 da Iran Air (1988)


O avião civil foi abatido pelo USS Vincennes CG49, navio da Marinha Norte-Americana, em 3 de Julho de 1988. Os Estados Unidos admitiram ter derrubado o avião, mas afirmaram que um F-14 iraniano usava o avião como sombra de radar para atacar recursos navais dos EUA no Golfo Pérsico. Os radares civis e militares logo provaram, em poucos dias, que essa afirmação era uma mentira total; passado pouco tempo o mundo inteiro responsabilizou os EUA pela tragédia. O governo dos EUA foi forçado a reconhecer legalmente a culpa e a compensar oito anos depois as famílias das vítimas. Uma observação importante desta história é que o comandante do USS Vincennes, o Capitão Will Rogers III, e o Oficial de Sistemas de Combate e Armas, Tenente-Comandante Scott Lustig, receberam medalhas de serviço meritórias logo um ano após o trágico incidente.
[O autor insere uma foto de «Uma das muitas crianças mortas no desastre que custou 290 vidas. Quando perguntado se o governo dos Estados Unidos devia oferecer um pedido de desculpas à nação iraniana, o então vice-presidente George H.W. Bush afirmou categoricamente: “Nunca irei pedir desculpas pelos Estados Unidos. Não me importo com o que sejam os factos. Eu não sou do tipo de “peço desculpa pelo americano”».]

Voo 1812 da Siberia Airlines (2001)

Em 4 de Outubro de 2001 um Tu-154 da Siberian Airlines, a caminho de Telavive. foi abatido sobre o Mar Negro por uma unidade de defesa aérea ucraniana que efectuava um exercício de fogo real. O avião foi aparentemente atingido por um míssil S-200 que ultrapassou um drone alvo que já havia sido interceptado por outro míssil. Apesar de ser um óbvio acidente trágico, as autoridades ucranianas recusaram-se a aceitar a responsabilidade até serem pressionadas pela administração da Federação Russa do presidente Vladimir Putin. O presidente ucraniano, Leonid Kuchma, reconheceu então a culpa pelo incidente e o ministro da Defesa na época, Oleksandr Kuzmuk, demitiu-se. O governo compensou as famílias das vítimas num valor total de aproximadamente 15,6 milhões de US$.

[O autor insere aqui uma foto de «Um Tu-154 semelhante em aparência ao abatido sobre o Mar Negro em 2001 por um Regimento de Defesa Aérea da Ucrânia... Todos os 78 passageiros e tripulantes morreram na tragédia».]

Voo TWA 800

O Trans World Airlines 747-100 descolou do aeroporto JFK de Nova Iorque na noite de 17 de Julho de 1996 e explodiu em bola de fogo 12 minutos após a descolagem. Pelo menos 700 testemunhas oculares sugeriram claramente que um míssil terra-ar abateu o avião. A área de destroços era extensa, com o avião destruído em milhares de pedaços, denotando uma interceptação a velocidade significativa e forte detonação. Após investigação de quatro anos, o NTSB [National Transportation Safety Board] determinou que um tubo de combustível defeituoso causou uma explosão catastrófica que abateu o avião (embora tal falha nunca tenha acontecido com qualquer outro 747 antes ou depois da tragédia do TW 800). Formei-me na USMMA [US Merchant Marine Academy] com um colega que estava a pescar com o pai em Long Island naquela noite e testemunhou o evento. Ele é agora um alto oficial da Marinha dos EUA. Até hoje, e agora com vasto conhecimento em primeira mão de mísseis modernos, ele continua firme na sua crença de que um míssil derrubou o voo civil. O FBI levou quase seis meses para admitir que um navio da Marinha dos EUA «envolvido em manobras classificadas» estava localizado a 3 milhas náuticas do incidente. Após uma investigação de quatro anos, o NTSB emitiu a sua controversa decisão de que uma falha técnica causou a explosão e acidente que mataou todos os 230 passageiros e tripulantes do avião. Cerca de 500 milhões de US$ foram pagos pela TWA (que faliu) e pela Boeing em compensação às famílias das vítimas, cerca de 6 anos após o acidente. Centenas de testemunhas oculares e vários investigadores do NTSB declararam acreditar que o FBI encobriu a verdade da tragédia.


Olhando para os precedentes no passado, [vemos que] o governo russo, após a negação inicial da culpabilidade, admitiu o erro e compensou os afectados por acidentes trágicos envolvendo forças militares estatais que derrubaram acidentalmente aviões civis. No caso do voo 1812 da Siberian Air provou-se que as unidades de defesa aérea ucranianas tinham acidentalmente alvejado e destruído um voo aéreo civil. Foram forçadas a admitir a culpa por ninguém menos que o presidente russo Vladimir Putin, o papão favorito do Ocidente.



No caso da culpabilidade dos EUA em tais acidentes, não só as autoridades dos EUA tentaram ofuscar os factos das tragédias como, no caso do Voo 655 da Iran Air, elogiaram os perpetradores da tragédia condecorando-os com comendas estatais. Tendo aprendido com este incidente, as autoridades dos EUA arrastaram a investigação por quatro anos no caso do voo 800 da TWA e trocaram os pés pelas mãos para escapar à culpa. Vários dos envolvidos a nível oficial na investigação do acidente da TWA 800 vieram nos últimos anos a refutar as conclusões da investigação. Que melhor maneira de escapar da culpa do que encobrir, ofuscar, distrair e eventualmente fabricar uma explicação?


MH17: A visão de conjunto



A tragédia do MH-17 deve ser vista no contexto mais amplo das condições de guerra no momento do incidente e da forte guerra de propaganda que está a ser travada pelo Ocidente contra a Rússia desde o início do conflito ucraniano e que continua até hoje num crescendo de dureza.


Em Julho de 2014, as milícias anti-Kiev das regiões orientais, de Donetsk e Lugansk, estavam envolvidas numa batalha feroz e bem-sucedida contra um governo instalado pelo golpe que consideravam ilegítimo. As Forças Armadas Ucranianas (FAU), por sua vez, estavam a combater um inimigo tenaz de ex-compatriotas que pareciam receber ajuda crescente da Rússia na forma de assessores militares e de informação e assistência técnica. A FAU estava a perder tanto a nível táctico quanto estratégico nos confrontos com as milícias. A FAU precisava de algo para romper o impasse, um evento para colocar os holofotes globais sobre a Rússia como um violador agressivo da sua soberania e do direito internacional, forçando a Rússia a limitar ou interromper a sua ajuda às milícias. Que melhor maneira do que projectar uma tragédia internacional que destacaria a Rússia como nação empenhada nos seus próprios interesses «expansionistas» a qualquer custo, um proliferador irresponsável de sistemas avançados de armas para «mineiros iletrados» tornados rebeldes?

Por essa altura a liderança russa devia estar extremamente satisfeita. Uma pequena força de milícias dedicadas vinha causando ao governo de Kiev humilhantes derrotas atrás de derrotas, com um mínimo de investimento militar ou financeiro e com muito pouca exposição ou culpabilidade explícitas. As ordens óbvias, vindas do topo, devem ter sido «mantenham-se assim». Não havia necessidade de mudar nada, certo?

A tragédia do MH-17 mudou todo o paradigma. Um conflito num remanso pós-soviético alcançou de imediato implicações internacionais de um dia para o outro. Embora centenas, senão milhares de civis inocentes na Ucrânia tivessem sido mortos no conflito até aquele momento, agora eram civis ocidentais que haviam morrido. Isto era mais do que a «comunidade internacional» podia aguentar. Agora teria de haver responsáveis. Mas que aconteceu logo após o trágico derrube?


Os Estados Unidos afirmaram que tinham provas conclusivas de que a Rússia e seus representantes no leste da Ucrânia tivessem derrubado o MH-17, mas não apresentaram nada. Nenhuma evidência. Nenhuma imagem de satélite. Nenhuma intercepção eletrónica. Nenhuns dados de radar. Nada. Apoiavam as afirmações ucranianas de que era um crime orquestrado pelos russos com vídeos do YouTube, twitter e gravações audio não verificáveis​​. Seja como for, nenhuma evidência real foi apresentada pelos EUA. Isto contrasta com as acções imediatas da administração Reagan após a queda do voo 007 da Korean Airlines: os EUA não só comprometeram os maiores segredos da informação da segurança nacional, como também os mesmos segredos de um aliado-chave, o Japão. A administração também decidiu, logo de seguida, disponibilizar o sistema de navegação por satélite GPS aos usuários civis. Um enorme sacrifício na busca da verdade. E os sacrifícios da administração Obama pela verdade? Nenhuns. Eles sabiam a verdade e essa verdade era muito prejudicial para vir à luz do dia. Essa é a única conclusão que se pode tirar. Os EUA souberam imediatamente quem abateu o voo civil e o seu silêncio fala muito. Se na verdade tivesse sido a Rússia, ou as milícias apoiadas pela Rússia, as evidências teriam vindo de Washington num dilúvio, mas isso não aconteceu. O que dizem eles sempre? Fontes e métodos não podem ser comprometidos.


É bastante óbvio neste momento, que o JIT, que inclui o mais provável culpado e dois membros da OTAN, passou os últimos quatro anos a fabricar uma versão da verdade que se encaixa na narrativa desejada. A «evidência» será fabricada para se adequar à conclusão de que a Rússia foi a culpada do crime. A filosofia do terrorista de que «o fim justifica os meios» foi mais uma vez totalmente adoptada. A verdade que se dane. O establishment ocidental fabricará a verdade.


O sempre importante tempo de ocorrência


Em maquinações geopolíticas, o tempo de ocorrência [timing, no original] é sempre importante e nunca deve ser visto como uma coincidência. As declarações do JIT ocorreram [agora] quando as forças armadas ucranianas aumentaram os ataques a territórios dentro dos 15 km de profundidade da linha de separação RPD/RPL [República Popular do Donetz/ República Popular de Lugansk] – Ucrânia [acordos de Minsk] no lado das RPD/RPL, particularmente em torno do cruzamento de transportes perto de Gorlovka, estrategicamente importante. As actividades militares ao longo da «zona cinzenta» aumentaram no último mês. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos e a Federação Russa estão a negociar acordos sobre delimitação de territórios no sul da Síria. A Taça do Mundo da FIFA, a realizar este ano na Rússia, está próxima, com a partida de abertura marcada para 14 de Julho. Todos nos lembramos do que aconteceu durante as Olimpíadas de Sochi. É isso mesmo, o governo ucraniano foi derrubado por um golpe ilegal fortemente financiado e apoiado pelo Departamento de Estado dos EUA.


Também é de interesse o aparente suicídio do capitão [ucraniano] Vladyslav Voloshyn, um homem implicado como tendo possivelmente derrubado o voo MH-17 quando pilotava um SU-25 nas proximidades da rota de voo do avião sobre a Ucrânia, quando foi abatido. Um grande número de especialistas em aviação e analistas avançou a teoria de que o avião foi abatido por uma aeronave. Pelo menos um Su-25 da Força Aérea Ucraniana foi detectado pelo radar russo como estando na área imediata do derrube. O controlo de tráfego aéreo da Ucrânia recusou-se a divulgar quaisquer dados sobre o voo, e o JIT recusou-se a usar nas suas investigações dados de radar civis e militares fornecidos pela Rússia.

[O autor insere aqui uma foto do piloto ucraniano e comenta que o «seu suposto suicídio, apenas uma semana antes do JIT divulgar as suas últimas descobertas, é mais do que convenientes».]

Acontece que acredito que a causa mais provável da destruição do MH-17 terá sido um míssil terra-ar e não uma aeronave, mas também acredito que todos os cenários possíveis devem ser investigados para os avançar ou remover como causa possível da tragédia. Fontes dos media russos destacaram o cenário do derrube pelo SU-25 quando um desertor e testemunha se apresentou e avançou a teoria de que um Su-25 pilotado por Cap. Voloshyn abatera o avião. A resposta inicial dos «media» ocidentais foi refutar tal possibilidade realçando que o Su-25 não tem tecto ou velocidade operacionais para interceptar um Boeing 777. Isso foi logo provado falso pelas Forças Aeroespaciais da Rússia quando mostraram que um Su-25 25 pode realmente alcançar a altitude a que o MH-17 estava a voar. A RT registou a experiência e divulgou-a na cobertura sobre a tragédia do MH-17. É bem conhecido entre os militares de todo o mundo e a maioria dos analistas militares que as capacidades oficialmente declaradas pelos governos dos sistemas de armas estão sempre abaixo do seu desempenho real. Há que realçar [neste contexto] que os militares russos se esforçaram por revelar algumas das características reais do desempenho de uma das suas aeronaves mais sofisticadas para provar a possibilidade dessa teoria. Isso ocorreu apesar do governo russo parecer abraçar como mais provável a teoria de que o avião foi abatido por um SAM.

A 6 dias apenas da conferência de imprensa do JIT diz-se que Voloshyn cometeu suicídio. Os principais media ocidentais foram rápidos em apontar que não havia ligação entre Vladyslav Voloshyn (que deixou a Força Aérea para se tornar o director do aeroporto de Nikolaev), quer com o derrube do MH-17, quer com a data de divulgação das mais recentes «descobertas» do JIT. Um desses meios de comunicação, o Polygraph.info, afirmou que o envolvimento de Voloshyn era impossível porque o JIT tinha determinado que um míssil russo Buk tinha abatido o avião. É este o modus operandi usual dos media ocidentais, que meramente empurram a narrativa do establishment sem nenhuma investigação independente. As evidências que se danem. Vamos dar uma olhada no Polygraph.info um pouco mais perto. O portal afirma claramente:


    «O Polygraph.info é um portal de verificação de factos produzido pela Voz da América (VDA) e pela Rádio Europa Livre/Rádio Liberdade (REL/RL). O portal serve como um meio para avaliar o crescente volume de desinformação e má informação que está a ser globalmente distribuída e partilhada. Um portal semelhante em russo pode ser encontrado em factograph.info.

    Os jornalistas da VDA e da REL/RL pesquisam e analisam citações, histórias e relatórios distribuídos por funcionários do governo, media patrocinados por governos e indivíduos de alto perfil. Os repórteres separam os factos da ficção, adicionam contexto e desmascaram mentiras.
    
A Voz da América e a Rádio Europa Livre/Rádio Liberdade são emissoras internacionais multimedia, não partidárias, que fornecem notícias e informações precisas, especialmente para audiências com liberdade de imprensa limitada. A VDA, sediada em Washington, DC, transmite em 45 idiomas para uma audiência semanal medida de mais de 238 milhões de pessoas em todo o mundo. A REL/RL é uma fonte de media substituta em 26 idiomas, alcançando mais de 23,6 milhões de pessoas por semana.»

A Voz da América e a Rádio Europa Livre são financiadas e dirigidas pelo governo federal dos Estados Unidos. Soa-lhe isto como imparcial? Afirmar que esta roupagem de media é um esforço internacional, não partidário, visando desmascarar a desinformação e a má informação é risível. Este meio de comunicação é uma operação de propaganda estatal que impulsiona a narrativa do governo dos EUA. [De facto, é bem sabido que, desde o início, a VDA e a REL/RL são órgãos de propaganda e de guerra psicológica tutelados pelos serviços secretos americanos.]

O que deve então o leitor crítico tirar disto? Existe uma ligação entre o Capitão Voloshyn e o derrube do voo MH-17? Existe uma ligação entre o suicídio e o anúncio do JIT da culpa russa na tragédia? Honestamente não sei. O tempo de ocorrência é certamente sintomático. Uma pessoa que poderia refutar as últimas afirmações do JIT já não pode testemunhar o contrário. Está morto. Os media ocidentais, incluindo as mais óbvias fontes de propaganda do governo, divulgaram inúmeros artigos e posts para refutar qualquer possibilidade de que Voloshyn estivesse envolvido em abater o avião, simplesmente afirmando que as últimas afirmações do JIT são verdadeiras. Lembre-se, para eles não há necessidade de evidências.


O que nos reserva o futuro imediato?


Eu diria que se embarcou agora numa nova campanha para demonizar e desacreditar a Rússia, ou pelo menos para a continuar após um longo hiato. A Rússia será vilipendiada e desacreditada pelos media ocidentais, e mais uma vez com a Rússia a estar sob os holofotes internacionais durante os eventos da Taça do Mundo da FIFA. O governo de Kiev tentará provavelmente alguma escalada no impasse actual nas regiões orientais da Ucrânia, encenando novas provocações ou uma ofensiva limitada. O JIT realizará provavelmente uma conferência de imprensa adicional para extrapolar ainda mais as suas «evidências» e «descobertas». Será por isso que o JIT não apresentou a sua evidência «concreta e incontroversa» em 24 de Maio, para que possa divulgá-la numa época que maximize o dano à Rússia aos olhos do mundo, quando todos esses olhos estão focados nela? É possível.


Sistematicamente, quando o establishment dos EUA se mostra impotente num conflito em termos reais e é impotente para influenciar um conflito no campo de batalha, recorre a truques sujos que pode usar para influenciar a opinião pública, impulsionados pela sua bem financiada e bem articulada rede de propaganda multimedia. Isso só aumentou desde os fracassos dos EUA para derrubar a Síria e a Ucrânia como estados independentes e não-alinhados. A Ucrânia independente que se recusou a escolher entre a UE e a Rússia, sob a liderança de Viktor Yanukovych, foi derrubada. Uma Síria independente sob Assad, que se recusou a concordar com os interesses económicos do Ocidente e do Golfo, foi invadida. Nenhuma tentativa de conquista foi bem-sucedida e ambas as nações se mostraram mais resistentes do que os seus inimigos previram. Enquanto a vitória no campo de batalha se evaporava como uma miragem, as falsas bandeiras e campanhas de propaganda aumentavam rapidamente. Qual será a próxima pretensa atrocidade colocada na porta da Rússia?

[O autor insere aqui uma foto dos energúmenos ucranianos com o comentário «Os Estados Unidos aumentaram discretamente a ajuda militar à Ucrânia nos últimos dois anos, principalmente sob a forma de treino e assessoria. Também forneceram às FAU uniformes, coletes, espongardas, suprimentos e equipamentos médicos e, mais recentemente, mísseis guiados antitanque Javelin. Há poucas dúvidas sobre quais os nteresses que o regime de Poroshenko está realmente a servir».]

Não sei as respostas a estas perguntas, mas, como pessoa que pensa criticamente, posso rever as evidências disponíveis, estudar eventos passados, criar um perfil dos perpetradores e beneficiários mais prováveis ​​e teorizar sobre o cenário mais provável. Não preciso de ir à CNN ou à RT para obter a minha visão muito bem pré-empacotada dos eventos. E definitivamente não preciso do Polygraph.info, Snopes.com ou similares para avaliar por mim próprio os meus esforços de colheita de informações. Confiarei no meu próprio raciocínio, intuição e experiência para chegar às minhas próprias conclusões e você também deveria [fazer isso].

Sei que as experiências realizadas pela Almaz-Antey, fabricante do sistema de defesa de mísseis Buk, foram muito exaustivas. Eles até simularam a intercepção do MH-17 com um míssil Buk para recriar e estudar o que tal intercepção produziria em termos de evidência física. De facto, detonaram um míssil Buk na maneira e na localização da fuselagem dianteira de um avião para simular o que mais provavelmente parece ter ocorrido. Determinaram que os padrões e formas dos estilhaços indicavam que um míssil Buk provavelmente derrubou o MH-17, mas que os padrões de estilhaços indicavam uma versão anterior do míssil, não usada pela Federação Russa há algum tempo, mas ainda amplamente usada na Ucrânia. Também determinaram que o ângulo e direcção a partir da qual o avião foi atingido indicavam que era mais provável que tivesse sido lançado de um território controlado pela Ucrânia, e não uma área controlada pelas milícias. O fabricante divulgou ao JIT as suas conclusões na íntegra, bem como informações anteriormente secretas relativas ao sistema de mísseis Buk. O JIT simplesmente respondeu que as descobertas da equipa de investigação da Almaz-Antey eram erradas e improváveis. É claro que nenhuma explicação para essa afirmação baseada em factos foi jamais avançada, nem experièncias semelhantes foram conduzidas para refutar as descobertas.


Que vimos nós do JIT? Alguns vídeos postados em media sociais, supostamente mostrando o veículo de lançamento de mísseis realmente usado numa estrada no leste da Ucrânia? Alguns clips de audio (inadmissíveis num tribunal de direito ocidental) supostamente de rebeldes afirmando que derrubaram o avião errado? Um pedaço de um míssil altamente intacto com um número identificável estampado nele que supostamente o liga à 53.ª Brigada de Defesa Aérea? Gostaria que isso fosse considerado evidência na Síria, onde milhares de armas fornecidas pelo Ocidente foram encontradas nas mãos de jihadistas e podem realmente ser rastreadas até à sua fonte através de números de série, denotando lugar e data de fabrico. E quanto às centenas de peças de mísseis de cruzeiro exibidas pela Rússia que afirmaram terem sido interceptadas pela Síria depois que os EUA insistiram que todos os mísseis atingiram com sucesso os seus alvos? Alguém vê um padrão aqui?


Isso traz-me de volta ao meu ponto inicial sobre a investigação do JIT. O JIT não está interessado em descobrir a verdade, mas em fabricá-la. A falsa investigação formulará uma falsa verdade que corresponde a uma falsa narrativa pré-estabelecida, a fim de fabricar o consentimento num público que foi cuidadosamente alimentado com propaganda durante quase quatro anos. Veja-se: geralmente a verdade leva um tempo muito curto para vir à luz se for realmente procurada. As mentiras realmente boas levam muito tempo a serem fabricadas e deve-se deixá-las penetrar na mente racional em pequenas doses ao longo do tempo.


Em suma, é de esperar uma escalada do exército ucraniano em algum momento nos próximos dois meses, após o início da Taça do Mundo. O Verão é um bom período de campanha militar na Europa. Além disso, é de esperar em simultâneo com isso mais «evidências» e alegações emitidas pelo JIT. Ambas as ações serão coordenadas para aprofundar a narrativa de que Putin e a Rússia em geral são uma ameaça agressiva e bárbara à ordem mundial governada pelo Ocidente.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

A Guerra Civil na Rússia (1918-1922) – Parte II | The Russian Civil War (1918-1922) – Part II


- Os Planos Imperialistas Pós 1.ª GM
- Preparativos
- A Campanha do Norte
- A Campanha do Leste até Abril de 1919
- Questões Militares
- A Derrota de Koltchak
- The Imperialist Plans Post WWI
- Preparations
- The Northern Campaign
- The Eastern Campaign until April 1919
- Military Issues
- The Defeat of Kolchak


Os Planos Imperialistas Pós 1.ªGM

Com o fim da 1.ª GM os Aliados ficaram com as mãos livres para se concentrarem abertamente no ataque à RSFSR sem a desculpa de estarem a combater os alemães. Em Janeiro de 1919 os «Quatro Grandes» – Woodrow Wilson, D. Lloyd George, Georges Clemenceau e Vittorio Orlando – reuniram-se na «Conferência de Paz» de Paris. A «Conferência de Paz» não tratou da paz, mas sim da guerra à RSFSR. Woodrow Wilson, com o apoio ténue de Lloyd George, ainda avançou com planos de paz de que o CCP teve conhecimento e aceitou [46], mas logo depois os elementos mais reaccionários da «Conferência de Paz» -- Clemenceau, Marechal Foch, embaixador Noulens e Orlando – repeliram tais planos. Entretanto, Winston Churchill substituiu Lloyd George e encabeçou o bloco mais reaccionário dos Aliados. Para Churchill «o momento não era propício» para a paz com a Rússia. (Ao contrário da versão corrente da historiografia imperialista, Churchill foi uma dos políticos mais reaccionários e sinistros do Ocidente [47].)

Para além das habituais motivações imperialistas (exportação de capitais, controlo de mercados, controlo de territórios [48], etc.) e receio do efeito de contágio do bolchevismo, os Quatro Grandes e o Japão tinham interesses específicos. Os EUA interessavam-se pelos recursos e portos da Sibéria. O Japão disputava cautelosamente com os EUA os portos da Sibéria e desejava controlar permanentemente a Sibéria Oriental, a leste do lago Baikal, o que lhe asseguraria um maior controlo sobre a Manchúria e a China. A França e RU queriam forçar a devolução dos empréstimos concedidos à Rússia (czarista e dos governos provisórios) e a reversão das nacionalizações das suas empresas [49].

Para os dirigentes imperialistas já não bastavam as insurreições e tomada de cidades como em 1918, com formação de «governos» locais de SRs e mencheviques. Planeavam grandes ofensivas convergindo para Moscovo, lideradas por ex-Generais czaristas como ditadores militares, impondo a «ordem» à frente dos exércitos brancos. O tempo dos governos rebeldes de SRs e mencheviques, ditos da «Assembleia Constituinte», tinha passado. O fim almejado dos ditadores brancos, aprovados pelo RU e França, e com aquiescência dos EUA e Japão, era o regresso aos bons velhos tempos do czarismo. O partido Cadete, emigrados, nobres e kulaks apoiavam esses planos.

O RU e a França estavam dispostos a financiar generosamente os ditadores e a fornecer-lhes armas, equipamento e homens. Quanto a este último aspecto, porém, as populações do RU e França estavam cansadas de guerra e os trabalhadores tinham-se manifestado contra os ataques à RSFSR. Os líderes ingleses e franceses, principalmente estes últimos [50], contavam com a participação de outros países e obtiveram-na. Corpos de exército polacos [51], finlandeses, sérvios, romenos, e gregos participaram na cruzada ocidental. Os checos e chineses intervieram na Sibéria. Os turcos controlavam parte importante do Cáucaso.

Na Alemanha decorria uma revolução social que veio a ser barbaramente esmagada pelos sociais-democratas alemães em Abril-Maio de 1919. Os sociais-democratas e outros partidos burgueses alemães sentiram-se então livres para, em conjunto com os Quatro Grandes, participarem no ataque à RSFSR. (Apesar de, para a opinião pública alemã, gritarem muito contra o Tratado de Versalhes.) O Alto Comando Alemão conservara 100.000 homens (a «Reichswehr Negra»), permitidos pelo «inimigo» Marechal Foch para esmagar a revolução alemã. Do Alto Comando fazia parte o já nosso conhecido General Max Hoffmann que contactou Foch (agora, já «amigo») apresentando-lhe um plano segundo o qual o exército alemão marcharia sobre Moscovo e aniquilaria o bolchevismo «pela raiz». Foch aprovou o plano desde que se mobilizasse toda a Europa de Leste contra a RSFSR e o exército francês marchasse à cabeça do alemão contra Moscovo.

Assim, a RSFSR iria enfrentar mais uma dura prova de invasão e guerra não declarada de 14 países. Quanto a isto, Churchill inseriu num livro seu uma «alegre» tirada do mais puro cinismo [16]: «Estavam eles [os Aliados] em guerra com a Rússia? Claro que não; mas disparavam sobre os russos soviéticos à vista. E davam armas aos inimigos do governo soviético. E bloqueavam os seus portos e afundavam os seus navios de guerra. E desejavam e planeavam com fervor o seu derrube. Mas guerra – chocante! Interferência – vergonha! Era para eles indiferente, repetiam, a forma como os russos resolviam os seus próprios assuntos internos. Eles [os Aliados] eram imparciais – Bang! Ao mesmo tempo, parlamentários e negociações».
The Imperialist Plans Post WWI


With the end of WWI, the Allies could concentrate their attentions on openly attacking the RSFSR without the excuse of fighting the Germans. In January 1919 the “Big Four” -- Woodrow Wilson, D. Lloyd George, Georges Clemenceau and Vittorio Orlando -- met at the “Peace Conference” in Paris. The “Peace Conference” did not deal with peace, but with the war against the RSFSR. Woodrow Wilson, with the mild support of Lloyd George, still advanced peace plans that the CPC came to know and accepted [46], but soon after the most reactionary elements of the "Peace Conference" -- Clemenceau, Marshal Foch, Ambassador Noulens and Orlando -- repelled such plans. In the meantime, Winston Churchill replaced Lloyd George and headed the most reactionary Allied bloc. For Churchill "the moment was not propitious" for peace with Russia. (Contrary to the current version of imperialist historiography, Churchill was one of the West's most reactionary and sinister politicians [47].)


In addition to the usual imperialist motivations (export of capital, control of markets, control of territories [48], etc.), and fear of the contagious effect of Bolshevism, the Big Four and Japan also had specific interests. The US was interested in the Siberian resources and harbors. Japan cautiously disputed with the US the harbors of Siberia and wanted to permanently control the Eastern Siberia -- east of Lake Baikal --, which would assure her a greater control over Manchuria and China. France and UK wanted to enforce the restitution of loans conceded to Russia (tsarist and provisional governments) and to reverse the nationalization of their enterprises [49].

Insurrections and city seizures, as in 1918, with the formation of local "governments" of SRs and Mensheviks were no longer a solution for the imperialist leaders. They were planning major offensives converging to Moscow, led by former Tsarist Generals as military dictators, imposing the "order" as leaders of the White armies. The time of the rebel governments of SRs and Mensheviks, called of the "Constituent Assembly", had passed. The aimed goal of the White dictators, endorsed by the UK and France, and with US and Japanese acquiescence, was a return to the good old days of Tsarism. The Cadet party, émigrés, nobles and kulaks stood by those plans.

UK and France were willing to generously finance the dictators and supply them weaponry, equipments and men. On this latter point, however, the peoples of the UK and France were weary of war and the workers had demonstrated against the attacks on the RSFSR. The English and French leaders, especially the latter [50], counted on the participation of other countries and they got hold of it. Polish [51], Finnish, Serbian, Romanian, and Greek army units participated in the Western crusade. The Czechs and Chinese intervened in Siberia. The Turks controlled an important part of the Caucasus.

In Germany a social revolution was unfolding which ended barbarously crushed by the German Social-Democrats in April-May 1919. The Social-Democrats and other German bourgeois parties felt then free to join forces with the Big Four to participate in the attack to the RSFSR. (In spite of the fact that for the sake of the German public opinion they shouted a lot against the Treaty of Versailles.) The German High Command had kept 100,000 men (the "Black Reichswehr") allowed by the "enemy" Marshal Foch to crush the German revolution. A member of the High Command was our well-known General Max Hoffmann who contacted Foch (now, already a "friend"), presenting him a plan according to which the German army would march to Moscow and annihilate Bolshevism "by the roots". Foch approved the plan provided the whole Eastern Europe would be mobilized against the RSFSR and the French army would lead at the head of the German army against Moscow.

This way, the RSFSR was going to yet face another ordeal of invasion and undeclared warfare from 14 countries. On this respect, Churchill inserted in a book of his a "merry" tirade of the purest cynicism [16]: “Were they [the Allies] at war with Soviet Russia? Certainly not; but they shot Soviet Russians at sight. They armed the enemies of the Soviet Government. They blockaded its ports and sunk its battleships. They earnestly desired and schemed its downfall. But war —shocking! Interference — shame! It was, they repeated, a matter of indifference to them how Russians settled their own internal affairs. They [the Allies] were impartial — Bang! And then at the same time: parley and try to trade.”

Preparativos

A estratégia dos generais brancos e dos intervencionistas era mover os seus exércitos a partir de cinco frentes [52] cujos comandantes eram:

-- Frente Leste: Almirante Koltchak (Alexander Vassilievitch), ex-comandante naval czarista vindo do Japão. Escolhido pelo General checo Gaida [53], comandante da legião checa, com apoio de Churchill e do General Graves, comandante da Força Expedicionária Americana na Sibéria (chegada a Vladivostok a 1 de Setembro de 1918). Missão aprovada por conselheiros franceses e britânicos, e Departamento de Estado dos EUA: organizar um grande exército de ocupação da Sibéria e Leste da Rússia Europeia, e com exércitos interven-cionistas, avançar sobre Moscovo pelo Leste.
-- Frente Sul: General Denikin (Anton), ex-oficial czarista que já referimos no artigo anterior. Escolhido por Churchill e franceses. Missão aprovada por Churchill, franceses e representantes dos brancos: a partir de bases do Cáucaso e Mar Negro, com amplo apoio e reforço dos franceses, romenos e gregos, apoderar-se dos territórios economicamente vitais da Ucrânia e do Don e subir o Volga em direcção a Moscovo [54].
-- Frente Norte: Capitão Tchaplin (Georgy Ermolaevitch), ex-oficial czarista, e General Frederick Poole, britânico, Comandante-Chefe das Forças Aliadas do Norte da Rússia. Escolhidos pelos Aliados. Missão: marchar de Arcangel sobre Petrogrado e Moscovo.
-- Frente Noroeste: General Yudenitch (Nikolai), ex-General czarista e amigo do espião britânico Sidney Reilly. Escolhido por Churchill. Missão aprovada pelo governo britânico: conduzir a partir dos países bálticos, com apoio de exércitos do Leste Europeu, uma ofensiva sobre Petrogrado.
-- Frente Ocidental: exércitos polacos do General Pilsudski, sob liderança de oficiais franceses. Missão: ocupar o norte da Ucrânia e a Bielorrússia e marchar sobre Moscovo.

A fim de preparar esta imensa ofensiva numa guerra não declarada contra a RSFSR, «Uma campanha violenta e fantástica de propaganda anti-soviética varria a Europa e América na primavera de 1919. O London Daily Telegraph reportou um "reinado de terror" em Odessa acompanhado por uma "semana de amor livre". O New York Sun destacou: “Feridos Mutilados pelos Vermelhos com Machados”. O New York Times relatou: "A Rússia sob os Vermelhos é uma Gigantesca Casa de Loucos... Vítimas que escaparam dizem que maníacos as perseguiram. Alucinados pelas ruas de Moscovo... Lutam com cães por carniça”. Toda a imprensa mundial, de Aliados e de alemães, publicaram “documentos autênticos” fraudulentos, mostrando que na Rússia “jovens mulheres e meninas das classes burguesas” estavam a ser “confiscadas e entregues aos quartéis... para as necessidades dos regimentos de artilharia!”». Além disso, «Qualquer um que ousasse questionar a campanha anti-soviética era automaticamente denunciado como “bolchevique”» [1].

Esta propaganda anti-soviética decorria quase sem oposição porque «[…] os territórios soviéticos tinham sido completamente isolados do mundo exterior. Nenhum telegrama podia ser enviado para qualquer país Aliado, nenhuma mensagem de rádio de Moscovo era captada por qualquer estação. Nenhum jornal da Europa Ocidental podia ser obtido, e -- o pior de tudo -- não havia meio de explicar ao mundo exterior o que estava a acontecer na Rússia, quão terrivelmente a República Soviética estava a ser difamada pelos mercenários das agências de imprensa Aliadas, quão traiçoeiramente estava a ser atacada, bloqueada e submetida à fome por hipócritas de falinhas mansas, com frases untuosas nos lábios sobre a "não interferência nos assuntos internos da Rússia". Mesmo os governos dos países neutros foram forçados pela pressão da Entente a expulsar os representantes diplomáticos soviéticos» [11].

Churchill, como Secretário da Guerra britânico, assumiu o papel oficioso de comandante supremo dos exércitos anti-soviéticos. Durante a primavera de 1919, ele e o chefe da espionagem britânica Samuel Hoare (outra figura sinistra) receberam como emissários especiais da Rússia o almirante Koltchak, o general Denikin e outros líderes dos brancos – considerados «Russos democráticos» --, para elaborar os preparativos finais em conversações altamente secretas. Nas reuniões estiveram também presentes outros «democratas»: o Príncipe Lvov, o terrorista SR B. Savinkov, o ministro czarista dos Negócios Estrangeiros, Sazonov (representante em Paris de Koltchak e Denikin) e o Tenente-General Golovin, «Representante Oficial dos Exércitos Brancos Russos" no Gabinete de Guerra Britânico. Churchill comprometeu-se a equipar os exércitos brancos.

O RU foi de longe o maior financiador do intervencionismo imperialista. Segundo Churchill, o RU dispendeu em toda a intervenção na RSFSR 100 milhões de libras (cerca de 441 milhões de US$ em 1919, correspondendo a cerca de 6,3 mil milhões de US$ de 2017 [18]).

A 5 de Maio Golovin conversou com Churchill. Este prometeu-lhe 10.000 «voluntários» (muitos da Índia e do Canadá) para a campanha do Norte – reforços urgentemente necessários dada a desmoralização nos contingentes britânico e americano --, e 2.500 «voluntários» britânicos como instrutores militares e especialistas técnicos para Denikin. Disse que o RU destinaria £ 24.000.000 às várias frentes anti-soviéticas, e armamento adequado para equipar os 100.000 homens de Yudenitch na marcha sobre Petrogrado. Seriam ainda tomadas providências para que 500 ex-oficiais czaristas, prisioneiros de guerra na Alemanha, fossem transferidos para Arcangel a expensas britânicas. Segundo Golovin, a ajuda britânica excedeu as suas expectativas [55].

A França deu muito menos ajuda material aos brancos que a Inglaterra. O único empreendi-mento independente da França, em Odessa, terminou em fiasco. A França deu, contudo, grande apoio diplomático aos brancos. Reconheceu formalmente o governo de Koltchak como o «governo nacional de toda a Rússia». Em 27 de Maio, Clemenceau, em nome do Supremo Conselho Aliado, enviou uma nota a Koltchak em que propunha apoiar o seu governo enviando munições, suprimentos e alimentos, desde que – cláusula de propaganda para a opinião pública -- «os governos Aliados tenham provas de que estão realmente a ajudar o povo russo a alcançar a liberdade, o auto-governo e a paz». [16] Veremos depois como Koltchak cumpriu esta cláusula.

«De acordo com as estatísticas do Estado-Maior da Rússia, as forças intervencionistas em Fevereiro de 1919 atingiram um total de 300.000 homens. Destes, 50.000 homens compunham o exército do norte, enquanto tropas franco-gregas totalizando 20.000, juntamente com 7.000 americanos, ocupavam a costa do Mar Negro. Havia 40 mil homens no sector finlandês e outros 37 mil na Estónia e na Letónia. As forças polacas somavam 64.000 e as Checoslovacas 40.000. Os japoneses enviaram três divisões e, finalmente havia 31.000 alemães baltas. Estes números não incluem os marinheiros das frotas britânica e francesa nos mares Báltico e Negro» [29].

No final de 1918 a situação não era desfavorável para o Exército Vermelho. Para além das vitórias alcançadas desde Agosto, havia outros factores favoráveis: tinham ocorrido revoluções populares na Ucrânia, Don e países bálticos. Na Ucrânia, os camponeses que haviam sofrido a opressão brutal de Skoropadsky e dos grandes latifundiários russos e polacos apoiados pelos generais prussianos, revoltaram-se. A traição da Rada tinha-a desacreditado tal como os slogans nacionalistas. A segunda república soviética ucraniana foi proclamada em Kharkov. Krasnov tinha fugido do Don e com Skoropadsky foi para a Alemanha. Pequenas forças das tropas vermelhas, unidas aos elementos vermelhos dos cossacos, tomaram Novotcherkassk. Alexeiev morrera no final de 1918 e o Exército Voluntário foi encabeçado por Denikin, confinado a uma pequena faixa nas estepes do noroeste do Cáucaso. Nos países bálticos insurreições de operários e camponeses criaram repúblicas soviéticas.

Entretanto, face à ameaça da intervenção com forças poderosas o CCP tomou medidas. Desde o início de 1919 procurou febrilmente elevar o Exército Vermelho de 600.000 para 1,5 milhão de homens. Um número crescente de trabalha-dores foi recrutado. As escolas de oficiais continuaram a formar comandantes das classes trabalhadoras, que começaram gradualmente a substituir oficiais do antigo exército. Constituiu-se um Conselho Supremo Revolucionário de Defesa que controlava todas as frentes do Exército Vermelho, estendendo-se por mais de 12.000 km.
Preparations

The strategy of the White generals and the interventionists was to move their armies from five fronts [52] whose commanders were:

-- Eastern Front: Admiral Kolchak (Alexander Vassilievich), former Tsarist naval commander who came from Japan. He was chosen by the Czech General Gayda [53], commander of the Czech legion, with support from Churchill and General Graves, commander of the American Expeditionary Force in Siberia (arrived to Vladivostok on September 1, 1918). Mission approved by the French and British advisers and the US Department of State: to organize a large occupation army of Siberia and Eastern European Russia, and with interventionist armies, to advance over Moscow from the East.
-- South Front: General Denikin (Anton), former Tsarist officer already mentioned in the previous article. Chosen by Churchill and the French. Mission approved by Churchill, French and representatives of the Whites: from the Caucasus and Black Sea bases, with broad support and reinforcements of the French, Romanians and Greeks, to seize the economically vital territories of Ukraine and Don and advance up the Volga toward Moscow [54].
-- North Front: Captain Chaplin (Georgy Ermolaevitch), former Tsarist officer, and General Frederick Poole, British, Commander-in-chief of the Allied Forces of Northern Russia. Chosen by the Allies. Mission: to march from Archangel over Petrograd and Moscow.
-- Northwest Front: General Yudenitch (Nikolai), former Tsarist General and friend of the British spy Sidney Reilly. Chosen by Churchill. Mission approved by the British government: to lead from the Baltic countries, with the support of Eastern European armies, an offensive on Petrograd.
-- Western Front: Polish armies of General Pilsudski, under the leadership of French officers. Mission: to occupy northern Ukraine and Belarus and to march over Moscow.

In order to prepare this immense offensive in an undeclared war against the RSFSR,A violent and fantastic campaign of anti-Soviet propaganda was sweeping Europe and America in the spring of 1919. The London Daily Telegraph reported a ‘reign of terror’ in Odessa accompanied by a ‘free love week.’ The New York Sun headlined: ‘Wounded Mutilated by Reds with Axes.’ The New York Times reported: ‘Russia Under Reds a Gigantic Bedlam... Escaped Victims say maniacs Stalk Raving through the streets of Moscow... Fight Dogs for Carrion.’ The entire world press, Allied and German alike, published fraudulent ‘authentic documents’ showing that in Russia ‘young women and girls of the bourgeois classes’ were being ‘commandeered and delivered to the barracks... for the needs of artillery regiments!’” In addition, "Anyone who dared to question the anti-Soviet campaign was automatically denounced as a ‘Bolshevik’". [1]

This anti-Soviet propaganda was almost unopposed because "[...] the Soviet territories were completely cut off from the outer world. No telegrams could be sent to any Allied country, no radio message from Moscow was taken up by any wireless station. No newspaper could be obtained from Western Europe, and -- worst of all -- there was no means of explaining to the outer world what was going on in Russia, how grievously the Soviet Republic was being libelled by the hirelings of the Allied press agencies, how treacherously she was being attacked, blockaded and starved by mealy-mouthed hypocrites with unctuous phrases on their lips about ‘non-interference in the internal affairs of Russia.’ Even the Governments of the neutral countries had been forced by the pressure of the Entente to expel the Soviet diplomatic representatives" [11].

Churchill, as British Secretary of War, assumed the officious role of supreme commander of the anti-Soviet armies. During the spring of 1919, he and the British espionage chief Samuel Hoare (another sinister figure) received, as special emissaries of Russia, Admiral Kolchak, General Denikin, and other White leaders – appraised as "democratic Russians" --, for the purpose of elaborating on the final preparations in highly secretive talks. Other "democrats" were also present at the meetings: Prince Lvov, the SR terrorist B. Savinkov, the Tsar’s Foreign Minister Sazonov (representative of Kolchak and Denikin in Paris) and the Lieutenant-General Golovin, "Official Representative of the White Russian Armies" in the British War Cabinet. Churchill committed himself to equipping the White armies.

UK was by far the biggest financier of the imperialist interventionism. According to Churchill, the UK spent over £ 100 million on the whole intervention against RSFSR (about US$ 441 millions in 1919, corresponding to about US$ 6.3 billions in 2017 [18]).

On May 5 Golovin talked with Churchill. Churchill promised 10,000 "volunteers" (many from India and Canada) for the Northern Campaign – in urgent need of reinforcements given the plummeting morale of the British and American contingents -- and 2,500 British "volunteers" as military instructors and technical experts for Denikin. He further said that the UK would allocate £ 24,000,000 to various anti-Soviet fronts, and adequate armament to equip Yudenich's 100,000 men in their march over Petrograd. Arrangements would also be made for 500 former Tsarist officers, prisoners of war in Germany, to be transferred to Archangel at British expense. According to Golovin, British aid exceeded his expectations [55].

France gave much less material aid to the Whites than Britain. The only independent undertaking of France, in Odessa, ended in complete fiasco. France, however, gave great diplomatic support to the Whites. She formally recognized Kolchak’s government as the "all Russia national government”. On 27 May, Clemenceau, on behalf of the Supreme Allied Council, sent a note to Kolchak proposing to support his government by sending ammunition, supplies and food, as far as -- a propaganda clause for the public opinion -- "Allied governments have proof that they are really helping the Russian people to achieve freedom, self-government, and peace." [16] We shall see later how Kolchak fulfilled this clause.

"According to the statistics of the Russian General Staff, the interventionist forces in February 1919 reached a total of 300,000 men. Of these, 50,000 men composed the northern army, while Franco-Greek troops to the number of 20,000 along with 7,000 Americans, occupied the Black Sea coast. There were 40,000 men in the Finnish sector and another 37,000 in Estonia and Latvia. The Polish forces numbered 64,000 and the Czechoslovaks 40,000. The Japanese sent three divisions, and finally there were the 31,000 German Balts. These figures do not include the sailors of the British and French Fleets in the Baltic and Black Seas” [29].

By the end of 1918 the situation was not unfavorable for the Red Army. In addition to the victories achieved since August, there were other favorable factors: popular revolutions had occurred in Ukraine, the Don and the Baltic countries. In Ukraine the peasants, who had suffered the brutal oppression of Skoropadsky and of the large Russian and Polish landowners supported by the Prussian generals, stood up. The Rada's betrayal had discredited her and the nationalist slogans. The second Ukrainian Soviet republic was proclaimed in Kharkov. Krasnov had fled the Don and with Skoropadsky went to Germany. Small forces of the Red troops, united to the red elements among the Cossacks, took Novocherkassk. Alexeyev had died in the end of 1918 and the Volunteer Army was now headed by Denikin, confined to a small strip in the Northwest steppes of the Caucasus. In the Baltic countries insurrections of workers and peasants had created Soviet republics.

Meanwhile, faced with the threat of intervention by powerful forces the CPC took action. From the beginning of 1919 it was feverishly sought to raise the Red Army from 600,000 to 1.5 million men. An increasing number of workers were recruited. Officer schools continued to form commanders from the working classes, who gradually began to replace the officers of the old army. A Supreme Revolutionary Defense Council was formed which controlled all Fronts of the Red Army, which would extend for more than 12,000 km.

A Campanha do Norte

Vimos na Parte I como os intervencionistas avançaram em Julho de 1918 de Murmansk para Arcangel, fuzilando sumariamente pelo caminho todos os opositores e líderes soviéticos que puderam apanhar. Os britânicos tomaram medidas para impor um regime reaccionário. Enviaram agentes dos serviços secretos que colaboraram com conspiradores SRs e o ex-oficial czarista G. Tchaplin. A 3 de Agosto, após a tomada de Arcangel, os britânicos, comandados pelo General Poole, instalaram um governo fantoche encabeçado por N. Tchaikovski. A 5 de Setembro Tchaplin e oficiais russos reaccionários conluiados com Poole depuseram o governo Tchaplin, considerado demasiado liberal, instalando uma ditadura militar pró-monarquista. Para dar um ar democrático ao governo, integraram alguns ex-ministros SR de Tchaikovski.

Em Setembro de 1918 um contingente de 4.500 tropas americanas desembarcou em Arcangel. Americanos, britânicos e sérvios avançaram para Sul, ao longo do rio Dvina Setentrional (N-S: Kotlas, Perm) e do rio Vaga (N-S: Shenkursk, Volsk, Vologda). Queriam ligar com as forças brancas do Norte da Sibéria e ameaçar Petrogrado. Depararam com forte oposição do 6.º Exército Vermelho e não alcançaram Kotlas nem Volsk. Pediram reforços.

No início de 1919 as forças intervencionistas compunham-se de: 18.400 britânicos (incluindo canadianos e indianos), 5.100 americanos, 1.800 franceses, 1.200 italianos e 1.000 sérvios. O exército branco era de cerca de 20.000 homens. Um capitão do contingente americano escreveu no seu livro de memórias que no exército branco «todos eram oficiais»; havia inúmeros oficiais czaristas e oficiais cossacos vestidos como em parada.

A crueldade de brancos e intervencionistas era geral. Um participante americano escreveu [55]: «Usámos bombas de gás nos bolcheviques», «Montámos todas as armadilhas que pudemos imaginar quando evacuávamos as aldeias. Uma vez fuzilámos mais de trinta prisioneiros [...] Quando prendemos o comissário de Borok, um sargento disse-me que deixou o corpo dele na rua, despido e com dezasseis baionetadas. Entrámos de surpresa em Borok, e o Comissário, um civil, não teve tempo de se armar [...] Ouvi um oficial dizer repetidamente aos seus homens para não fazer prisioneiros, para os matar mesmo se viessem desarmados [...] Vi um prisioneiro bolchevique desarmado, que não estava a causar nenhum problema, abatido a sangue frio [...] Noite após noite, o pelotão de fuzilamento escolhia os seus lotes de vítimas». Sayers e Kahn [1]: «Uma companhia francesa matou todos os seus [prisioneiros] feridos antes de uma súbita retirada» e «Os poucos americanos que foram feitos prisioneiros foram bem tratados e propagandeados em Moscovo e logo libertados».

O moral dos soldados intervencionistas era baixo. Perguntavam-se por que estavam a lutar na Rússia quando a guerra tinha terminado. As fricções entre britânicos, franceses e brancos tornaram-se cada vez mais frequentes. Os motins começaram a irromper. Quando o 339.º regimento de infantaria americano se recusou a obedecer a ordens, o Coronel reuniu as tropas e leu os Artigos de Guerra especificando a morte como pena por um motim. Após um momento de impressionante silêncio o Coronel perguntou se havia dúvidas. Uma voz das fileiras perguntou: «V. Senhoria, para que estamos aqui e quais são as intenções do governo dos Estados Unidos?» O Coronel não conseguiu responder à pergunta [1]. Em fins de Julho um regimento russo no distrito de Onega amotinou-se e entregou toda a frente de Onega aos bolcheviques. Nos EUA crescia o protesto popular para retirar os soldados da Rússia.

Em 25 de Janeiro de 1919 o 6.º Exército Vermelho desencadeou a contra-ofensiva «operação Shenkursk» e liquidou o avanço inimigo. As tropas americanas e canadianas fugiram de Shenkursk. Em Março de 1919 a retirada dos invasores era geral. Em 30 de Março, a Companhia I do 339.º regimento de infantaria dos EUA iniciou um leve motim. O general March prometeu a retirada de todas as tropas americanas até Junho.

Em 30 de Junho os últimos americanos foram evacuados. A intervenção custara US$ 3.000.000 (cerca de 43 milhões de US$ de 2017), 244 mortos e 305 feridos. Os britânicos ainda procuravam avançar para Petrogrado mas enfrentaram grande resistência da população russa farta da crueldade intervencionista. Um participante da intervenção escreveu [56]: «Quando, noite após noite o pelotão de fuzilamento escolhia os seus lotes de vítimas […] havia milhares de ouvidos atentos a ouvir o ré-té-tét das metralhadoras […] Toda a vítima tinha amigos. Esses amigos e seus amigos rapidamente se tornaram inimigos da Intervenção Militar. Essa inimizade naturalmente significou bolchevismo, no que diz respeito à Intervenção Militar». As perdas britânicas totais no norte da Rússia, onde tiveram mais combates com as tropas soviéticas do que em outros teatros de intervenção, foram oficialmente de 983, incluindo 327 mortos.

Os exércitos brancos e intervencionistas entraram em decomposição. Em 27 de Julho, um grupo de russos, recrutados pelos brancos, assassinou os seus oficiais ingleses e russos e juntou-se ao Exército Vermelho. As deserções e motins tornaram-se comuns. Arcangel foi abandonada em 27 de Setembro e Murmansk em 12 de Outubro. As forças soviéticas, ocupadas em outros lugares, só entraram em Arcangel e Murmansk em Fevereiro de 1920.
The Northern Campaign

We saw in Part I how the interventionists advanced in July 1918 from Murmansk to Archangel, summarily shooting along the way all the opponents and Soviet leaders they could lay hands on. The British took steps to impose a reactionary regime. They sent intelligence officers who collaborated with SR conspirators and the former Tsarist officer G. Chaplin. On August 3, after the capture of Archangel, the British, commanded by General Poole, installed a puppet government headed by N. Tchaikovsky. On September 5, Chaplin and reactionary Russian officers colluded with Poole deposed the Chaplin government, considered too liberal, and set up a pro-monarchist military dictatorship. In order to give the government a democratic appearance, some former SR ministers of Tchaikovsky were integrated in the new government.

In September 1918 a contingent of 4,500 American troops landed in Archangel. Americans, British and Serbs progressed southwards, along the Northern Dvina river (N-S: Kotlas, Perm) and the Vaga river (N-S: Shenkursk, Volsk, Vologda). They wanted to link with the White forces of northern Siberia and threaten Petrograd. They faced strong opposition from the 6th Red Army and didn’t reach Kotlas nor Volsk. They asked reinforcements.

In early 1919 the interventionist forces consisted of: 18,400 British (including Canadians and Indians), 5,100 Americans, 1,800 French, 1,200 Italians and 1,000 Serbs. The White army was of about 20,000 men. A captain of the American contingent wrote in his memoirs that in the White army "everyone was an officer"; there were countless Tsarist officers and Cossack officers dressed as for a parade.

The cruelty of the Whites and interventionists was generalized. One American participant wrote: "We used gas shells on the Bolsheviks”, “We fixed all the booby traps we could think of when we evacuated villages. Once we shot more than thirty prisoners [...] And when we caught the Commissar of Borok, a sergeant tells me he left his body in the street, stripped, with sixteen bayonet wounds. We surprised Borok, and the Commissar, a civilian, did not have time to arm himself [...] I have heard an officer tell his men repeatedly to take no prisoners, to kill them even if they came in unarmed [...] I saw a disarmed Bolshevik prisoner, who was making no trouble of any kind, shot down in cold blood [...] Night after night the firing squad took out its batches of victims.” Sayers and Kahn [1]: “One French company killed all its wounded [prisoners] before a sudden retirement.” and “The few Americans taken prisoner were pampered and propagandized in Moscow and soon liberated."

The morale of the interventionist soldiers was low. They wondered why they should be fighting in Russia when the war was over. Frictions between British, French, and Whites became more and more frequent. Mutinies began to break out. When the American 339th infantry regiment refused to obey orders, the Colonel assembled the troops and read the Articles of War specifying death as a penalty for a mutiny. After a moment of impressive silence the Colonel asked if there were any doubts. A voice from the ranks spoke up: "Sir, what are we here for, and what are the intentions of the United States Government?" The Colonel could not answer the question. At the end of July a Russian regiment in the Onega district mutinied and handed over the entire Onega Front to the Bolsheviks. In the US, popular protest was mounting to withdraw soldiers from Russia.

On January 25, 1919 the 6th Red Army unleashed the counter-offensive "Operation Shenkursk" and liquidated the enemy advance. American and Canadian troops fled from Shenkursk. In March 1919 the withdrawal of the invaders was general. On March 30, Company I of the 339th US Infantry Regiment began a mild mutiny. General March promised to withdraw all US troops by June.

On June 30 the last Americans were evacuated. The intervention had cost US$ 3,000,000 (about 43 million US$ of 2017), 244 dead and 305 injured. The British were still seeking to advance to Petrograd, but they faced great resistance from the Russian population that had had enough of the interventionist cruelty. As one participant of the interventionists wrote [56]: “When night after night the firing squad took out its batches of victims […] there were thousands of listening ears to hear the rat-tat-tat of machine guns […] Every victim had friends. These friends and their friends rapidly were made enemies of the Military Intervention. And this enmity naturally spelled Bolshevism, as far as the Military Intervention was concerned.” The total British losses in North Russia, where there was more direct fighting with the Soviet troops than in other theatres of intervention, were officially stated as 983, including 327 killed.

The White and interventionist armies entered into decomposition. On July 27, a group of Russians, recruited by the Whites, assassinated their English and Russian officers and joined the Red Army. Desertions and mutinies became commonplace. Archangel was abandoned on 27 September and Murmansk on 12 October. Soviet forces, occupied elsewhere, only entered Archangel and Murmansk in February 1920.

A Campanha do Leste até Abril de 1919

Koltchak estabeleceu-se como ditador da Sibéria em 18 de Novembro de 1918. Com apoio dos cossacos da Sibéria e dos imperialistas da Entente, varreu o «Directório» de SRs em Omsk e tornou-se «Supremo Governante» da Rússia com um Ministro do Interior do partido Cadete [57]. Os seus oficiais mais próximos eram homens que aquando de uma recepção de uma missão francesa cantaram o «Deus salve o Czar».

Os numerosos SRs, que meses atrás tantas revoltas armadas tinham feito contra os bolcheviques e sovietes, não organizaram nenhuma contra Koltchak. Os SRs mais notáveis de Omsk, como Tchernov, emigraram. Mas a organização bolchevique clandestina que continuou a funcionar depois do derrube do soviete preparou uma revolta que eclodiu em Omsk a 21 de Dezembro. Os principais participantes eram trabalhadores ferroviários. «Foi impiedosamente esmagada; quase 300 pessoas foram mortas durante a repressão da revolta; e outras 166 foram fuziladas por sentenças de tribunais militares» [16].

Para além de comandar um grande exército branco, Koltchak foi apoiado por mais de 133.000 forças estrabgeiras: 70.000 japoneses cuja missão era ocupar a Sibéria a Leste do lago Baikal; mais de 7.000 soldados ingleses no norte da Sibéria; 7.000 oficiais, técnicos e soldados, ingleses e franceses, que ajudaram a treinar o exército branco; 1.500 italianos; um corpo de 8.000 soldados americanos sob o comando do General Graves para, juntamente com a legião checa de 40.000 homens, controlar o Transiberiano [58]. Além disso, «O regime de Koltchak foi generosamente fornecido pelos Aliados, especialmente pela Grã-Bretanha, com munições, armas de guerra e fundos» [1]

Os imperialistas teceram vários louvores a Koltchak: «um cavalheiro» (Samuel Hoare), «honesto», «patriótico» (Churchill), «homem forte e honesto» com «um governo estável e aproximadamente representativo» (New York Times). Na realidade, o regime «aproximadamente representativo» era um regime de terror. Relatam assim Sayers e Kahn [1] (confirmado por outros autores e muitas testemunhas oculares):

«Havia 100.000 homens no exército do almirante e outros milhares estavam a ser recrutados sob pena de fuzilamento. As prisões e campos de concentração estavam cheios a transbordar. Centenas de russos que tinham tido a ousadia de se opor ao novo ditador balançavam de postes telegráficos e árvores ao longo do Transiberiano. Muitos mais jaziam em valas comuns que os próprios tinham sido forçados a escavar antes dos executores de Koltchak os liquidarem com metralhadoras. Violações, assassinatos e pilhagens eram a ordem do dia».

«Este General Ivanov-Rinov foi um dos comandantes de Kolchak mais selvagens e sádicos. Os seus soldados na Sibéria Oriental chacinaram todas as populações masculinas das aldeias suspeitas de terem dado guarida a “bolcheviques”. Tornaram prática corrente violar mulheres e chicoteá-las com varetas. Assassinaram velhos, mulheres e crianças».

«Um jovem oficial americano que foi enviado para investigar as atrocidades cometidas por Ivanov-Rinov ficou tão abalado com o que viu que depois de ter reportado a Graves exclamou: “Por amor de Deus, General, nunca me envie para outra expedição como esta! Por um triz não arranquei o meu uniforme e me juntei a essa pobre gente ajudando-a o melhor que podia!”»

Quando Ivanov-Rinov enfrentou uma insurreição popular foi o comissário britânico que o salvou. Graves, que refreou o apoio dos soldados americanos a Koltchak, deparou com grande hostilidade dos líderes brancos, britânicos, franceses e japoneses por criticar as selvajarias de Kolchak. Foi acusado de «bolchevismo» e incomodado pelo Departamento de Estado dos EUA.

«Juntamente com as tropas de Koltchak, bandos terroristas financiados pelos japoneses pilhavam as aldeias. Os principais líderes eram os atamans Grigori Semyonov e Kalmikov.
O Coronel Morrow, comandante das tropas americanas no sector Trans-Baikal, relatou que numa aldeia ocupada pelas tropas de Semyonov todos os homens, mulheres e crianças foram assassinados. A maioria dos ocupantes das casas, relatou o Coronel, foram abatidos “como coelhos”, quando fugiam delas. Houve homens queimados vivos.
Segundo o General Graves, ‘Os soldados de Semyonov e Kalmikov, sob protecção das tropas japonesas, vagueavam pelos campos como feras, matando e roubando as pessoas… Quando se lhes perguntava sobre estes assassinatos brutais a resposta era que as pessoas assassinadas eram os bolcheviques e esta explicação, aparentemente, satisfazia todo o mundo’».

O caso de Koltchak não foi único. Todos os exércitos brancos ficaram conhecidos pelas suas atrocidades. Todos eles apoiados, financiados, acarinhados pelos imperialistas. Todos eles com líderes muito elogiados pelos media imperialis-tas. A bestialidade e o cinismo imperialista vêm de longe. A sua “lógica” radica-se no lucro capitalista.
*   *   *

No final de Dezembro de 1918, quando o Exército Vermelho no seu avanço no Médio Volga tomou Ufa e Orenburgo, um exército de Koltchak tomou Perm, no Norte e progrediu gradualmente para Oeste.

Em Março de 1919 a situação no sector central da Frente Leste complicou-se para o Exército Vermelho. Face a um exército de Koltchak de 40.000 homens encontrava-se apenas o 5.º exército [59] do Exército Vermelho que na altura contava com 11.000 homens. Ufa foi tomada pelos brancos a 13 de Março.

A ofensiva dos brancos continuou até ao fim de Abril. Kazan e Samara foram seriamente ameaçadas, enquanto no norte um exército comandado pelo general checo Gayda, alcançou Glazov, a meio caminho entre Perm e Viatka.
The Eastern Campaign until April 1919

Kolchak established himself as a dictator of Siberia in November 18, 1918. With the support of the Cossacks of Siberia and the Entente imperialists, he swept the SRs' “Directory” in Omsk and became Russia's "Supreme Ruler" with a Home Minister of the Cadet party [57]. His closest officers were men who, upon receiving a French mission, sang the "God save the Tsar."

The numerous SRs, who months earlier so many insurrections unleashed against the Bolsheviks and the soviets, did not organize any whatsoever against Kolchak. The most notable SRs in Omsk, like Chernov, emigrated. But the clandestine Bolshevik organization which continued to function after the overthrow of the Soviet prepared an uprising that broke out in Omsk on 21 December. The main participants were railway workers. “It was mercilessly crushed; almost 300 people were killed during the suppression of the uprising; and 166 more were shot by court martial sentences.” [16]

Besides commanding a large White army, Kolchak was supported by more than 133,000 foreign forces: 70,000 Japanese whose mission was to occupy Siberia, east of Lake Baikal; more than 7,000 British soldiers in northern Siberia; 7,000 officers, technicians, and soldiers, English and French, who helped train the White army; 1,500 Italians; a force of 8,000 American soldiers under General Graves' command to control the Trans-Siberian together with the Czech legion of 40,000 men. [58] In addition, "The Kolchak regime was generously supplied by the Allies, especially by Britain, with munitions, weapons of war and funds." [1]

The imperialists lauded Kolchak in several ways: "a gentleman" (Samuel Hoare), "honest", "patriotic" (Churchill), "strong and honest man" with "a stable and approximately representative government" (New York Times). The “approximately representative” regime was actually a regime of terror. Sayers and Kahn [1] report this (confirmed by other authors and many eyewitnesses):

“There were 100,000 men in the Admiral’s army, and thousands more were being recruited on penalty of being shot. Prisons and concentration camps were filled to overflowing. Hundreds of Russians, who had had the temerity to oppose the new dictator, dangled from telegraph poles and trees along the Trans-Siberian Railroad. Many more reposed in common graves which they had been forced to dig themselves before Kolchak’s executioners had mowed them down with machine-gun fire. Rape, murder and pillage were the rule of the day.”

“This General Ivanoff-Rinoff was one of Kolchak’s most savage and sadistic commanders. His soldiers in eastern Siberia slaughtered the entire male populations of villages suspected of having harbored ‘Bolsheviks.’ They made a common practice of raping women and whipping them with ram-rods. They murdered old men, women and children.”

“One young American officer, who had been sent to investigate the atrocities committed by Ivanoff-Rinoff, was so shaken by what he saw that after he had finished making his report to Graves, he exclaimed, “General, for God’s sake never send me on another expedition like this! I came within an ace of pulling off my uniform, joining these poor people, and helping them as best I could!”

When Ivanov-Rinov faced a popular uprising it was the British commissar who saved him. Graves, who restrained American troops' support of Kolchak, was met with great hostility by the White, British, French and Japanese leaders for criticizing Kolchak's savageries. He was accused of "Bolshevism" and harassed by the US State Department.

“Along with Kolchak’s troops, terrorist bands, financed by the Japanese, were ravaging the countryside. Their chief leaders were Ataman Grigori Semyonov and Kalmikoff.
Colonel Morrow, the commander of the American troops in the Trans-Baikal sector, reported that in one village occupied by Semyonov’s troops, every man, woman and child was murdered. The majority of the occupants, related the Colonel, were shot down “like rabbits” as they fled from their homes. Men were burned alive.
“Semenov [Semyonov] and Kalmikoff soldiers,” according to General Graves, “under the protection of Japanese troops, were roaming the country like wild animals, killing and robbing the people.... If questions were asked about these brutal murders, the reply was that the people murdered were the Bolsheviks and this explanation, apparently, satisfied the world.”

The case of Kolchak was not unique. All White armies were known for their atrocities. All of them supported, financed, cherished by the imperialists. All of them with leaders praised by the imperialist media. Imperialist brutality and cynicism reach far back into the past. Its "rationale" is rooted in the capitalist profit.

*   *   *

In late December 1918, when the Red Army in its advance in the Middle Volga took Ufa and Orenburg, one of Kolchak’s armies took Perm in the north and gradually progressed westwards.

In March 1919 the situation in the central sector of the Eastern Front became complicated for the Red Army. Facing one of Kolchak’s armies of 40,000 men stood only the 5th Army [59] of the Red Army which at the time had 11,000 men. Ufa was taken by the Whites on 13 March.

The White offensive continued until the end of April. Kazan and Samara were seriously threatened, while in the north an army commanded by the Czech General Gaida, reached Glazov, midway between Perm and Vyatka.






Situação das Frentes em Março de 1919 [16]. Situation of the Fronts in March 1919 [16].

Questões Militares

A tomada de Perm, defendida pelo 3.º Exército, soou campainhas de alarme. O CC do PCR(b) e o Conselho de Defesa, sob proposta de Lenine, nomearam a 1 de Janeiro de 1919 uma comissão composta por Estaline e Djerjinski para investigar as razões do desastre do Perm. Estaline e Djerjinski chegaram a Viatka a 3 de Janeiro. A 5 de Janeiro enviaram uma mensagem a Lenine [60] com duas constatações: de mais de 30.000 soldados do 3.º Exército (que já combatera no Sul) restavam 11.000 soldados cansados e maltratados; as unidades enviadas pelo Comandante-Chefe Vatzetis (escolhido e apoiado por Trotski, [36]) não eram de confiança, «em parte, mesmo hostis». Pediam a Lenine para exercer pressão sobre as autoridades militares para enviarem urgentemente pelo menos três regimentos de confiança.

A 13 de Janeiro, Estaline e Djerjinski enviaram de Glazov (a 180 km de Perm) um relatório a Lenine e ao CC sobre as razões do desastre de Perm, propondo medidas para restaurar o 3.º Exército e permitir que passasse à ofensiva. Lenine respondeu pedindo a ambos para supervisionarem pessoalmente a execução das medidas propostas. Seguiu-se novo relatório a 19 de Janeiro e outro mais completo a 31 de Janeiro. Para além das razões acima, os relatórios culpavam instruções do Conselho Militar Revolucionário da República (CMRR) de terem desorganizado a frente e os exércitos, rebatiam afirmações de especialistas militares [61], descreviam medidas que já tinham tomado e solicitavam outras, e queixavam-se no relatório de 19 de Janeiro de que «Os três regimentos prometidos por Vatzetis ainda não chegaram (e não chegarão, porque ontem, parece, foram redireccionados para Narva)».

A questão dos três regimentos prometidos por Vatzetis mas que este desviou para Narva (Estónia), é digna de nota. Quando Lenine recebeu o relatório de 19 de Janeiro enviou-o ao CMRR com a seguinte nota na margem: «Na minha opinião é simplesmente revoltante que Vatzetis tenha ordenado os três regimentos para Narva. Dêem contra-ordem!» (Miscelânea de Lenine, v. 34). Os reforços pedidos foram recebidos, apesar da hostilidade de Trotski que pediu para chamar de volta Estaline. Lenine protelou o pedido e só chamou de volta Estaline quando a sua missão terminou.

Segundo Price [11], Vatzetis, um Letão, era no CMRR um defensor da «Escola Ocidental»: a prioridade não era a Frente Leste mas sim a frente Oeste para criar uma ponte vermelha entre a RSFSR e as revoluções a Ocidente (Alemanha e Báltico). Era um plano aventureiro, que desprezava a segurança e retaguarda da RSFSR com as regiões estratégica e economicamente vitais da Sibéria Ocidental e Urais, na miragem dessas revoluções. Em Maio de 1919, perante os grandes reveses da revolução alemã a teoria da «Escola Ocidental» perdeu credibilidade. Apesar disso, Vatzetis continuou a defender a sua teoria. Foi substituído no CMRR.

Durante a sua permanência na Frente Estaline e Djerjinski impediram um motim de um regimento e tomaram várias medidas para restaurar a capacidade de combate do 3.º Exército e fortalecer a frente e retaguarda. Na última metade de Janeiro o 3.º Exército lançou algumas ofensivas. Em Fevereiro, o 3.º Exército totalmente recuperado parou a ofensiva inimiga em Viatka e conquistou algumas localidades.

O 8.º Congresso do PCR(b), em 18-23 Março de 1919, debateu a política militar. Foram reveladas violações das teses do CC sobre especialistas militares do antigo exército quanto à necessidade de centralização e disciplina. Trotski foi criticado por subestimar o papel dos quadros partidários no exército e os subordinar aos antigos especialistas militares, violando o princípio bolchevique de selecção de classes nas mobilizações para o exército. Surgiu no Congresso uma «oposição militar» formada por antigos "comunistas de esquerda" (V. Smirnov, G. Safarov, G. Piatakov, etc.) e outros, que defendia o espírito de guerrilha, negando a necessidade de conquistar antigos especialistas militares e de disciplina no exército. No seu discurso de 21 de Março de 1919 numa sessão plenária a portas fechadas, Lenine defendeu as teses do CC sobre a necessidade de criar um exército regular disciplinado, aproveitar os avanços da ciência militar burguesa e incorporar especialistas militares [62] colocando-os sob controlo dos comissários e do partido. As teses do CC foram aprovadas (174 votos contra 95).

No verão de 1919, depois de algumas vitórias do Exército Vermelho no Leste, Trotski afirmou que Koltchak já não era uma ameaça e propôs transferir forças do Exército Vermelho para a campanha contra Denikin no sul. Estaline apontou que isso daria a Koltchak um período de tréguas de que necessitava para reorganizar e reequipar o seu Exército e lançar nova ofensiva. «Os Urais com suas fábricas», declarou Estaline, «com a sua rede de ferrovias, não deveriam ser deixados nas mãos de Koltchak, porque ele poderia facilmente juntar a si os kulaks e avançar para o Volga». O plano de Trotski foi rejeitado pelo CC. Trotski pediu a demissão. O Conselho de Defesa e o CCP declinou o pedido de Trotski por unanimidade (incluindo Estaline) por ser do «maior prejuízo para a república». Trotski manteve-se como Comissário da Guerra mas não participou mais na campanha do Leste.

O Exército Vermelho continuou a reforçar-se ao longo de 1919. O número de homens aumentou de cerca de 600 mil em Dezembro de 1918 para 3 milhões em Janeiro de 1920. O número de exércitos aumentou de 11 em Dezembro de 1918 para 16 em 1919, com mais homens e melhor equipados [52, 59]. Estes exércitos estavam distribuídos pelas várias frentes. Dada a enorme extensão dessas frentes era possível ao inimigo obter, por algum tempo, uma maioria esmagadora em dado sector da frente e avançar por aí. Mal isso ocorresse o Conselho Militar Revolucionário dessa frente ou o CMRR podia deslocar unidades para esse sector.

Em 1 de Outubro de 1919, o Exército Vermelho tinha até 180.000 membros do PCR(b) e em Agosto de 1920 mais de 278.000. No final de 1920 o Exército Vermelho tinha cerca de 7% membros do Komsomol; 20% do pessoal de comando eram comunistas. Durante a Guerra Civil mais de 50.000 bolcheviques morreram nas Frentes. Para fortalecer o Exército o PCR(b) repetidamente realizou mobilizações partidárias.
Military Issues

The Perm takeover, defended by the 3rd Army, rang alarm bells. On the 1st January 1919, the CC of the RCP(B) and the Council of Defense appointed, following a proposal of Lenin, a committee composed of Stalin and Dzherzhinsky to investigate the reasons of the Perm disaster. Stalin and Dzherzhinsky arrived in Vyatka on 3 January. On January 5 they sent a message to Lenin [60] with two findings: out of more than 30,000 soldiers of the 3rd Army (which had already fought in the South) remained 11,000 weary and battered soldiers; the units sent by the Commander-in-Chief Vatsetis (chosen and supported by Trotsky, [36]) were unreliable, “partly even hostile”. They asked Lenin to put pressure on the military authorities to urgently send at least three trustful regiments.

On 13 January, Stalin and Dzherzhinsky sent from Glazov (180 km from Perm) a report to Lenin and the CC on the reasons of the Perm disaster, proposing measures to restore the 3rd Army and enable it to pass to the offensive. Lenin responded by demanding them both to personally supervise the implementation of their proposed measures. A new report followed on 19 January and a full report on 31 January. In addition to the above reasons, the reports blamed instructions of the Revolutionary Military Council of the Republic (RMCR) of having disorganized the Front and armies, rebutted statements of military specialists [61], described measures which they had already taken and asked for others, and complained in the report of 19 January that the “Three regiments promised by Vatsetis have not yet arrived (and will not [arrive], because yesterday, it appears, they were redirected to Narva)”.

The incident of the three regiments promised by Vatsetis, which he had redirected to Narva (Estonia), is noteworthy. When Lenin received the report of 19 January he forwarded it to the RMCR with the following note in the margin: "In my opinion it is simply outrageous that Vatsetis ordered the three regiments to Narva. Countermand it!” (Lenin Miscellany, XXXIV). The demanded reinforcements were received, despite the hostility of Trotsky who requested Stalin’s recall. Lenin delayed the request, only recalling Stalin when he had completed his mission.

According to Price [11], Vatsetis, a Latvian, was in the RMCR an advocate of the "Western School": the priority was not the Eastern Front but the Western Front in order to create a red bridge between the RSFSR and the revolutions in the West (Germany and the Baltic). It was an adventurous plan that despised the security and rearguard of the RSFSR, with the strategically and economically vital regions of Western Siberia and the Urals, betting in the unclear state of those revolutions. In May 1919, in the face of the great setbacks of the German revolution, the theory of the "Western School" lost its credibility. In spite of it, Vatsetis continued to defend his theory. He was replaced at the RMCR.

During their stay in the Front Stalin and Dzherzhinsky prevented a mutiny of a regiment and took several measures to restore the combat capacity of the 3rd Army and to fortify the front and rear. In the last half of January the 3rd Army launched a few offensives. In February, the fully recovered 3rd Army stopped the enemy offensive at Vyatka and conquered some villages.

The 8th Congress of the RCP(B), on March 18-23, 1919, discussed the military policy. The Congress revealed violations of the CC theses regarding the military experts of the old army, namely the need of centralization and discipline. Trotsky was criticized for underestimating the role of party cadres in the army and subordinating them to the former military specialists, violating the Bolshevik principle of class selection in mobilizations for the army. A "military opposition" sprang up in the Congress, composed of former "Left Communists" (V. Smirnov, G. Safarov, G. Pyatakov, etc.) and others, which advocated a guerrilla spirit, denying the need to win over former military specialists, and of discipline in the army. In his speech of March 21, 1919, in a plenary session with closed doors, Lenin defended the theses of the CC on the need to create a regular disciplined army, taking advantage of the progresses of bourgeois military science, and of incorporating military experts [62] placing them under the control of the commissars and the party. The theses of the CC were approved (174 votes against 95).

In the summer of 1919, after a few victories of the Red Army in the East, Trotsky stated that Kolchak was no longer a menace and proposed transferring Red Army forces to the campaign against Denikin in the south. Stalin pointed out that this would give Kolchak the breathing space he needed to reorganize and reequip his Army and launch a fresh offensive. "The Urals with their works," Stalin declared, "with their network of railways, should not be left in Kolchak hands, because he could there easily collect the kulaks around him and advance to the Volga." Trotsky's plan was rejected by the CC. Trotsky asked for his resignation. The Defense Council and the CPC declined Trotsky's request unanimously (including Stalin) as being of "the greatest detriment to the republic". Trotsky remained as Commissar of War but did not participate any longer in the Eastern campaign.

The Red Army continued to strengthen throughout 1919. The number of men increased from about 600,000 in December 1918 to 3,000,000 in January 1920. The number of armies increased from 11 in December 1918 to 16 in 1919, with more men and better equipment [52, 59]. These armies were spread across the various fronts. Given the enormous extent of these fronts it was possible for the enemy to obtain, for some time, an overwhelming supremacy in a given sector of the Front and to advance there. As soon as this occurred, the Revolutionary Military Council of that Front or the RMCR could move units to that sector.

On October 1, 1919, the Red Army had up to 180,000 members of the RCP(B) and in August 1920 more than 278,000. By the end of 1920, the Red Army had about 7% members of the Komsomol; the communists accounted for 20% of the command staff. During the Civil War more than 50,000 Bolsheviks died in the Fronts. To strengthen the Army the RCP(B) repeatedly carried out party mobilizations.

A Derrota de Koltchak

Em Abril de 1919, quando as tropas de Koltchak tinham rompido a frente no sector central, imediatamente o CEC de Penza formou um regimento de choque comunista que enviou para esse sector. Foram também enviados reforços de Samara – um regimento de voluntários camponeses – e de Novgorod. Os trabalhadores de Orenburg organizaram a defesa da cidade impedindo-a de ser tomada pelos brancos [16].

No início de Maio o 4.º Exército com outras forças na vizinhança da ferrovia Samara-Orenburg, sob o comando de Mikhail Frunze, derrotou o flanco esquerdo do exército branco. Durante a ofensiva de Frunze um destacamento nacional ucraniano das forças de Koltchak matou os seus oficiais e passou-se para o Exército Vermelho.

Em Maio, o 2.º e 3.º Exércitos (48.000 homens) levaram a cabo uma bem sucedida operação preparatória (Sarapulo-Votkinsk) para atacar Perm. Em 20 de Junho atravessaram o rio Kama repelindo o exército de Gaida (44.000 homens). Em 1 de Julho a 29.ª Divisão de Infantaria do 3º Exército tomou, com outras forças, a cidade. A vitória de Perm permitiu ao Exército Vermelho levar a cabo uma ampla ofensiva vitoriosa nos Urais. A retirada das forças de Koltchak converteu-se em debandada.

Em Agosto e Setembro os exércitos de Koltchak fugiam desesperadamente perante os ataques esmagadores do Exército Vermelho e com retaguardas assediadas incessantemente por um movimento de guerrilha generalizado e em rápido crescimento. Em Novembro, Koltchak evacuou a sua capital em Omsk. Chegou em Dezembro a Irkutsk num comboio com as bandeiras inglesa, americana, francesa, italiana e japonesa.

O povo de Irkutsk revoltou-se em 24 de Dezembro, estabeleceu um soviete e prendeu Koltchak e o seu Primeiro-Ministro Cadete, M. Papeleiev. Foi apreendido a Koltchak um vasto tesouro que transportara no comboio: 5.143 caixas e 1.680 sacos de barras de ouro, bolhão, valores mobiliários e objectos de valor, com um valor total estimado de 1.150.500.000 rublos (equivalendo cerca de 451 milhões US$ de 1919 e 6,3 mil milhões de US$ de 2017). No dia de Natal Koltchak transferiu o seu comando para o terrorista Semyonov.

Koltchak e Papeleiev foram julgados por um tribunal soviético e acusados de traição. No tribunal Koltchak lamentou não ter permanecido no mar e afirmou que tinha sido traído por «elementos estrangeiros» que o abandonaram na crise. O tribunal condenou Koltchak e Papeleiev à morte. Foram fuzilados em 7 de Fevereiro de 1920. Vários assessores de Koltchak fugiram para os japoneses. Um deles, o general Bakich, enviou esta mensagem ao cônsul russo na Mongólia: «Perseguidos pelos judeus e comunistas, cruzei a fronteira!»

Os checoslovacos restantes, agora em franca revolta, disseram aos agentes aliados em Vladivostok que o regime de Koltchak era de «absoluto despotismo e sem lei», caracterizado por «acções criminosas que abalarão o mundo inteiro. O incêndio de aldeias, o assassinato em massa de habitantes pacíficos e o fuzilamento de centenas de pessoas de convicção democrática e também daqueles só suspeitos de deslealdade política ocorrem diariamente». [63] Churchill declarou que a Grã-Bretanha enviou a Koltchak durante 1919 quase 100.000 toneladas de armas, munições, equipamentos e roupas.
The Defeat of Kolchak

In April 1919, when Kolchak's troops had broken off in the central sector, the CEC of Penza immediately formed a Communist shock regiment which was sent to that sector. Reinforcements were also sent from Samara -- a regiment of peasant volunteers -- and from Novgorod. The workers of Orenburg organized the defense of the city preventing it from being taken by the Whites [16].

In early May the 4th Army with other forces under the command of Mikhail Frunze defeated the left flank of the White Army in the vicinity of the Samara-Orenburg railroad. During Frunze's offensive a Ukrainian national detachment of the Kolchak forces killed its officers and moved to the Red Army.

In May, the 2nd and 3rd Armies (48,000 men) undertook a successful preparatory operation (Sarapulo-Votkinsk) to attack Perm. On June 20 they crossed the Kama River repelling the army of Gayda (44,000 men). On the 1st July the 29th Infantry Division of the 3rd Army took the city with other forces. Perm's victory allowed the Red Army to carry out a wide-ranging victorious offensive in the Urals. The withdrawal of Kolchak's forces became a rout.


In August and September, Kolchak's armies fled desperately in the face of the crushing attacks of the Red Army and with rearguards being incessantly assailed by a generalized and rapidly growing guerrilla movement. In November, Kolchak evacuated his capital in Omsk. He reached Irkutsk in December, in a train hoisting the English, American, French, Italian and Japanese flags.

The people of Irkutsk revolted on 24 December, established a soviet and arrested Kolchak
and his Cadet Premier, M. Papelaiev. Kolchak had carried on the train a large treasure which was apprehended: 5,143 boxes and 1,680 bags of gold bars, bullion, securities and valuable objects, with a total estimated value of 1,150,500,000 rubles (the equivalent to about 451 million US$ of 1919 and 6,3 billion US$ of 2017). On Christmas Day Kolchak transferred his command to the terrorist Semyonov.

Kotchak and Papeleiev were tried by a Soviet court and charged with treason. In court Kolchak regretted not having stayed at sea and claimed that he had been betrayed by "foreign elements" who abandoned him in the crisis. The court condemned Kolchak and Papeleiev to death. They were shot on February 7, 1920. Several of Kolchak's aides fled to the Japanese side. One of them, General Bakich, sent this message to the Russian Consul in Mongolia: "Persecuted by the Jews and Communists, I crossed the border!"

The remaining Czechoslovakians, now in open rebellion, told Allied agents in Vladivostok that the Kolchak regime was of "absolute despotism and lawlessness", characterized by "criminal action that will stagger the entire world.
The burning of villages, the murder of masses of peaceful inhabitants, and the shooting of hundreds of persons of democratic conviction and also those only suspected of political disloyalty occurs daily." [63] Churchill stated that Britain sent to Kolchak during 1919 almost 100,000 tons of arms, ammunition, equipment and clothing.

Notas e Referências | Notes and References

De 1 a 45 no artigo anterior | From 1 through 45 in the previous article.

[46] A questão das propostas de paz é descrita por Chamberlin [16] (com grande detalhe), Sayers e Kahn [1] e outros. As várias versões coincidem no essencial. O CCP, para evitar a guerra, também propôs sete planos de paz, de Novembro de 1918 a Fevereiro de 1919, com concessões importantes. Woodrow Wilson foi quem mais defendeu um acordo com a RSFSR e chegou a ser marcado um encontro de delegações em Prinkipo. Churchill torpedeou a inclinação de Lloyd George para um acordo. Os brancos, franceses e italianos eram profundamente hostis a qualquer acordo. A França opunha-se, inclusive, a quaisquer contactos com a RSFSR.
The issue of peace proposals is described by Chamberlin [16] (in great detail), Sayers and Kahn [1] and others. The various versions coincide. The CPC, in order to avoid war, also proposed seven peace plans from November 1918 to February 1919, with significant concessions. Woodrow Wilson stood as a major defender of an agreement with the RSFSR; a meeting of delegations in Prinkipo was even scheduled. Churchill torpedoed Lloyd George's penchant for an agreement. The Whites, French, and Italians were profoundly hostile to any agreement. France even opposed contacts of any kind with the RSFSR.


[48] Churchill revela, num livro seu, que um encontro anglo-francês, em 23 de Dezembro de 1917 em Paris, regulou as futuras operações das forças britânicas e francesas na RSFSR. Foi definida como «zona de influência» britânica as regiões cossacas, Cáucaso, Arménia, e Geórgia. A «zona de influência» francesa consistia na Bessarábia, Ucrânia e Crimeia.
Churchill reveals in one of his books that an Anglo-French meeting, on December 23 1917, in Paris, regulated the future operations of the British and French forces in the RSFSR. The British “zone of influence” was defined as the Cossack regions, Caucasus, Armenia and Georgia. The French “zone of influence” consisted of Bessarabia, Ukraine and the Crimea.

[49] Sobre este tema, que já abordámos no artigo anterior, vale a pena ler a descrição em [16] de como o presidente de quatro companhias caucasianas do petróleo formulava o desejo, numa reunião em Londres (Dezembro de 1918) da Bibi-Eibat Oil Company, da «penetração pacífica da influência britânica» do Cáucaso (Baku) ao Mar Cáspio (Tiflis) porque «A indústria petrolífera da Rússia, liberalmente financiada e devidamente organizada sob auspícios britânicos seria um activo valioso do Império».
On this subject, which we have already approached in the previous article, it is worth reading the description in [16] of how the president of four Caucasian oil companies outlined the desire at a meeting in London (December 1918) of the Bibi-Eibat Oil Company, of the "peaceful penetration of British influence" from the Caucasus (Baku) to the Caspian Sea (Tbilisi) because “The oil industry of Russia, liberally financed and properly organized under British auspices would, in itself, be a valuable asset to the Empire.”

[50] Foch, em Janeiro de 1919: «São necessárias grandes massas, que poderiam ser obtidas mobilizando os finlandeses, polacos, checos, romenos e gregos, bem como os elementos russos pró-Aliados ainda disponíveis... Se isso for feito, 1919 verá o fim do bolchevismo!»
Foch in January 1919: “Great numbers are required, which could be obtained by mobilizing the Finns, Poles, Czechs, Rumanians and Greeks, as well as the Russian pro-Ally elements still available.... If this is done, 1919 will see the end of Bolshevism!”

[51] O sentimento anti-Rússia cultivado pela nobreza e intelectualidade polaca facilitou a tarefa dos imperialistas. Diz Price [11]: «Na Polónia [...] os elementos nacionalistas e social-chauvinistas ganharam a maioria e o governo de Paderewsky [Primeiro-Ministro em 1919, filho de administrador de latifúndios, feroz nacionalista, apadrinhado pela Entente] aspirou tornar-se o "gendarme do Leste", para extrair o tributo dos empréstimos do czar para [dar a] os bancos de Paris. O exército de Haller [de voluntários polacos na França durante a 1.ª GM] tornou-se parte do sistema militar de Foch para o domínio da Europa, no interesse dos credores franceses».
The anti-Russia feeling cultivated by the Polish nobility and intelligentsia facilitated the task of the imperialists. Price [11] wrote: "In Poland [...] the national and social chauvinist elements gained the upper hand and the Government of Paderewsky [Prime Minister in 1919, the son of a land estates administrator, and a fierce nationalist patronized by the Entente] aspired to become the ‘gendarme of the East’, to exact the tribute of the Tsar's loans for [to give to] the banks of Paris. Haller's army [of Polish volunteers in France during WWI] became part of Foch's military system for the domination of Europe, in the interests of French creditors."

[52] Durante toda a Guerra Civil o Conselho Militar Revolucionário da República criou, por questões operacionais, onze frentes [53]: Leste, Oeste, Caúcaso, Cáspio-Cáucaso, Norte, Turquestão, Ucrânia, Sul, Sudoeste e Sulista. A Frente Cáspio-Cáucaso só existiu de 8 de Dezembro de 1918 a 13 de Março de 1919. As frentes do Cáucaso, Sudoeste e Sulista foram criadas em 1920. Por facilidade de exposição seguimos a descrição de Sayers e Kahn [1] que distingue a Frente Norte da Frente Noroeste – esta englobada na Frente Ocidental pelos soviéticos – e que engloba na Frente Sul as Frentes Sudeste, Ucraniana, Cáspio-Cáucasiana e do Turquestão.
O seguinte site russo contem informações técnicas sobre o Exército Vermelho (mais exactamente, Exército Vermelho de Operários e Camponeses, sigla PKKA em russo): Рабоче-Крестьянская Красная армия, РККА
Throughout the Civil War the Revolutionary Military Council of the Republic created eleven fronts [53]: East, West, Caucasus, Caspian-Caucasus, North, Turkestan, Ukraine, South, Southwest and Southern. The Caspian-Caucasus Front only existed from December 8, 1918 to March 13, 1919. The Caucasus, Southwest and Southern fronts were created in 1920. For simplicity sake we follow the description of Sayers and Kahn [1] that distinguishes the North Front from the Northwest Front -- this one is included the Western Front by the Soviets -- and includes on the South Front the Southeastern, Ukrainian, Caucasian and Turkestan Fronts.
The following Russian website contains technical information about the Red Army (more precisely, Red Army of Workers and Peasants, acronym PKKA in Russian): Рабоче-Крестьянская Красная армия, РККА

[53] Segundo o reaccionário general Gayda, os russos não podiam ser governados por «amabilidade e persuasão, mas só com chicote e baioneta» sendo necessário um ditador para varrer o bolchevismo.
According to the reactionary General Gayda, the Russians could not be ruled by "kindness and persuasion, but only by the whip and bayonet" and a dictator was needed to wipe out Bolshevism.

[54] Num Congresso em Jassy, na Roménia, que decorreu de 14 a 23 de Novembro de 1918, a maioria dos delegados (brancos monarquistas – entre os quais Milyukov -- e «socialistas», franceses e britânicos) escolheu como «solução temporária» uma ditadura militar encabeçada por Denikin.
In a Congress at Jassy, Romania, held from 14 to 23 November 1918, most of the delegates (White monarchists -- including Milyukov -- and "socialists", French and British) chose as "temporary solution" a military dictatorship led by Denikin.

[55] «Golovin afirmou no relatório que apresentou aos seus superiores quando regressou à Rússia: “Churchill não é apenas um simpatizante, mas um amigo activo e enérgico. Foi-nos garantida a maior ajuda possível. Temos agora que mostrar aos ingleses que estamos prontos para transformar palavras em acções.” Este relatório, posteriormente capturado pelo Exército Vermelho nos arquivos secretos do governo branco de Murmansk, foi publicado no Daily Herald em Londres pouco tempo depois, causando um embaraço considerável aos círculos anti-soviéticos da Inglaterra.» [1]
“Golovin stated in the report he submitted to his superiors when he returned to Russia: ‘Churchill is not only a sympathizer but an energetic and active friend. The greatest possible aid is assured us. Now we have to show the English that we are ready to turn words into deeds.’ This report, subsequently captured by the Red Army in the secret archives of the Murmansk White Government, was published in the Daily Herald in London a short time after, causing a considerable embarrassment to anti-Soviet circles in England.” [1]

[56] Ralph Albertson (funcionário do YMCA que esteve no norte da Rússia em 1919) no seu livro Fighting Without a War. O YMCA (Young Men’s Christian Association) é uma organização reaccionária americana, ligada à CIA.
Ralph Albertson (Y.M.C.A. official who was in North Russia in 1919) in his book, Fighting Without a War. The YMCA (Young Men's Christian Association) is an American reactionary organization, linked to the CIA.

 [57] O «golpe anunciado» de Koltchak é descrito em pormenor por Chamberlin [16] que escreve «O general francês Janin, comandante das forças aliadas na Sibéria durante o regime de Koltchak, faz a declaração definitiva de que o seu colega britânico, o General Knox, sabia da "conspiração de Kolchak" e que um dos agentes dos serviços secretos de Knox, o capitão Steveni, admitira estar presente numa reunião secreta onde os planos do golpe foram decididos». Mais tarde Koltchak também varreu outras oposições de SRs e mencheviques dos governos da «Assembleia Constitucional» de Samara e Ufa.
Koltchak's “announced coup” is described in detail by Chamberlin [16] who writes "The French General Janin, commander of the Allied forces in Siberia during Kolchak’s regime, makes the definite statement that his British colleague, General Knox, knew of ‘Kolchak’s conspiracy’ and that one of Knox’s Intelligence ofiicers, Captain Steveni, had admitted being present at a secret meeting where the plans for the coup were decided on." Later Koltchak also swept away other SRs and Menshevik oppositions of the governments of the "Constitutional Assembly" of Samara and Ufa.

[58] Os números são de [1]. Dos 48 mil homens iniciais da legião checa, muitos desertaram ou morreram. Segundo Chamberlin ([16]), a legião checa opôs-se ao golpe de Koltchak contra o «Directório» em Omsk, mas «Vários dos generais checos, incluindo o ambicioso e aventureiro Gayda, simpatizavam com ele e esperavam fazer carreiras para si próprioss no serviço russo». O ministro dos Negócios Estrangeiros de Koltchak pediu a um enviado americano um empréstimo de duzentos milhões de dólares e o envio de vinte e cinco mil soldados para substituir os checos, que se estavam a tornar cada vez mais hostis ao regime de Koltchak. Não lhe foi concedido.
The figures are from [1]. Of the initial 48,000 men of the Czech legion, many deserted or died. According to Chamberlin, [16] the Czech legion opposed Koltchak's coup against the "Directory" in Omsk, but "several of the Czech Generals, including the ambitious and adventurous Gayda, sympathized with him and hoped to make careers for themselves in the Russian service.” Koltchak’s Foreign Minister asked a US envoy for a loan of two hundred million dollars and the sending of twenty-five thousand soldiers to replace the Czechs, who were becoming increasingly hostile to Kolchak’s regime. The demand wasn’t granted.

[59] Um «exército» do Exército Vermelho era uma unidade operacional que em 1919 era constituído por 3 a 6 divisões de infantaria e 1 a 2 divisões de cavalaria. A divisão de infantaria era nessa altura constituída por três regimentos de infantaria, um regimento de artilharia e unidades técnicas e podia ter até 15 mil homens; a divisão de cavalaria era constituída por quatro a seis regimentos de cavalaria, um regimento de artilharia, e unidades blindadas e técnicas. Os exércitos das várias frentes durante a guerra civil estão descritos em Armii RKKA v Grazhdanskoy voyne — Vikipediya.
An "army" of the Red Army was an operational unit that in 1919 consisted of 3 to 6 divisions of infantry and 1 to 2 divisions of cavalry. The infantry division at that time consisted of three infantry regiments, an artillery regiment and technical units, and could have up to 15,000 men; the cavalry division consisted of four to six cavalry regiments, an artillery regiment, and armored units and techniques. The armies of the various fronts during the civil war are described in Armii RKKA v Grazhdanskoy voyne — Vikipediya.

[60] J. Stalin, F. Dzerzhinsky, Letter To V.I. Lenin From The Eastern Front, Vyatka, January 5, 1919. Vyatka, now Kirov, is 330 km from Perm.

[61] Estaline e Djerjinski ilibaram de culpas dois regimentos e apontaram quais os regimentos que de facto tinham tido acções hostis, com deserções para o inimigo, devido ao seu espírito contra-revolucionário; apontaram culpas à má gestão do CMR por não se ter demolido uma ponte e instalações valiosas, pela falta de reservas, falta de sistema de controlo e incompetência da administração, etc.
Stalin and Dzherzhinski acquitted two regiments of blame and pointed out which regiments had in fact taken hostile actions, desertions to the enemy, because of their counterrevolutionary spirit; they blamed the poor management of the CMR for not having demolished a bridge and valuable facilities, for lack of reserves, lack of control system and incompetence of the administration, etc.

[62] Esta informação das Ed. Progresso mostra que, ao contrário do que transparecia na nossa nota 31, Lenine admitia o alistamento de ex-oficiais czaristas, desde que devidamente controlados. No seu Relatório do Comité Central, Oitavo Congresso do R.C.P. (B), 18 de março de 1919, Lenine diz:
«A natureza do problema era clara. A menos que defendêssemos a república socialista pela força das armas, não poderíamos existir [...] Se a classe dominante, o proletariado, quiser manter o poder, deve, portanto, provar a sua capacidade de o fazer pela sua organização militar. Como poderia uma classe que até então servira de carne para canhão para os comandantes militares da classe imperialista dominante criar os seus próprios comandantes? Como poderia resolver o problema de combinar o entusiasmo, o novo espírito criativo revolucionário dos oprimidos e o emprego do armazém da ciência e tecnologia burguesas do militarismo [...]? [...] Quando incluímos a questão dos especialistas burgueses no programa revolucionário do nosso partido, resumimos a experiência prática do partido numa das questões mais importantes. Tanto quanto me lembro dos primeiros mestres do socialismo [...] nunca expressaram uma opinião sobre esta questão. Ela não existia para eles, pois surgiu apenas quando começámos a criar um Exército Vermelho».
This information from Ed. Progress shows that, contrary to what was inferred in our note 31, Lenin admitted the enlistment of former Tsarist officers, provided they were properly controlled. In his Report of the Central Committee, Eighth Congress of R.C.P. (B), March 18, 1919, Lenin says:
“And the nature of the problem was clear. Unless we defended the socialist republic by force of arms, we could not exist […] If the ruling class, the proletariat, wants to hold power, it must, therefore, prove its ability to do so by its military organization. How was a class which had hitherto served as cannon-fodder for the military commanders of the ruling imperialist class to create its own commanders? How was it to solve the problem of combining the enthusiasm, the new revolutionary creative spirit of the oppressed and the employment of the store of the bourgeois science and technology of militarism […]? [...] When we included the question of bourgeois specialists in the revolutionary programme of our Party, we summed up the Party’s practical experience in one of the most important questions. As far as I remember the earlier teachers of socialism […] never expressed an opinion on this question. It did not exist for them, for it arose only when we proceeded to create a Red Army.”

[63] Estas revelações, bem como a informação da transferência de comando para Semyonov, provêm da citada obra de Chamberlin. Este autor também refere – embora de forma curta -- as crueldades dos ajudantes de Koltchak. Ajudantes que Koltchak, como «Supremo Governante», livremente escolheu e com cujo comportamento se comprometeu. Que Koltchak tenha transferido o comando para Semyonov é de uma clareza gritante.
Pois, apesar disto, Chamberlin faz esta afirmação absolutamente espantosa que ilustra bem a hipocrisia burguesa quando se trata de branquear os seus «heróis»:
«Um orgulhoso patriota russo, ele foi compelido pela força das circunstâncias a operar sob condições de humilhante dependência dos caprichos dos poderes intervencionistas estrangeiros. Um homem de apaixonada integridade, ele foi comprometido em cada instante pela corrupção e arbitrariedade dos funcionários subordinados de seu regime. Dedicado ao ideal de restaurar o respeito pela lei e pela ordem, ele foi incapaz de verificar... os excessos selvagens e brutais dos chefes militares que ajudaram a levá-lo ao poder e de quem ele era dependente.»
Deixamos ao leitor a tarefa de identificar as contradições e inverdades que a hipocrisia do discurso contém. São oito.
These revelations, as well as the information on the transfer of command to Semyonov, come from the cited work of Chamberlin. This author also mentions – albeit in an abridged way -- the cruelties of Kolchak's aides. Aides whom Kolchak, as "Supreme Ruler," freely chose and with whose behavior he compromised. That Kolchak has transferred the command to Semyonov is of stark clarity.
But in spite of all this, Chamberlin makes this absolutely astounding statement which is a good illustration of bourgeois hypocrisy when they have to whitewash their “heroes”:
A proud Russian patriot, he was compelled by force of circumstances to operate under conditions of humiliating dependence on the caprices of foreign interventionist powers. A man of passionate integrity, he was compromised at every turn by the corruption and arbitrariness of the subordinate officials of his regime. Devoted to the ideal of restoring respect for law and order, he was unable to check …the wild and brutal excesses of the military chieftains who had helped to bring him into power and on whom he was dependent.”
We leave to the reader the task of identifying the contradictions and untruths that the hypocrisy of the discourse contains. There are eight.